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Crítica | O Fim da Rua traz a nostalgia dos anos 80 com gosto de Sessão da Tarde para os cinemas

Filme de David Robert Mitchell mistura ficção científica, terror e drama familiar em uma aventura que funciona melhor quando deixa a nostalgia de lado

Os anos 1980 foram marcados por filmes como E.T., Os Goonies, Cocoon, entre outros clássicos que caíram no gosto do público por abraçarem sem medo a ficção. É justamente nesse estilo que hoje o público reconhece mais produções como Stranger Things, e é nessa mesma lacuna de “filmes que não se fazem mais hoje em dia” que O Fim da Rua chega aos cinemas.

Dirigido por David Robert Mitchell, conhecido por trabalhos como Corrente do Mal e O Mistério de Silver Lake, o filme acompanha Denise Platt (Anne Hathaway), o marido Greg (Ewan McGregor) e os filhos Audrey e Brian diretamente em 1982. A família americana comum vive uma crise doméstica, com um casamento em cacos que tenta se manter de pé a todo custo.

E é justamente aqui que o fantástico acontece. Uma rua tranquila começa a ser palco de acontecimentos misteriosos, que vão de luzes intensas a pilhas de cocô misteriosas, desencadeando no desaparecimento de toda a região.

Um dia, depois de um clarão, Denise e Greg percebem que sua casa está sem luz. Com os dois filhos com medo, ambos decidem deixar as mágoas de lado enquanto dormem na sala, juntos, para superar esse estranho mistério.

Quando percebem que a luz não voltou e que estão sem água, os dois decidem investigar a região, percebendo que estão cercados por uma estranha floresta. Não só isso: estranhos dinossauros começam a surgir entre as casas, assustando os vizinhos e atacando alguns deles.

Sem saber como reagir, Denise e Greg inicialmente decidem se trancar em casa, utilizando qualquer madeira que encontram para bloquear as janelas e portas. Mas ambos sabem que aquilo é apenas uma solução paliativa e que não resolve o problema.

E é aqui que a trama permite que conheçamos melhor cada personagem. Temos uma Denise que deseja se tornar escritora e deposita todas as suas mágoas do casamento atual em seu futuro livro, enquanto Greg revela que estava fugindo de contar que foi demitido e fazendo bicos, como entregar pizza, justamente para manter a família de pé.

Dinossauros são apenas parte do problema

Literalmente o “fim da Rua” – Divulgação

Se O Fim da Rua leva a trama para o fantástico ao revelar que toda a rua foi transportada para o passado, é justamente a crise familiar e a necessidade de Denise e Greg se unirem para sair dali que torna as relações mais humanas.

É justamente aqui que ambos decidem investigar e entender o que aconteceu com a rua e se existe alguma forma de voltar para casa.

Mas será que é possível voltar no tempo?

Uma aventura com cheiro de cinema dos anos 80

Divulgação

O Fim da Rua é um filme que respira os anos 80 e traz, não só na fotografia, mas também em sua narrativa, uma forma de contar histórias que lembra muito Steven Spielberg. A referência a filmes como E.T. e Jurassic Park é clara, sendo uma grande surpresa nos cinemas.

Não me recordo de Anne Hathaway e Ewan McGregor atuando juntos, mas seus personagens funcionam muito bem. Por mais que reproduzam um passado, a discussão sobre o papel do casamento e a crise entre eles contextualiza e humaniza a família. Anne Hathaway entrega uma personagem forte e destemida, que sabe lutar quando for preciso, enquanto Ewan McGregor interpreta um personagem que pensa positivo e acredita que tudo dará certo e que a família voltará para casa.

Os personagens Audrey e Brian também trazem seu carisma, em especial Brian, que quer a todo custo salvar seu cachorro Starbuck. O que nos faz pensar se o cachorro, que some bem no começo desta aventura, não seja a chave para eles finalmente voltarem para casa.

Falando em efeitos visuais, o filme traz dinossauros bem diferentes dos de Jurassic Park, optando por uma visão mais atual dos animais pré-históricos, com criaturas que possuem penas e pelos, o que os torna ainda mais aterradores.

David Robert Mitchell consegue entregar um bom suspense, que nos faz ficar presos na cadeira, tentando entender o que realmente aconteceu ali.

Mas nem tudo são flores. Por mais que o filme tenha DNA de produção dos anos 80, temos que ser sinceros: eles exageram na mão. A violência gráfica, além dos corpos espalhados pelo caminho, torna o filme mais “real”, mas, ao mesmo tempo, nos distancia da sensação de estarmos diante de um filme com cara de antigo.

Divertido e com uma trama que traz seu próprio estilo, O Fim da Rua se foca na sobrevivência, trazendo apenas superficialmente a resposta para tudo aquilo ter acontecido. O que, sinceramente, até prefiro, já que evita explicações piegas, quando, na verdade, procuramos apenas a aventura.

Com uma trama absurda, mas simples como tem que ser, O Fim da Rua não reinventa o cinema e nem tenta ser Jurassic Park. Mas, com uma história tão absurda, não estranharia caso ele se tornasse uma franquia.

Ficha técnica

Nota JWave: 4 (de 5)

O Fim da Rua
Título original: The End of Oak Street
Direção: David Robert Mitchell
Roteiro: David Robert Mitchell
Elenco: Anne Hathaway, Ewan McGregor, Maisy Stella, Christian Convery, Jordan Alexa Davis e P. J. Byrne
Música: Michael Giacchino
Fotografia: Michael Gioulakis
Duração: 99 minutos
Gênero: Ficção científica, aventura, terror
País: Estados Unidos
Distribuição: Warner Bros. Pictures

Giuliano Peccilli
Giuliano Peccillihttp://www.jwave.com.br
Editor do JWave, Podcaster e Gamer nas horas vagas. Também trabalhou na Anime Do, Anime Pró, Neo Tokyo, Nintendo World e Jornal Nippon Já.

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