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O Agente Secreto encerra a 36ª Bienal de São Paulo com sessão gratuita no Cinema Bienal

A 36ª Bienal de São Paulo chega ao fim transformando o cinema em ponto de encontro. Entre os dias 9 e 11 de janeiro, o Cinema Bienal assume o auditório do Pavilhão Ciccillo Matarazzo, no Parque Ibirapuera, com uma programação gratuita que cruza filmes premiados, sessões acessíveis, debates e encontros com realizadores. No meio desse fechamento simbólico, um destaque se impõe pela força política e estética: O Agente Secreto, novo longa de Kleber Mendonça Filho, exibido em sessão especial no sábado.

O Agente Secreto e o Brasil observado por dentro

Será exibido no no dia 10 de janeiro, O Agente Secreto mergulha no Recife de 1977, período marcado pela vigilância constante da ditadura militar. A história acompanha Marcelo, especialista em tecnologia acusado de atividades subversivas, que deixa São Paulo tentando desaparecer, mas acaba percebendo que o controle estatal se infiltra até nos gestos mais cotidianos. Com 161 minutos, o filme reforça uma das marcas mais reconhecíveis do cinema de Kleber Mendonça Filho: usar o espaço urbano como espelho de tensões políticas e sociais.

Uma curiosidade que chama atenção é como o diretor revisita temas recorrentes de sua filmografia, como paranoia, memória e poder, agora em um contexto histórico mais direto e explícito. Após a sessão, o público pode participar da oficina Entre o técnico e artístico: a estrutura do filme, com Fellipe Fernandes, abrindo o processo criativo e técnico por trás da obra.

Uma programação que dialoga com o mundo

A reta final da 36ª Bienal de São Paulo no Cinema Bienal vai além do longa brasileiro. Na sexta-feira, 9 de janeiro, O Melhor Amigo, de Allan Deberton, abre a programação em uma sessão com acessibilidade e interpretação em Libras, reforçando a ideia de cinema como espaço plural. No mesmo dia, The Man Died, de Awam Amkpa, ganha exibição seguida de conversa com o diretor e com o curador geral da Bienal, Bonaventure Soh Bejeng Ndikung. Baseado nas memórias de Wole Soyinka, o filme transforma a experiência do cárcere político em um relato potente sobre resistência.

No sábado, Trilha Sonora para um Golpe de Estado, de Johan Grimonprez, mistura jazz, política e descolonização ao revisitar um episódio pouco explorado da Guerra Fria, conectando música e geopolítica de forma inesperada. Já no domingo, 11 de janeiro, o encerramento fica por conta da última exibição do programa Fluxo de imagens / Imaginários, dentro da Temporada França Brasil, reunindo curtas que exploram o corpo como linguagem, o som como disputa e o movimento como afirmação social.

Um fechamento à altura da Bienal

Ao apostar em sessões gratuitas, debates e filmes que atravessam história, política e arte, o Cinema Bienal transforma o encerramento da 36ª Bienal de São Paulo em algo mais vivo do que uma simples despedida. A exibição de O Agente Secreto funciona como síntese desse espírito, um filme que olha para o passado para provocar o presente, em sintonia com a proposta curatorial da mostra.

Para quem acompanha cinema brasileiro, produções internacionais fora do circuito óbvio ou simplesmente quer ocupar a cidade de outro jeito, a programação do Cinema Bienal se impõe como um convite direto: entrar na sala escura e sair com a cabeça em movimento.

Programação – Cinema Bienal

09 de janeiro, sex | 13h 

Sessão Vitrine Petrobras com Acessibilidade – O Melhor Amigo de Allan Deberton (95 min)

Sinopse

Na praia de Canoa Quebrada, o reencontro entre Lucas e Felipe faz acender antigos desejos. Enquanto Lucas se joga neste paraíso solar e musical, em busca de uma paixão ardente e incerta, Felipe, com sua presença sempre tão misteriosa, parece escorregar por entre os dedos. Entrada gratuita.

Retirada de ingressos pelo Sympla ou diretamente no local, uma hora antes da exibição. Conta com interpretação em Libras.

09 de janeiro, sex | 15h

36ª Bienal de São Paulo – Exibição do filme The Man Died de Awam Amkpa e conversa com o diretor e Bonaventure Soh Bejeng Ndikung

No dia 9 de janeiro acontecerá a exibição do filme The Man Died, de Awam Amkpa, e conversa com o diretor e o curador geral da 36ª Bienal, Bonaventure Soh Bejeng Ndikung. O evento acontece das 15h às 18h no auditório do terceiro pavimento. O filme será exibido em inglês com legendas em português. 

