Quatro décadas após seu lançamento, A Hora da Estrela voltou a ganhar destaque dentro e fora do Brasil. O clássico dirigido por Suzana Amaral foi um dos filmes escolhidos para representar o país na Mostra de Cinema Brasileiro, realizada durante o 28º Festival Internacional de Cinema de Xangai, e também se tornou o título mais assistido da plataforma gratuita Tela Brasil desde sua estreia, no fim de maio.
Baseado na obra homônima de Clarice Lispector, o longa acompanha Macabéa, jovem nordestina interpretada por Marcélia Cartaxo que tenta reconstruir a vida em São Paulo após perder a única pessoa da família.
Um clássico que atravessa gerações
Lançado em 1985, A Hora da Estrela foi um dos filmes brasileiros mais premiados de sua época. A produção conquistou seis troféus no Festival de Brasília, incluindo Melhor Filme e Melhor Direção, além de render a Marcélia Cartaxo o Urso de Prata de Melhor Atriz no Festival de Berlim.
O longa também representou o Brasil na disputa por uma vaga no Oscar de 1986 e, recentemente, passou por um processo de restauração antes de retornar aos cinemas pelo projeto Sessão Vitrine Petrobras.
Em 2026, a Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema) incluiu a obra entre os 100 filmes mais importantes da história do cinema brasileiro.
Cinema brasileiro em destaque na China
Na mostra realizada em Xangai, A Hora da Estrela foi o único título clássico entre os nove filmes brasileiros selecionados para a programação, ao lado de produções contemporâneas como Papaya, Feito Pipa, O Deserto de Luiza e Herança de Narcisa.
Para Marcélia Cartaxo, a presença do filme em um dos principais festivais asiáticos reforça sua permanência no imaginário do público.
“O filme entrou para a história e continua atual. Fico feliz que o público chinês tenha a oportunidade de conhecer essa obra, mesmo tantos anos depois de sua estreia”, afirmou a atriz.
Novo público
Além da exibição internacional, o desempenho de A Hora da Estrela na plataforma Tela Brasil mostra que o longa continua encontrando novas gerações de espectadores. O interesse renovado reforça a importância da obra, considerada uma das adaptações mais marcantes da literatura brasileira para o cinema.

