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O Cachorro que se Recusou a Morrer leva memória, imigração e identidade ao palco da Arena B3

O espetáculo O Cachorro que se Recusou a Morrer chega à Arena B3, em São Paulo, nos dias 17 e 18 de janeiro, como uma experiência teatral que aposta na proximidade com o público e na força da narrativa pessoal. Criado, escrito e interpretado por Samir Murad, o solo nasce de memórias familiares e relatos gravados, transformando vivências íntimas em matéria cênica universal.

Com direção compartilhada entre Murad e Delson Antunes, o espetáculo se constrói como um encontro direto entre ator e plateia, sem artifícios desnecessários. A encenação trabalha com diferentes registros de atuação, alternando humor e dramaticidade, sempre apoiada em um rigoroso trabalho corporal e vocal.

Um monólogo sobre família, imigração e sobrevivência emocional

A dramaturgia parte da história do pai do autor, um imigrante libanês em busca de sobrevivência em um novo país, e se expande para conflitos familiares marcados por silêncios, violência e fragilidades psíquicas. Um casamento arranjado, a relação entre pai, mãe e uma irmã mais velha com a saúde mental afetada formam a espinha dorsal da narrativa.

Esses elementos, extraídos de lembranças pessoais, reverberam no público ao provocar identificação e resgate de memórias próprias. O espetáculo se destaca por transformar a autobiografia em reflexão coletiva, aproximando histórias individuais de temas universais como pertencimento, identidade e afeto.

Cultura árabe, ditadura militar e o conceito de destino

Com uma linguagem poética e metafórica, O Cachorro que se Recusou a Morrer aborda aspectos da cultura árabe, moldada por dogmas religiosos e estruturas patriarcais que ainda ecoam em muitas famílias brasileiras. Projeções de imagens, trilha sonora e videografia criam uma atmosfera onírica, sem tirar o foco da presença do ator em cena.

O texto também dialoga com os anos da ditadura militar brasileira, relacionando o medo político ao ambiente doméstico, especialmente no contexto de famílias imigrantes. Ao ampliar o olhar do núcleo familiar para o campo sociopolítico, o espetáculo traz à tona discussões atuais sobre imigração, guerras e choques culturais, atravessadas pelo conceito de Maktub, a noção de que o destino está escrito, mas precisa ser vivido.

Teatro contemporâneo que aposta no encontro com o público

Após temporadas de destaque em teatros do Rio de Janeiro e cidades próximas, o espetáculo chega a São Paulo reafirmando uma ideia central: o teatro como espaço de emoção e reflexão sobre a condição humana. Nesta obra, Samir Murad propõe uma narrativa mais contida e essencial, focada na escuta e no diálogo com o público, sem perder intensidade.

O título do espetáculo ecoa como imagem simbólica e poética, inspirada em um poema do próprio autor, e reforça a ideia de resistência da memória e da identidade, que insistem em permanecer mesmo diante das rupturas.

Serviço: O Cachorro que se Recusou a Morrer em São Paulo

O Cachorro que se Recusou a Morrer
Datas: 17 e 18 de janeiro
Horários: sábado e domingo às 14h30 e 17h
Local: Arena B3
Endereço: Praça Antônio Prado, 48, São Paulo
Ingressos: entre R$ 5,00 e R$ 10,00 https://bileto.sympla.com.br/event/114363/d/355043/s/2395277?
Parcelamento em até 12x
Duração: 60 minutos

Giuliano Peccilli
Giuliano Peccillihttp://www.jwave.com.br
Editor do JWave, Podcaster e Gamer nas horas vagas. Também trabalhou na Anime Do, Anime Pró, Neo Tokyo, Nintendo World e Jornal Nippon Já.

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