Fevereiro marca um mergulho raro no cinema dos países bálticos na FILMICCA. Ao longo do mês, a plataforma recebe quatro clássicos restaurados do cinema lituano, com destaque para A Noiva do Diabo, que estreia nesta sexta-feira, dia 6, trazendo ao catálogo uma das obras mais emblemáticas da cinematografia do país durante o período soviético.
As estreias reafirmam o compromisso da FILMICCA com a preservação, difusão e redescoberta de cinematografias pouco acessíveis no Brasil, apresentando filmes que combinam folclore, memória histórica e dramas humanos de grande força simbólica.
Folclore, memória e crítica social em versões restauradas




Dirigido por Arūnas Žebriūnas, A Noiva do Diabo (1974) é baseado no romance O Moinho de Baltaragis, de Kazys Boruta. A narrativa acompanha o moleiro Baltaragis, que faz um pacto com o diabo Pinčiukas em troca de prosperidade. O acordo aparentemente inofensivo assume contornos trágicos quando envolve aquilo que ele ainda não possuía: sua filha, Jurga. Misturando humor ácido, fantasia e crítica moral, o filme constrói uma fábula sobre desejo, culpa e as consequências dos atalhos fáceis. Agora restaurado, o clássico retorna com sua inventividade visual e força alegórica intactas.
A programação segue nas sextas-feiras seguintes com outros três títulos fundamentais. Em 13 de fevereiro, chega O Fato, de Almantas Grikevičius, reconstrução rigorosa de um massacre cometido durante a Segunda Guerra Mundial, que se tornou o primeiro filme lituano a competir pela Palma de Ouro em Cannes, onde venceu o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante.
No dia 20 de fevereiro, estreia Já Não Lembro Mais do Seu Rosto, de Raimundas Banionis, um drama delicado sobre o primeiro amor entre dois adolescentes em um sanatório infantil, atravessado pela doença, pela repressão emocional e pelo medo da perda.
Encerrando o ciclo, em 27 de fevereiro, a FILMICCA lança Pão de Nozes, novamente dirigido por Žebriūnas, um mosaico sensível sobre infância, adolescência e afetos em uma pequena cidade rural da Lituânia do pós-guerra, marcado por rivalidades silenciosas e amores herdados de conflitos familiares.
Mais estreias na sexta-feira
Além dos clássicos lituanos, a sexta-feira (06) também traz novidades contemporâneas ao catálogo. Entre elas estão Um Animal Amarelo (2020), de Felipe Bragança, coprodução entre Brasil, Portugal e Moçambique; Ana Cecília (2024), curta-metragem de Júlia Regis sobre amadurecimento e desejo; e Nina em Roma (2012), de Elisa Fuksas, um retrato delicado da solidão urbana durante um verão silencioso na capital italiana.


