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Monica Casagrande revisita passado e identidade no EP Tempestades

Projeto reúne três releituras e uma faixa inédita em sonoridade que cruza MPB, soul, eletrônica e percussão brasileira

O que uma música escrita anos atrás pode dizer sobre quem a compôs hoje? É a partir desse reencontro com o passado que Monica Casagrande constrói Tempestades, EP de quatro faixas que reúne três releituras de sua trajetória e uma composição inédita.

O projeto começou a tomar forma em 2019, quando a cantora e compositora convidou Iran Ribas e Raissa Spada para criarem novas leituras de suas músicas. O trabalho acabou atravessando suas próprias mudanças e foi retomado pelos três artistas seis anos depois, em 2025.

“São quatro músicas escritas em momentos diferentes, mas que, quando revisitadas hoje, revelam uma pergunta comum: o que permanece em nós quando a vida muda de lugar?”, explica Monica.

Essa ideia conecta canções que nasceram em períodos e circunstâncias diferentes, mas que agora são reunidas em torno de temas como memória, liberdade, despedidas e pertencimento.

Do passado para Tempestades

Entre as músicas revisitadas está Cárcere do Carcará, que nasceu de uma experiência de perda, afastamento e aprisionamento emocional. A imagem de uma ave associada à liberdade colocada dentro de um cárcere funciona como ponto de partida para questões relacionadas à identidade e ao desejo de partir.

Moça do Vestido Molhado, parceria com Vini Blanco, segue por outro caminho e trata do acolhimento e da vulnerabilidade a partir do encontro entre duas pessoas.

Já Segundo Ato do Novo recupera um momento importante da trajetória da artista. A composição nasceu quando Monica deixou a banda Sol a Pino para começar sua carreira solo e funciona como uma despedida de sua primeira casa artística em São Paulo.

A única composição inédita é justamente Tempestades, criada por Monica e Iran Ribas. A música contrapõe imagens como mato, maré, areia e chuva à presença de aviões, concreto e uma rotina marcada pela pressa.

“A tempestade, para mim, é aquilo que desloca. Ela muda a paisagem, altera rotas, interrompe planos e nos obriga a reorganizar referências”, conta a cantora.

Entre percussão brasileira e eletrônica

Musicalmente, o EP também procura estabelecer uma ponte entre diferentes momentos. Programações, sintetizadores, guitarras e violões dividem espaço com congas, atabaques, alfaia e outros elementos de percussão.

Iran Ribas participa com guitarras, baixos, sintetizadores, violões, programações e backing vocals, além de cuidar da gravação, edição, mixagem e masterização. Raissa Spada, integrante do Obinrin Trio, assina produção e arranjos e participa nas percussões e backing vocals.

Entre as referências apontadas para o trabalho estão Os Tincoãs, Clara Nunes e Ibeyi, principalmente pelo encontro entre vozes, ritmos, ancestralidade e elementos contemporâneos.

Radicada em Boston, Monica Casagrande já lançou projetos como Cárcere do Carcará, Encruza Miramar, Saudades Tropicais, Maré Bruta e Corpo Coral.

Tempestades já está disponível nas plataformas digitais.

Giuliano Peccilli
Giuliano Peccillihttp://www.jwave.com.br
Editor do JWave, Podcaster e Gamer nas horas vagas. Também trabalhou na Anime Do, Anime Pró, Neo Tokyo, Nintendo World e Jornal Nippon Já.

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