Em 2100, o ferro está em extinção e o Brasil se tornou Minera-Brazilis, um território marcado por ruínas industriais, conflitos e disputa pelos recursos naturais. É nesse cenário que se passa Sonhos Enferrujados, segundo livro de ficção do escritor sul-mato-grossense Eberson Terra, publicado pelo selo Neon, da Editora Buzz.
A história apresenta um mundo em que a ordem econômica foi reorganizada em torno de megacorporações de mineração, responsáveis pela exploração dos recursos restantes do planeta. No Brasil, essa realidade ganha contornos ainda mais extremos, misturando exploração mineral, territórios esquecidos e conflitos pela posse de terras.
A distopia parte de uma questão bastante atual: até onde a exploração dos recursos naturais pode avançar antes de comprometer o futuro?
Uma corrida contra a Ferrugem Celular
A protagonista é Janice Taylor, herdeira de um dos maiores impérios corporativos de mineração do mundo. Ela recebe uma missão aparentemente impossível: encontrar 400 quilos de ouro nas crateras do antigo Pará antes que a chamada Ferrugem Celular alcance o núcleo da Terra e elimine o que ainda resta de vida na superfície.
Para cumprir a tarefa, Janice precisa contar com Marcus Julius, ex-pirata condenado ao exílio e contrabandista de metais. Sobrevivente de um país destruído pela mesma corporação que Janice está destinada a comandar, ele representa uma perspectiva bastante diferente sobre o sistema que sustenta aquele mundo.
A narrativa usa esse conflito para explorar temas como exploração mineral, interesses corporativos, disputas territoriais e impactos ambientais.
Distopia inspirada no Brasil contemporâneo

Terra começou a escrever Sonhos Enferrujados em 2018, mas deixou o projeto de lado. Segundo o autor, acontecimentos como o rompimento da barragem de Brumadinho, o avanço das queimadas na Amazônia e a invasão de terras indígenas por garimpeiros contribuíram para que ele retomasse a história.
O livro também incorpora questões relacionadas ao interesse internacional pelas terras raras brasileiras, além de conflitos comerciais e possíveis sanções econômicas.
“Comecei a escrever este livro em 2018, mas deixei guardado”, explica Terra. “Nesse meio tempo vivemos os desastres da barragem de Brumadinho, o aumento significativo das queimadas na Amazônia e a invasão desenfreada de garimpeiros em terras indígenas.”
A obra é o segundo livro de ficção do autor. Antes, Terra publicou O Nome Dela é Luana, escrito em parceria com Gustavo Nascimento, que venceu o Prêmio Rubem Fonseca na categoria Narrativa Longa de Crime no VII Prêmio ABERST.
O escritor também possui trajetória na área de educação e publicou livros como Carreiras Exponenciais, pela Alta Books, e Manual Antichefe, pela Editora Buzz. Em Sonhos Enferrujados, ele utiliza a ficção científica e a distopia para transportar questões ambientais e econômicas do presente para um futuro em que suas consequências já se tornaram realidade.
Sonhos Enferrujados está disponível por R$ 69,90, publicado pelo selo Neon, da Editora Buzz.


