Águia atrevida, onça vaidosa, sardinha sem papas na língua e até um papagaio poliglota. Em Abichedário, são os animais que tomam conta das letras para transformar o aprendizado do alfabeto em uma brincadeira com palavras.
O livro de Antonio Carlos Secchin, com ilustrações de Andrea Ebert, chega pelo selo infantil Rocquinho apostando em rimas, trocadilhos e diferentes bichos para aproximar as crianças das letras e da leitura.
A proposta está no próprio título, que mistura “abecedário” e “bicho”. A partir daí, cada letra reserva um novo encontro com os animais e com as possibilidades da língua portuguesa, construindo praticamente um zoológico ao longo do alfabeto.
Em vez de apresentar as letras apenas como um exercício de memorização, o livro utiliza o humor e a poesia para estimular a descoberta das palavras durante uma fase importante da alfabetização.
Um alfabeto cheio de bichos
Membro da Academia Brasileira de Letras, Antonio Carlos Secchin leva para o público infantil uma trajetória marcada pela poesia. Entre seus trabalhos estão Todos os ventos, de 2002, Desdizer, de 2017, e Desmentir, lançado em 2026. O autor também já havia colocado um animal no centro de outra história ao escrever sobre um galo gago.
As ilustrações são de Andrea Ebert, que descobriu ter dislexia aos 30 anos e começou a trabalhar com ilustração no mesmo período. Com mais de 40 livros ilustrados, ela levou essa experiência para Abichedário, trabalhando detalhes visuais pensados para tornar a leitura mais inclusiva e divertida.
E existe ainda uma pequena brincadeira escondida nas páginas. Ebert incluiu nas ilustrações um animal que não aparece no texto de Secchin, convidando as crianças a descobrirem qual é. A única pista revelada pela ilustradora é que o nome do bicho, em tupi, significa “nariz pontudo”.

Abichedário chega pelo selo Rocquinho, da Rocco, com 48 páginas, ilustrações de Andrea Ebert e preço sugerido de R$ 69,90.


