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O Menino e o Panda | O filme que apostou em pandas reais e quase não saiu do papel

Durante anos, o panda simplesmente desapareceu do cinema. Não por falta de apelo, mas porque filmá-lo é mais um problema diplomático do que técnico. O Menino e o Panda existe porque, desta vez, uma combinação improvável de timing político, confiança institucional e acaso permitiu que isso acontecesse.

Nada de CGI. Nada de correção digital. Os pandas que aparecem em cena são reais, imprevisíveis e completamente fora de controle.

Por que o panda virou um risco de produção

O panda não é treinável como um lobo nem “administrável” como um felino criado desde filhote. Ele é considerado tesouro nacional da China, vive sob protocolos rígidos e só pode ser filmado em ambientes naturais, com autorização direta do governo. Resultado: quase ninguém tenta.

Segundo o diretor Gilles de Maistre, não se fazia um longa de ficção com pandas reais há pelo menos vinte anos. Não porque seja impossível. Mas porque o filme pode morrer antes mesmo de começar.

Um projeto destravado por política, não por dinheiro

O sinal verde só veio durante as celebrações dos 60 anos das relações diplomáticas entre França e China, em 2024. A abertura para coproduções culturais, somada ao histórico do diretor com filmes envolvendo animais, ajudou a convencer as autoridades de que o projeto não era oportunista nem exploratório.

Ainda assim, até a véspera das filmagens, nada era garantido. O acesso aos pandas podia ser cancelado a qualquer momento.

O maior risco não estava no animal

O filme depende da relação entre um garoto de 12 anos e dois pandas, um filhote e um adulto. Não houve ensaio, nem treinamento especial. Se não funcionasse, não havia plano B.

Funcionou.

“Tivemos um milagre adicional”, resume De Maistre. O garoto se conectou imediatamente com os animais, algo que nem a produção esperava. A naturalidade foi tamanha que parte do público internacional achou que os pandas fossem digitais.

Quando o cinema abre mão do controle

Ao escolher um panda como coprotagonista, o diretor aceitou perder algo que o cinema moderno adora: previsibilidade. O animal não repete ações, não responde a comandos e impõe o ritmo da cena.

Isso muda o tom do filme. Em vez de espetáculo calculado, surge uma sensação de presença. Algo mais próximo de observação do que de encenação.

Trailer

Ficha técnica

DireçãoGilles de Maistre

RoteiroPrune de Maistre

ElencoNoé Liu Martane, Sylvia Chang, Yé Liu, Nina Liu Martane, Alexandra Lamy

GêneroAventura, Família

Duração100 minutos

PaísesFrança e Bélgica

Mais informações

Distribuição no BrasilA2 Filmes

O Menino e o Panda

Título original: Moon the Panda

Classificação indicativa: 6 anos

Quando assistir

O Menino e o Panda estreia nos cinemas brasileiros em 29 de janeiro, apostando em algo raro no cinema atual: deixar que um animal real conduza a cena e aceite o risco de que nem tudo saia como o planejado.

Giuliano Peccilli
Giuliano Peccillihttp://www.jwave.com.br
Editor do JWave, Podcaster e Gamer nas horas vagas. Também trabalhou na Anime Do, Anime Pró, Neo Tokyo, Nintendo World e Jornal Nippon Já.

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