O Sesc 24 de Maio virou ponto de encontro para quem viveu, estudou ou simplesmente respira Hip Hop. Com uma curadoria que reúne nomes históricos da cena — OSGEMEOS, Rooneyoyo, KL Jay, Thaíde, Sharylaine, Rose MC e ALAM Beat — a mostra HIP-HOP 80’sp – São Paulo na Onda do Break recria o ambiente explosivo dos anos 1980, quando a cultura urbana ganhou forma nas ruas e estações de metrô da capital. São mais de três mil peças que contam a história de um movimento nascido da resistência e que segue vivo nas bordas, nas pistas e nos fones das novas gerações.
A exposição funciona como uma arqueologia afetiva. Cada objeto, figurino, flyer ou instalação parece falar com quem circulou pela São Bento, pelos bailes black, pela Roosevelt e pela famosa esquina da 24 de Maio. Também é um convite para quem chegou depois e quer entender de onde veio essa estética que une música, dança, graffiti e atitude.
A seguir, reunimos 16 destaques que ajudam a entender por que a mostra já é um dos eventos culturais mais comentados da cidade.
Relíquias que sustentam a história
1. Jaquetas e itens originais das gangues do Bronx
Peças de grupos como Black Spades e Ghetto Brothers, que antecedem o Hip Hop e influenciaram diretamente sua formação em Nova York, aparecem em vitrines que situam o visitante no momento em que tudo estava para acontecer.
2. As lendárias Roland TR 808 e 909
As drum machines que moldaram a sonoridade dos anos 1980, incluindo o impacto de Planet Rock, mostram como a tecnologia virou arma criativa para DJs e produtores.
3. O rádio M90 dos Beastie Boys
Ícone raríssimo, parte de capas históricas do rap, encontrado após uma década de busca. Rooneyoyo comenta na exposição que achou que jamais veria a peça de perto.
4. Passaporte de Ricardinho
Um documento simples, mas carregado de importância: prova da atuação do Electric Boogies e do pioneirismo do break em São Paulo ainda no início dos anos 1980.
5. Fichas do Programa Barros de Alencar
Registros das inscrições dos grupos que almejavam mostrar suas coreografias na TV, revelando o esforço para legitimar o breaking em uma mídia ainda desconfiada.
6. Cartões de membros da Zulu Nation
Exibidos os cartões de nomes como Nino Brown e Def Paul, que reforçam a conexão direta do Brasil com a organização que ajudou a estruturar a cultura Hip Hop global.
7. Jaqueta usada em Beat Street
Um dos figurinos originais do filme que formou gerações de b-boys. A mostra ainda traz itens de Breakin’, Krush Groove e Flashdance, marcando o impacto do cinema na difusão do movimento.
Experiências que recriam a década de 1980
8. Vagão da estação São Bento grafitado por OSGEMEOS
Uma instalação que devolve ao público o berço paulistano do break. O espaço será utilizado em futuras ações educativas, aproximando escola e rua.
9. Windmill
A escultura cinética de OSGEMEOS funciona como uma caixa de música com um b-boy eternamente girando. É poesia urbana transformada em objeto.
10. Flyers dos bailes black
Pequenos papéis que concentravam grandes acontecimentos. Os flyers revelam rotas de festa e resistência onde soul, funk e rap ganharam força.
11. Filmes que moldaram a geração
Projeções de Beat Street, Breakin’ e Style Wars relembram como essas obras ajudaram a construir imaginários e técnicas que até hoje influenciam a cena.
12. Fotografias de Martha Cooper
Pela primeira vez no Brasil, chegam imagens históricas da fotógrafa que registrou o nascimento do Hip Hop nas ruas de Nova York.
13. Quartinho vintage de DJ
Um ambiente inteiro dedicado aos equipamentos que definiram a estética do scratch e dos primeiros mixtapes no país.
14. Instalação de Henry Chalfant
Com fotos, trechos de Style Wars e trens do metrô grafitados, o espaço mergulha o visitante no metrô nova-iorquino dos anos 1980.
15. A força das pioneiras
Sharylaine e Rose MC ganham uma área que destaca suas trajetórias, com roupas, discos e depoimentos que ajudam a corrigir apagamentos históricos.
16. O Boombox Gigante
Uma instalação monumental que reúne vídeo, manequins e figurinos originais, sintetizando a estética expansiva do período.
Uma viagem pela formação do Hip Hop paulista
A exposição mostra como os anos 1980 foram decisivos para criar pontos de encontro e afirmação artística. Do Ibirapuera à São Bento, da Roosevelt aos clubes, jovens começaram a ocupar a cidade com dança, rima, tinta e som. A curadoria coletiva reforça essa construção compartilhada ao juntar artistas de diferentes gerações que viveram intensamente essas transformações.
Além das instalações, a mostra inclui oficinas, rodas de conversa, projeções e cinco filmes dirigidos por Colé, produzidos especialmente para o projeto. A ideia é aproximar públicos e ampliar o diálogo sobre os pilares da cultura: DJ, MC, Graffiti, Breaking e o conhecimento que costura tudo isso.
Serviço
Exposição HIP-HOP 80’sp – São Paulo na Onda do Break
Idealização OSGEMEOS e Rooneyoyo O Guardião
Curadoria OSGEMEOS, Rooneyoyo O Guardião, KL Jay, Thaíde, Sharylaine, ALAM Beat e Rose MC
Período até 29 de março de 2026
Horários terça a sábado das 9h às 21h; domingos e feriados das 9h às 18h
Local Sesc 24 de Maio – Rua 24 de Maio, 109, República, São Paulo
Classificação livre e entrada gratuita
Agendamento para grupos agendamento.24demaio@sescsp.org.br
A exposição é realizada pelo Sesc São Paulo com organização de OSGEMEOS, Ori Arerê Arte e Cultura, Buenavista e Naja Produções, além da produção executiva de Camila Miranda e Ricardo Samelli.


