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Recife vira personagem em Frevo noir, estreia que mistura crime, Carnaval e desigualdade

Livro de contos aposta no noir brasileiro ao transformar o frevo em metáfora de tensão social

O Recife como organismo vivo, atravessado por festa, violência e contradições. Essa é a base de Frevo noir, livro de estreia do pernambucano Paulo André Souza, publicado pela Editora Mondru.

A obra reúne 16 contos que usam o Carnaval como metáfora para discutir desigualdade, crime e existência, em uma proposta que dialoga diretamente com o cinema urbano de Kleber Mendonça Filho.

Recife além do cartão-postal

Aqui, a cidade não é cenário, mas força dramática. O Recife pulsa entre modernização e ruína, onde o frevo convive com tensão constante.

O autor constrói narrativas em que personagens transitam entre festa e fuga, refletindo um ambiente marcado por desigualdades profundas. Crimes, paixões e mistérios surgem como extensões desse contexto.

Noir brasileiro com viés existencial

A proposta vai além da literatura policial clássica. Frevo noir se posiciona como um thriller social, explorando temas como:

  • solidão
  • segregação racial
  • sensação de insegurança
  • punitivismo

A linguagem mistura coloquialidade com construção imagética, criando um estilo que o próprio autor define como “fantasia realista”, com toques de realismo fantástico.

Referências e influências

O livro incorpora elementos da cultura pop e da literatura, citando nomes como Machado de Assis, Rubem Fonseca, Hilda Hilst e Friedrich Nietzsche.

Também há ecos musicais, de Luiz Gonzaga a Chico Science & Nação Zumbi, além de influência estética de diretores como Alfred Hitchcock e Quentin Tarantino.

Estrutura e proposta narrativa

Os contos são divididos em quatro partes, chamadas de “Pulsação 1 a 4”. A obra alterna momentos de tensão, ironia e reflexão filosófica, com destaque para diálogos bem construídos e situações-limite.

O Carnaval aparece sob uma ótica menos romantizada. Em vez de celebração pura, surge como contraste entre privilégio e abandono, onde a mesma festa que protege alguns expõe outros.

Primeiro passo de uma trilogia

A ideia é que Frevo noir seja o início de uma trilogia. O conto, segundo o autor, foi escolhido por permitir explorar múltiplas possibilidades narrativas e questionamentos existenciais.

Onde comprar

O livro está disponível no site da Editora Mondru e também pode ser adquirido diretamente com o autor.

Com atmosfera densa e olhar urbano, Frevo noir transforma o Recife em protagonista de histórias onde festa e violência coexistem, propondo um noir brasileiro que dialoga com a realidade contemporânea.

Giuliano Peccilli
Giuliano Peccillihttp://www.jwave.com.br
Editor do JWave, Podcaster e Gamer nas horas vagas. Também trabalhou na Anime Do, Anime Pró, Neo Tokyo, Nintendo World e Jornal Nippon Já.

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