InícioCoberturasAsian Kung-Fu Generation retorna ao Brasil após nove anos e encerra o...

Asian Kung-Fu Generation retorna ao Brasil após nove anos e encerra o Anime Friends 2026 em noite histórica | Cobertura de Show

Nove anos podem parecer muito tempo para qualquer banda. Para o público brasileiro do Asian Kung-Fu Generation, foram nove anos de expectativa desde a última passagem do quarteto pelo país. O reencontro aconteceu no palco do Anime Friends 2026 e não poderia ter escolhido um momento melhor: a banda responsável por algumas das músicas mais marcantes da história dos animês encerrou a maior edição já realizada do festival celebrando três décadas de carreira.

A última visita ao Brasil aconteceu em 2017, em uma fase diferente do Anime Friends. Desde então, o evento cresceu, se transformou e alcançou um novo patamar. O retorno do Asian Kung-Fu Generation acompanhou essa evolução, fechando justamente a edição mais ambiciosa da história do festival e colocando novamente milhares de fãs frente a frente com uma das bandas mais importantes do rock japonês.

Três décadas que ajudaram a apresentar o J-rock ao mundo

ASIAN KUNG-FU GENERATION – 2026 Crunchyroll Anime Awards Music Performer_

Formado em Yokohama, em 1996, por Masafumi Gotoh, Kensuke Kita, Takahiro Yamada e Kiyoshi Ijichi, o Asian Kung-Fu Generation construiu uma carreira que ultrapassou o universo do rock alternativo japonês. Ao longo de 30 anos, o quarteto lançou álbuns que se tornaram referência no gênero, realizou turnês internacionais e consolidou uma identidade musical que mistura melodias marcantes, guitarras intensas e letras carregadas de emoção.

No Brasil, porém, a relação com a banda nasceu principalmente por meio dos animês. Suas músicas acompanharam diferentes gerações de fãs e ajudaram a popularizar o J-rock no país. Haruka Kanata e Blood Circulator marcaram fases distintas de Naruto, enquanto Rewrite ficou eternizada como uma das aberturas mais lembradas de Fullmetal Alchemist. After Dark embalou Bleach, Re:Re: voltou aos holofotes ao abrir Erased, e Soredewa, Mata Ashita ganhou espaço como tema de Road to Ninja: Naruto the Movie. Mais do que sucessos isolados, essas canções transformaram o Asian Kung-Fu Generation em uma das bandas japonesas mais queridas pelo público brasileiro.

Uma viagem pela história da banda

Giuliano Peccilli

A abertura com JAM deixou claro que o Asian Kung-Fu Generation não preparou um show voltado apenas aos temas de animê. Logo vieram Senseless, After Dark e Soredewa, Mata Ashita, mostrando diferentes momentos da carreira do grupo. Mas bastaram os primeiros acordes de After Dark, eternizada em Bleach, para que a plateia respondesse em coro, provando que boa parte daquele público conheceu a banda justamente através das animações japonesas.

Giuliano Peccilli

Na sequência, Aru Machi no Gunjou, tema do filme Tekkon Kinkreet, Kimi no Machi Made, Life Is Beautiful e Solanin mostraram um repertório pensado para apresentar diferentes fases da trajetória do quarteto. Era um equilíbrio entre músicas conhecidas do grande público e faixas que ajudaram a consolidar a identidade musical da banda ao longo dos anos.

A reta final elevou ainda mais a energia do AF Festival. Rewrite transformou o Distrito Anhembi em um enorme coral, com milhares de vozes acompanhando cada verso da clássica abertura de Fullmetal Alchemist. Em seguida, Blood Circulator, de Naruto Shippuden, manteve o ritmo acelerado antes de Re:Re:, que voltou a conquistar uma nova geração de fãs ao embalar Erased.

Depois da apresentação dos integrantes e de Kimi to Iu Hana, muitos imaginavam que o show havia chegado ao fim. Mas o público ainda aguardava um último momento.

No encore, os primeiros acordes de Haruka Kanata bastaram para provocar uma das maiores reações de todo o Anime Friends 2026. A inesquecível segunda abertura de Naruto transformou o encerramento do festival em uma celebração coletiva, com milhares de pessoas cantando em japonês do começo ao fim. Era impossível não perceber quantas histórias pessoais estavam ligadas àquela música.

Uma mensagem que foi além da música

Giuliano Peccilli

Pouco antes do encerramento, Masafumi Gotoh resolveu conversar com o público. Arriscando algumas frases em português, perguntou, sorrindo, se havia conseguido falar corretamente no idioma e foi imediatamente recompensado com aplausos.

Na sequência, o vocalista lembrou da distância entre Brasil e Japão e refletiu sobre o significado daquele encontro.

“Quem pensaria que uma banda que começou 30 anos atrás do outro lado do planeta estaria aqui no Brasil, em São Paulo, cercada por tantas pessoas, recebendo tanta celebração? Muito obrigado. Estamos muito felizes.”

Antes de se despedir, Gotoh fez uma reflexão que deu um tom ainda mais especial ao encerramento do festival.

“Pelo mundo inteiro só temos desgraças, como as guerras. Mas estando aqui, todos unidos e nos divertindo, esperamos que vocês possam levar para casa um pedacinho dessa atmosfera boa, e possamos fazer o mundo melhor, pouquinho por pouquinho.”

O silêncio respeitoso durante suas palavras foi seguido por uma longa salva de aplausos, mostrando que, naquele momento, a conexão entre banda e público ultrapassava qualquer barreira de idioma.

Opinião

Giuliano Peccilli

O Asian Kung-Fu Generation não fez apenas o último show do Anime Friends 2026. A banda encerrou um festival que bateu recordes justamente com músicas que ajudaram a formar a memória afetiva de milhares de fãs brasileiros.

Durante quase três décadas, o quarteto apresentou o J-rock para gerações inteiras através dos animês. Muitos conheceram o grupo por Naruto, Bleach, Fullmetal Alchemist ou Erased, mas permaneceram acompanhando sua trajetória muito além dessas obras. O show mostrou exatamente isso e não era apenas uma sequência de músicas famosas.

O discurso de Masafumi Gotoh resumiu perfeitamente o espírito daquela noite. Enquanto falava sobre um mundo dividido por guerras e sonhava com dias melhores, milhares de brasileiros cantavam em japonês do outro lado do planeta. Poucos encerramentos poderiam representar tão bem o espírito do Anime Friends 2026.

Ao final, ficou a sensação de que a espera de nove anos valeu cada minuto. O festival terminou da melhor forma possível que é celebrando uma banda que ajudou a construir a relação entre o público brasileiro e a música japonesa, lembrando que algumas conexões simplesmente não envelhecem.

Setlist

  • JAM
  • Senseless
  • After Dark
  • Soredewa, Mata Ashita
  • Aru Machi no Gunjou
  • Kimi no Machi Made
  • Life Is Beautiful
  • Solanin
  • Korogaru Iwa, Kimi ni Asa ga Furu
  • Empathy
  • Skins
  • Kōya wo Aruke
  • Rewrite
  • Blood Circulator
  • Re:Re:
  • Kimi to Iu Hana

Encore

  • Haruka Kanata

Giuliano Peccilli
Giuliano Peccillihttp://www.jwave.com.br
Editor do JWave, Podcaster e Gamer nas horas vagas. Também trabalhou na Anime Do, Anime Pró, Neo Tokyo, Nintendo World e Jornal Nippon Já.

Leia também