Vencedor do Prêmio Yomiuri em 2014, Mulher de prazer, romance da escritora japonesa Kiyoko Murata, será lançado no Brasil em 13 de outubro. Com tradução de Karen Kazue Kawana, o livro utiliza a trajetória de uma adolescente para abordar exploração, pobreza e as relações de poder enfrentadas pelas mulheres no Japão do início do século XX.
A história começa em uma vila de pescadores na ilha de Iojima, na antiga província de Satsuma, no sul do Japão. É de lá que Ichi Aoi, de apenas 15 anos, é retirada depois de ser vendida pelos próprios pais e levada para um bordel no distrito de prazeres de Kumamoto, em Kyushu.
Distante da vida que conhecia e cercada por regras que ainda não compreende, Ichi passa a viver na casa de prazer Shinonome, onde começa a ser preparada para trabalhar como cortesã. A partir da personagem, Murata constrói uma ficção histórica sobre um período no qual a pobreza levava famílias a vender suas próprias filhas e a exploração sexual de adolescentes era naturalizada pela sociedade.
Mulheres encontram na educação uma forma de resistência
Apesar da dureza de seu contexto histórico, Mulher de prazer não se concentra apenas na violência sofrida por Ichi. O romance acompanha as relações criadas entre as mulheres de Shinonome e as diferentes maneiras encontradas por elas para preservar algum grau de autonomia dentro de uma estrutura dominada pelo dinheiro e pelo poder masculino.
Uma figura importante nesse processo é Tetsuko, professora da Escola das Mulheres do Ofício. Ao ensinar as trabalhadoras a ler e escrever, ela apresenta a educação como uma possibilidade de ampliar a independência dessas mulheres. As aulas e os vínculos formados entre elas acabam conduzindo o grupo a um movimento de resistência dentro do próprio distrito de prazeres.
A relação de Ichi com a escrita também permite que Murata contraste sua nova realidade com as lembranças da comunidade de onde veio, especialmente das ama, mulheres que mergulhavam no mar em busca de algas e mariscos. Dessa forma, a autora aborda não apenas exploração e desigualdade, mas também memória, amizade, dignidade e sobrevivência.
Kiyoko Murata também venceu o Prêmio Akutagawa
Nascida em 1945, na província de Fukuoka, Kiyoko Murata iniciou sua carreira literária em 1977 e se tornou uma das escritoras japonesas reconhecidas por algumas das principais premiações literárias do país.
Em 1987, recebeu o Prêmio Akutagawa por Nabe no naka. A obra posteriormente serviu de inspiração para Rapsódia em Agosto, filme dirigido por Akira Kurosawa e lançado em 1991.
Murata também recebeu o Prêmio Yasunari Kawabata por Bocho, em 1998, e o Prêmio Noma por Kokyo no wagaya, em 2010. Em 2014, Mulher de prazer conquistou o Prêmio Yomiuri. A escritora foi ainda condecorada com a Medalha da Fita Púrpura e a Ordem do Sol Nascente, tornando-se membro da Academia de Artes do Japão em 2017.
Lançamento

Mulher de prazer
Autora: Kiyoko Murata
Tradução: Karen Kazue Kawana
Lançamento: 13 de outubro de 2026
Páginas: 320
Formato: 14 x 21 cm
Preço: R$ 88
ISBN: 978-85-7448-334-4


