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O Canto da Floresta | Documentário premiado chega ao Festival de Cinema Francês do Brasil

Vencedor de dois prêmios César, filme de Vincent Munier acompanha três gerações de uma família em meio às florestas dos Vosges e à vida selvagem

Depois de levar mais de 1,3 milhão de espectadores aos cinemas franceses, O Canto da Floresta chega ao Brasil dentro da programação do 17º Festival de Cinema Francês do Brasil. O documentário de Vincent Munier será exibido entre 29 de outubro e 11 de novembro, em cinemas de diversas cidades brasileiras.

O filme chega ao festival com um currículo de peso: venceu o César de Melhor Filme Documentário e o de Melhor Som, além de conquistar o Prix Lumières de Melhor Música. A produção também recebeu uma menção especial na categoria Documentário na Festa del Cinema de Roma.

Para Munier, porém, a nova obra tem uma diferença importante em relação ao premiado A Pantera das Neves: desta vez, ele não precisou viajar para o outro lado do mundo.

Uma viagem pela floresta onde tudo começou

Em A Pantera das Neves, Munier partiu para o planalto tibetano em busca de um dos animais mais difíceis de encontrar na natureza. Em O Canto da Floresta, a jornada é muito mais pessoal.

O cineasta retorna às florestas dos Vosges, na França, região onde nasceu e desenvolveu ainda criança sua paixão pela fotografia de animais selvagens.

E ele não está sozinho. Munier percorre a região acompanhado pelo pai, Michel, e pelo filho, Simon, criando uma espécie de encontro entre três gerações ligadas pela observação da natureza.

Cervos, raposas, aves raras e linces fazem parte da busca, mas o verdadeiro foco está também naquilo que passa de uma geração para outra: o conhecimento sobre a floresta, a paciência para observar e a capacidade de simplesmente esperar.

Dez anos esperando a natureza acontecer

A produção de O Canto da Floresta foi construída ao longo de aproximadamente dez anos, principalmente nos arredores da fazenda onde Munier vive.

O documentário adotou uma abordagem bastante distante das grandes produções de natureza. Não foram utilizadas imagens compradas, reconstituições, drones ou animais domesticados. A equipe era reduzida e microfones foram posicionados pela floresta para registrar os sons naturais do ambiente.

Em diversas cenas, Munier estava sozinho.

Essa escolha combina com a própria filosofia do diretor, que trata a câmera quase como mais um animal dentro daquele ambiente. A ideia não é dominar a paisagem, mas permanecer nela até que alguma coisa aconteça.

A ave que desapareceu dos Vosges

Entre os animais procurados pela família está o tetraz-grande, espécie especialmente importante para a história de Michel e Vincent.

Foi observando essas aves que os dois aprenderam a permanecer imóveis e em silêncio durante horas. Michel chegou a passar mais de mil noites sob uma árvore para acompanhar o comportamento da espécie.

O tetraz-grande, entretanto, já não é encontrado nos Vosges.

Seu desaparecimento também transforma o documentário em uma reflexão sobre as mudanças sofridas pelo ecossistema. Munier relaciona o declínio da espécie ao aquecimento global, ao manejo industrial das florestas e ao aumento da presença humana.

Assim, a busca por animais que parecem cada vez mais difíceis de encontrar também se torna uma observação sobre aquilo que está desaparecendo.

Uma história sobre o que passa de pai para filho

A relação entre as três gerações é um dos elementos mais interessantes do filme.

Munier fotografou seu primeiro cervo aos 12 anos, escondido sob uma cobertura de camuflagem. Décadas depois, seu filho tinha a mesma idade durante as filmagens.

Mas a transmissão dessa paixão não significa necessariamente que Simon precise seguir os mesmos passos do pai e do avô. A ideia, segundo o diretor, é oferecer uma possibilidade — e deixar que o filho encontre seu próprio caminho.

É justamente nessa relação entre memória, natureza e passagem do tempo que O Canto da Floresta encontra sua identidade.

O filme será um dos destaques da programação do Festival de Cinema Francês do Brasil, que acontece de 29 de outubro a 11 de novembro de 2026, em cerca de 50 cidades brasileiras e aproximadamente 100 cinemas. A distribuição nacional do documentário fica por conta da Bonfilm.

Giuliano Peccilli
Giuliano Peccillihttp://www.jwave.com.br
Editor do JWave, Podcaster e Gamer nas horas vagas. Também trabalhou na Anime Do, Anime Pró, Neo Tokyo, Nintendo World e Jornal Nippon Já.

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