InícioEventosEXPOCINE debate como eventos, fãs e novas telas estão mudando o cinema
spot_img

EXPOCINE debate como eventos, fãs e novas telas estão mudando o cinema

Primeiro dia do evento discutiu festivalização de conteúdo, comportamento do público e formatos premium, além de receber apresentações de grandes distribuidoras

O cinema não disputa mais a atenção do público apenas com outros filmes. Streaming, redes sociais, games, shows e grandes eventos passaram a fazer parte da mesma briga pelo tempo do espectador. Foi a partir dessa transformação que a EXPOCINE 2026 abriu sua programação nesta quarta-feira, 30 de setembro, em São Paulo.

A 13ª edição começou com a abertura da Feira de Negócios e uma programação de painéis e oficinas espalhada entre o Espaço Center 3 de Eventos e o Cine Marquise, na Avenida Paulista.

O primeiro dia também recebeu apresentações dos line-ups 2026 e 2027 de Sato Company, Warner Bros., Retrato Filmes, Universal Pictures, O2 Play e Sony Pictures.

Mas uma das discussões que atravessou a programação foi justamente como fazer o público continuar interessado em ir ao cinema diante de tantas outras opções de entretenimento.

Eventos viraram parte do lançamento de filmes

O painel Festivalização de Conteúdo: CCXP, Ghibli Fest e Rio2C Escrevem o Novo Manual de Lançamento discutiu como eventos deixaram de funcionar apenas como vitrines para conteúdos prontos e passaram a integrar a própria estratégia de lançamento.

Participaram da conversa Cris Barreto, do Rio2C, Otávio Juliato, da Omelete Company, Victor Sato, da Sato Company, e Pedro Curi, da ESPM Rio.

Criada em 2014, a CCXP apareceu como um dos exemplos dessa transformação. O evento reúne cerca de 120 marcas por edição e se tornou um espaço utilizado por estúdios e plataformas para apresentar trailers, elencos e novos projetos diretamente aos fãs.

Para Cris Barreto, essa mudança também alterou a maneira como uma produção encontra sua audiência. Em vez de desenvolver, produzir e somente depois começar a divulgação, comunidades e criadores de conteúdo podem participar da conversa enquanto uma propriedade ainda está sendo construída.

Cinema precisa olhar para além da própria sala

Essa busca pelo público também apareceu no painel principal da edição, Tela Aberta: Cinema que se move por si só.

Com Adriana Barbosa, José Octávio Freitas, Marcos Saraiva e Maria Carlota Bruno, a conversa passou pela combinação entre identidade cultural, nostalgia, criatividade e modelos de negócio para ampliar o alcance do cinema brasileiro.

José Octávio Freitas, diretor de programação da Cinemark, chamou atenção justamente para a concorrência que acontece fora do próprio mercado cinematográfico. Para ele, entender a rotina e os interesses do consumidor passou a ser essencial para encontrar novas formas de engajamento.

O primeiro dia ainda levou essa discussão para dentro das próprias salas. Representantes da IMAX, Dolby Laboratories e Neolux participaram do painel Telas em Disputa, dedicado aos formatos premium e às tecnologias utilizadas para criar experiências diferentes para o público.

Com o tema Tela Aberta: Cinema Que Se Move Por Si Só, a EXPOCINE 2026 segue discutindo a convivência entre salas de cinema, streaming e novas janelas de distribuição dentro de um mercado cada vez mais conectado.

Giuliano Peccilli
Giuliano Peccillihttp://www.jwave.com.br
Editor do JWave, Podcaster e Gamer nas horas vagas. Também trabalhou na Anime Do, Anime Pró, Neo Tokyo, Nintendo World e Jornal Nippon Já.

Veja também