Criado fora dos departamentos de marketing e adotado oficialmente depois, o Dia Mundial de Nutella chega a 2026 mantendo a lógica que o tornou relevante: menos campanha, mais participação. Celebrada anualmente em 5 de fevereiro, a data reúne fãs ao redor do mundo em torno do creme de avelã com cacau da Nutella, compartilhando receitas, rituais cotidianos e variações culturais que ajudam a explicar por que o produto ultrapassou a prateleira e virou referência simbólica.
A iniciativa surgiu em 2007, idealizada por consumidores, e foi incorporada pela marca como um evento global sustentado por engajamento orgânico. Em vez de um discurso único, a celebração se constrói a partir das adaptações locais. No Brasil, por exemplo, a tapioca com Nutella se consolidou como um dos retratos mais claros dessa apropriação cultural, unindo um alimento tradicional a um produto de origem europeia sem cerimônia.
Em 2026, a principal novidade é a parceria com a editora Assouline, responsável pelo lançamento do livro Nutella by Assouline. A obra organiza a trajetória da marca em seis capítulos, passando por história, qualidade, café da manhã, versatilidade, universo Nutella e sua consolidação como ícone cultural. O livro está disponível nos Estados Unidos e na Europa e funciona mais como objeto de curadoria simbólica do que como material promocional tradicional.
A publicação reforça um movimento recorrente da marca nos últimos anos: tratar Nutella como parte do imaginário coletivo. A ideia de nostalgia, ritual e pertencimento aparece como eixo central, alinhada à narrativa de um produto com mais de seis décadas de história, produzido a partir de uma fórmula enxuta e reconhecível.
Segundo Daniela Spila, diretora de marketing de Nutella para a América do Sul, o Dia Mundial reflete justamente essa relação construída fora da publicidade convencional. Para ela, a força da data está na forma como consumidores se apropriam da marca e a ressignificam em diferentes contextos, transformando a celebração em um ponto de contato cultural que se renova a cada ano.
Hoje presente em mais de 170 países, Nutella segue produzida pelo Grupo Ferrero, que mantém o discurso de origem italiana e controle rígido de ingredientes como parte central de sua identidade. No Brasil desde os anos 1990, o grupo opera com produção local e um portfólio que inclui outras marcas amplamente reconhecidas no mercado.
Como em edições anteriores, o público é incentivado a participar da celebração compartilhando seu “jeito Nutella” nas redes sociais, seja por meio de receitas, hábitos de consumo ou registros afetivos ligados ao produto. Mais do que um evento promocional, o Dia Mundial de Nutella segue funcionando como um termômetro de como marcas alimentares podem ocupar espaços culturais quando deixam o protagonismo com o consumidor.

