O MIS recebe entre 11 e 13 de dezembro a mostra Fuego Nuevo, Cinema Mexicano Atual, que reúne oito filmes recentes selecionados em festivais do México ao longo de 2024. A iniciativa, em parceria com o Consulado Geral do México em São Paulo, apresenta obras que exploram identidades, territórios, espiritualidade e conflitos contemporâneos, valorizando a diversidade estética e linguística do cinema do país. As sessões são gratuitas e criam um raro panorama da nova geração de cineastas mexicanos, dividida de forma equilibrada entre realizadoras e realizadores.
Primeira noite mergulha em identidades, memórias e fugas


No dia 11, a mostra abre com ¡Aoquic iez in Mexico! ¡Ya México no existirá más! de Annalisa D. Quagliata Blanco, um ensaio fílmico de ritmo frenético que passeia pela Cidade do México enquanto investiga memórias fragmentadas e tensões históricas. O filme conecta passado e presente em uma jornada que questiona a própria ideia de mexicanidade.
Na sequência, La arriera, de Isabel Cristina Fregoso, acompanha Emilia, jovem que abandona sua família e encontra novas possibilidades ao se disfarçar como boiadeiro nas montanhas. O longa navega entre descoberta pessoal, deslocamento e redefinição de destino.
Desaparecimentos, sonhos e espiritualidade no segundo dia



A programação do dia 12 apresenta três títulos. Arillo de hombre muerto, de Alejandro Gerber, traz a história de Dalia, motorista de metrô que enfrenta o desaparecimento do marido e uma espiral de indiferença social. O longa mergulha na violência cotidiana com um olhar íntimo e sombrio.
Em seguida, Crónicas del otro norte, de Miguel León, mistura documentário e ficção ao registrar a jornada de um estrangeiro que viaja por Chihuahua recolhendo sonhos do povo local. A experiência se transforma em uma busca por conexões humanas e pelo significado oculto de suas próprias memórias.
Fechando o dia, Jíkuri, viaje al país de los tarahumara, de Federico Ceccheti, revisita a passagem de Antonin Artaud pelo México. A narrativa acompanha Rayénari em uma jornada espiritual entre rituais, perda e reencontros em um asilo mental, guiados por sonhos que conectam mundos distintos.
Comunidade, luto e mitologias infantis encerram a mostra



O último dia de exibições, 13 de dezembro, abre com Hilando sones, documentário de Ismael Vázquez Bernabé que investiga como dons individuais se entrelaçam na construção de comunidades. A obra acompanha três personagens cujas experiências formam um retrato coletivo.
Já Nepantla: The In Between, de Robie Flores, retorna à fronteira México Estados Unidos para construir um relato de amadurecimento marcado por luto, memórias e redescobertas familiares.
Encerrando a mostra, Monstruo de Xibalbá, de Manuela Irene, apresenta a história de Rogelio, garoto de oito anos que tenta compreender a morte durante férias em Yucatán. O encontro com amigos e com um misterioso eremita chamado Monstro de Xibalbá mistura fantasia, inocência e mitologias locais.
Uma mostra que fortalece pontes culturais
As oito sessões gratuitas oferecem ao público brasileiro um mergulho consistente na produção mexicana contemporânea, permitindo ao MIS reafirmar seu papel como espaço de circulação internacional de filmes e debates culturais. A Mostra Fuego Nuevo aproxima linguagens, amplia repertórios e reforça o diálogo entre Brasil e México por meio do cinema.


