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Crítica | Acertando no tom, mas sem o mesmo brilho, Moana encanta em live-action

Com Catherine Laga'aia e Dwayne Johnson, a Disney entrega uma adaptação visualmente encantadora, embora segura demais para superar o clássico de 2016.

Quando Moana chegou aos cinemas em 2016, ela veio em uma época em que a Disney havia reencontrado os trilhos depois do sucesso estrondoso de Frozen. Passados apenas dez anos, a animação ganha sua versão em live-action, na sequência do sucesso de Lilo & Stitch.

Mas essa adaptação realmente faz sentido? Depois de uma série de releituras dos clássicos da Disney, quanto mais recente é a obra adaptada, menos mudanças “necessárias” ela sofre. Moana já nasceu em uma fase em que as protagonistas não precisavam de um par romântico para viver um “felizes para sempre”, enquanto suas músicas se aproximavam muito mais dos grandes musicais da Broadway do que das animações clássicas do estúdio.

Mesmo assim, ver Catherine Laga’aia interpretando Moana e o retorno de Dwayne Johnson como Maui mostram que qualquer desconfiança inicial sobre uma adaptação tão recente perde força rapidamente. O elenco carismático, aliado aos cenários exuberantes, mostra que a transição para o live-action acabou sendo um acerto.

Mas será que a Disney realmente acertou nesta nova adaptação?

A história

Conhecemos a lenda da deusa Te Fiti, responsável por criar toda a vida. Um dia, o semideus Maui rouba a pedra que guarda seu coração para entregá-la aos humanos, mas acaba sendo atacado pelo monstruoso Te Ka.

Mil anos depois, conhecemos Moana, uma jovem que sempre foi fascinada pelo mar. Futura líder de sua tribo, ela é constantemente impedida pelo pai de se aproximar do oceano. Ao descobrir, por meio de sua avó, que seu povo já foi formado por grandes navegadores e que o desaparecimento do coração de Te Fiti trouxe o desequilíbrio ao mundo, ela decide partir em uma jornada para restaurar a harmonia.

Enquanto isso, sua ilha começa a sofrer com a escassez de peixes, os coqueiros deixam de dar frutos e fica claro que algo está profundamente errado.

É aí que Moana parte em busca de Maui para convencê-lo a devolver o coração de Te Fiti. No caminho, os dois ainda precisarão recuperar o lendário anzol do semideus antes de enfrentar a jornada final.

Vale a pena?

Por adaptar uma animação lançada há apenas dez anos, o live-action é extremamente fiel ao material original e entrega exatamente aquilo que o público espera. Diferentemente de produções como Aladdin e A Bela e a Fera, aqui a proposta é praticamente recriar a animação cena por cena, preservando sua essência.

Se, por um lado, essa fidelidade agrada aos fãs, por outro, pode gerar certa frustração em quem esperava novidades ou uma abordagem diferente para justificar a existência do remake.

Ainda assim, Moana funciona muito bem como uma nova porta de entrada para quem nunca assistiu à animação ou simplesmente prefere filmes em live-action. Embora não supere o original, encontra seu espaço justamente por apresentar essa história a um novo público.

Catherine Laga’aia surpreende no papel principal e entrega uma Moana segura, carismática e cheia de personalidade, sem ficar na sombra do carismático Maui de Dwayne Johnson.

Por sua vez, Johnson reprisa o personagem com naturalidade. Muito se comentou sobre a aparência de Maui durante a produção, especialmente sua cabeleira, mas devo confessar que o ator entrega um personagem bastante divertido e fiel à animação. Destaque também para as tatuagens animadas, que continuam sendo um espetáculo à parte e podem até indicar um caminho semelhante caso a Disney leve Hércules para o live-action no futuro.

Outro destaque fica para a recriação das ilhas da Polinésia. As belas paisagens ajudam a dar identidade ao filme e cumprem papel semelhante ao que Lilo & Stitch fez ao transformar o Havaí em um dos grandes atrativos da produção.

Quando o assunto é computação gráfica, há momentos em que os efeitos visuais dominam completamente a cena, reforçando justamente por que a história nasceu como uma animação. Enquanto o oceano ganha vida de forma convincente e se torna um dos destaques do filme, os monstros acabam destoando do restante da produção. Em diversas cenas, eles quebram a imersão e fazem lembrar que determinadas sequências continuam funcionando melhor na animação do que no live-action.

Como musical, é impossível não destacar o trabalho de Lin-Manuel Miranda. As músicas continuam sendo um dos maiores pontos fortes da obra e funcionam muito bem na adaptação para o live-action. Ver “Saber Quem Sou” e “De Nada” ganhando vida nas telonas já vale o ingresso e, ao longo da sessão, é difícil não imaginar como um futuro live-action de Encanto poderia aproveitar essa mesma abordagem.

Moana continua sendo uma grande aventura, seja na animação ou agora em live-action. O filme emociona, diverte e mostra mais uma vez aquilo que a Disney sabe fazer de melhor: criar histórias capazes de encantar diferentes gerações. Mesmo sem alcançar o brilho da obra original, entrega um espetáculo que merece ser visto na tela grande.

Ficha técnica

  • Nota: 4,5 (de 5)
  • Título: Moana
  • Direção: Thomas Kail
  • Roteiro: Jared Bush e Dana Ledoux Miller
  • Elenco: Catherine Laga’aia, Dwayne Johnson, John Tui, Rena Owen e Frankie Adams
  • Gênero: Aventura, musical
  • Duração: 115 minutos
  • Música: Mark Mancina e Lin-Manuel Miranda
  • Produção: Walt Disney Pictures e Seven Bucks Productions
  • Distribuição: Walt Disney Studios Motion Pictures
  • Estreia no Brasil: 9 de julho de 2026
Giuliano Peccilli
Giuliano Peccillihttp://www.jwave.com.br
Editor do JWave, Podcaster e Gamer nas horas vagas. Também trabalhou na Anime Do, Anime Pró, Neo Tokyo, Nintendo World e Jornal Nippon Já.

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