Quando se fala em card games, Pokémon e Magic são alguns dos primeiros nomes que vêm à cabeça. Mas esse universo cresceu, ganhou novos públicos e hoje reúne também franquias como One Piece e Gundam. Foi justamente essa diversidade que encontramos na TCGCON 2026, realizada nos dias 12 e 13 de setembro, no State Innovation Center, na Vila Leopoldina, em São Paulo.
Estivemos no evento no domingo, dia 13, e encontramos uma convenção que entendeu muito bem o público que queria receber. Sem as dimensões das grandes convenções geeks da cidade, a TCGCON ocupou dois andares e aproveitou bem cada espaço, criando uma experiência que parecia maior conforme caminhávamos pelo local.
No térreo estavam o Artist Alley, palestras, campeonatos, lojas especializadas, quiz, Meet & Greet e até uma área de jogos antigos com a equipe do Canal 3. No andar superior, mais mesas recebiam jogadores durante todo o dia, acompanhadas por uma experiência de dublagem e pela praça de alimentação.

Outro detalhe que chamou nossa atenção foi o público. Havia muitos adolescentes e adultos, como seria esperado em uma convenção dedicada aos card games, mas também encontramos famílias inteiras e crianças que chegaram atraídas principalmente por Pokémon. Isso ajudava a criar um ambiente em que diferentes gerações compartilhavam o mesmo hobby.
E aí estava o principal acerto da TCGCON. Se em grandes eventos de cultura geek os card games muitas vezes ocupam apenas uma área dentro de uma programação muito maior, aqui eles eram os protagonistas.
Essa diferença ficava evidente no espaço principal. Partidas eram transmitidas em um enorme telão enquanto o público acompanhava as disputas dos dois andares. Com locução ao vivo e torcida reagindo às jogadas, uma partida de cartas ganhava clima de campeonato.
Ao lado ficava uma grande área reunindo lojas especializadas de diferentes partes do país. No centro, mesas permitiam que jogadores e colecionadores conferissem suas compras, organizassem decks, trocassem experiências e, principalmente, jogassem.
E não eram apenas cartas. Entre os produtos encontramos pelúcias oficiais de Pokémon e algumas peças mais raras vindas diretamente do Pokémon Center do Japão, mostrando como o colecionismo também fazia parte da experiência.
Yuka Morii fala sobre seu processo criativo

Uma das convidadas mais aguardadas da TCGCON 2026 foi a ilustradora japonesa Yuka Morii, conhecida por seu trabalho no Pokémon Trading Card Game.
Durante sua palestra no domingo, Morii falou sobre suas referências, seu processo criativo e o desejo de desenvolver artes originais. A artista é especialmente conhecida entre os fãs de Pokémon pela técnica de produzir figuras em argila e fotografá-las para criar as ilustrações utilizadas nas cartas.
A apresentação permitiu conhecer um pouco do trabalho por trás de cards que muitos dos presentes provavelmente já tiveram nas mãos em algum momento.
Depois da palestra, Morii seguiu para o Meet & Greet. Cerca de 150 pessoas aguardavam na fila para encontrá-la, deixando evidente a relação que seu trabalho construiu com os colecionadores brasileiros de Pokémon TCG.
Pokémon, games e animês ocupam o Artist Alley

Fora das mesas e das arenas, o Artist Alley mostrava que a TCGCON também tinha espaço para outras áreas da cultura geek.
Pokémon naturalmente aparecia com frequência entre os trabalhos disponíveis, mas não estava sozinho. Encontramos produtos e artes inspirados em diferentes franquias dos games, incluindo quadros de The Legend of Zelda, além de animês como Dragon Ball Z.

O domingo também teve concurso de cosplay, conduzido por Daniel Kuroda, em parceria com a revista Mundo OK. E, em um evento no qual Pokémon tinha tamanha presença, não poderiam faltar cosplayers de Ash, representando diferentes fases do personagem ao longo da animação.
Um evento feito para jogar

Talvez o que melhor defina a TCGCON estivesse no andar superior. Em vez de apenas circular entre estandes, comprar produtos e seguir para a próxima atração, muita gente simplesmente sentava em uma das mesas, abria seu deck e começava a jogar.
Confesso que ver tantas pessoas concentradas em suas partidas trouxe uma sensação nostálgica dos tempos de eventos como o Animecon, quando era comum encontrar grandes espaços dedicados a card games e RPG. Em convenções cada vez maiores e com programações disputando a atenção do visitante o tempo inteiro, encontrar novamente um espaço dedicado simplesmente a jogar foi uma surpresa positiva.
Outra experiência disponível era uma área de dublagem, na qual os visitantes podiam emprestar suas próprias vozes a cenas conhecidas, incluindo trechos de Pokémon.
A estrutura era complementada por uma pequena praça de alimentação, com opções como hot dog, milk shake e crepes. Aqui estava um dos pontos que poderiam melhorar em uma próxima edição. A pouca variedade provocou filas grandes em determinados momentos. Por outro lado, a área ficava mais afastada das principais atrações e não prejudicava a circulação pelo restante do evento.
Veredito


Em sua primeira edição, a TCGCON acertou principalmente ao entender o que queria ser. É um evento para comprar cards, encontrar amigos, conhecer artistas e colecionadores, mas, acima de tudo, sentar e jogar.
Não precisa ter o tamanho das grandes convenções geeks de São Paulo para funcionar. Na verdade, parte de seu charme está justamente na escala menor e na sensação de estar em um encontro criado por pessoas que conhecem aquele hobby.
Existem pontos que podem evoluir, principalmente na estrutura de alimentação, mas a experiência geral mostrou uma convenção organizada e com uma identidade clara.

No fim das contas, a TCGCON 2026 encontrou sua força justamente onde deveria: na comunidade. Em vez de transformar os card games em apenas mais uma atração, colocou jogadores, colecionadores e os próprios jogos no centro da experiência. Para uma primeira edição, é uma base bastante promissora para o evento continuar crescendo nos próximos anos.
Agradecimentos a TCGCON 2026 pela produção deste conteúdo