Baseado no angustiante livro de memórias carcerárias do laureado com o Prêmio Nobel Wole Soyinka, The Man Died é um poderoso relato de resistência, coragem e da indomável força do espírito humano. Ambientado no contexto da guerra civil nigeriana, o filme narra a prisão de Soyinka sem julgamento por um regime militar brutal determinado a silenciar sua voz. Por meio do confinamento solitário, da tortura e da privação, a determinação de Soyinka em lutar contra a tirania e a injustiça torna-se ainda mais forte. Entrelaçado a flashbacks de sua vida anterior como escritor e ativista, o filme revela a profunda força interior e o espírito inquebrantável que impulsionam sua resistência. 

Ao registrar suas experiências em pedaços de papel contrabandeados para fora de sua cela, seus escritos tornam-se um farol de esperança e um chamado à ação para outros que vivem sob a opressão. The Man Died não é apenas uma história pessoal, mas um testemunho universal do poder duradouro da verdade e da necessidade de se posicionar contra a tirania. É um lembrete de que, diante da opressão, o silêncio não é uma opção e o espírito humano jamais pode ser verdadeiramente extinguido.

10 de janeiro, sáb | 12h

Sessão Vitrine Petrobras – Trilha Sonora para um Golpe de Estado de Johan Grimonprez (150 min)

Sinopse Jazz e descolonização são entrelaçados numa montanha-russa histórica que reescreve o episódio da Guerra Fria que levou os músicos Abbey Lincoln e Max Roach a invadirem o Conselho de Segurança da ONU em protesto contra o assassinato de Patrice Lumumba — político que liderou a independência da República Democrática do Congo. 

Entrada gratuita. Retirada de ingressos pelo Sympla ou diretamente no local, uma hora antes da exibição.

A projeção deste filme é feita junto a Le Festival International du Film sur l’Art (Le FIFA). O filme não é indicado para menores de 14 anos.

10 de janeiro, sáb | 15h

Sessão Vitrine Petrobras – O Agente Secreto de Kleber Mendonça Filho (161 min) e oficina Entre o técnico e artístico: a estrutura do filme com Fellipe Fernandes 

Sinopse

Marcelo, um especialista em tecnologia acusado de atividades subversivas, se muda de São Paulo para Recife em 1977 na tentativa de escapar dos agentes do governo. Ele chega à capital pernambucana e, em pouco tempo, começa a desconfiar que está sendo espionado por seus vizinhos. O filme não é recomendado para menores de 16 anos. 

Às 18h, será realizada a oficina Entre o técnico e artístico: a estrutura do filme com Fellipe Fernandes.

Entrada gratuita. Retirada de ingressos pelo Sympla ou diretamente no local, uma hora antes da exibição. 

Temporada França-Brasil na 36ª Bienal de São Paulo – Fluxo de imagens / Imaginários

No dia 11 de janeiro, domingo, acontecerá a última exibição do programa Fluxo de imagens / Imaginários. O evento acontece das 15h às 17h no auditório do terceiro pavimento.

Cada bloco do programa se desdobra em um eixo específico explorado ao longo da Bienal, convidando o público a mergulhar em suas proposições curatoriais. O bloco exibido no dia 11 de janeiro se intitula Corpos em movimento: som, luta e espaços sociais, e reúne filmes em que o corpo se torna simultaneamente linguagem e campo de batalha, carregando histórias, navegando por restrições e reivindicando espaço por meio da dança, do trabalho, do protesto e do ritual. Aqui, o som é habitado e o espaço é moldado pelo movimento.

Serão exibidos os filmes Nossa escola de samba (30’, Manuel Gimenez, 1965), Ughniyat Touha al-Hazina [Canção Triste de Touha] (12’, Atteyat Al-Abnoudy, 1973), Lamb: La Lutte (15’, Paulin Vieyra, 1963) e Recife de dentro pra fora (17’, Katia Mesel, 1997). Entrada gratuita, sem necessidade de retirada de ingressos (sujeito a lotação). 

Serviço

Cinema Bienal
Auditório, 3º pavimento
Pavilhão Ciccillo Matarazzo, Parque Ibirapuera
Portão 3, Avenida Pedro Álvares Cabral, s n, São Paulo
Entrada gratuita, sujeita à lotação de 335 lugares
Ingressos pelo Sympla ou retirados no local uma hora antes das sessões, quando indicado

Giuliano Peccilli
Giuliano Peccillihttp://www.jwave.com.br
Editor do JWave, Podcaster e Gamer nas horas vagas. Também trabalhou na Anime Do, Anime Pró, Neo Tokyo, Nintendo World e Jornal Nippon Já.

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