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O Bosque Selvagem estreia nos cinemas com animação ambiciosa da LAIKA

Dirigido por Travis Knight, novo filme do estúdio de Coraline chega ao Brasil em 29 de outubro e reúne mais de mil profissionais em uma produção de 16 anos

O Bosque Selvagem, nova animação em stop-motion da LAIKA, estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, 29 de outubro de 2026, com distribuição da Imagem Filmes. Dirigido por Travis Knight, responsável por Kubo e as Cordas Mágicas, o longa adapta o livro de Colin Meloy e representa o projeto de maior escala já realizado pelo estúdio de Coraline e o Mundo Secreto.

Desenvolvido ao longo de 16 anos, o filme combina fantasia, aventura e temas como amor, luto e relações familiares. A produção mobilizou mais de mil profissionais e utilizou centenas de bonecos, cenários construídos à mão e técnicas de animação quadro a quadro.

Segundo os dados divulgados pela distribuidora, O Bosque Selvagem chega ao Brasil com 100% de aprovação da crítica no Rotten Tomatoes e média de 4,5 de 5 no Letterboxd. Os índices refletem a recepção registrada até o momento e podem mudar conforme novas avaliações forem publicadas.

Qual é a história de O Bosque Selvagem?

Baseado no livro de Colin Meloy, ilustrado por Carson Ellis, O Bosque Selvagem acompanha Prue McKeel, uma adolescente que vê seu irmão mais novo ser levado por um bando de corvos.

Determinada a resgatá-lo, ela parte em direção à Floresta Impenetrável, uma região encantada escondida nos arredores de Portland, no estado norte-americano do Oregon.

Durante a jornada, Prue recebe a ajuda de Curtis Mehlberg, um colega de escola que acaba envolvido na aventura.

Juntos, os dois encontram animais falantes, grupos de bandidos e personagens que disputam o controle da floresta.

A busca pelo irmão coloca Prue no centro de um conflito que ameaça o equilíbrio daquele mundo e a obriga a enfrentar situações que vão muito além de sua missão inicial.

Na versão brasileira, Giulia Benite interpreta Prue, enquanto Pedro Burgarelli dá voz a Curtis.

Fantasia aborda amor, perda e obsessão

Embora apresente elementos tradicionais das histórias de fantasia, O Bosque Selvagem também explora questões relacionadas ao luto e às consequências das escolhas feitas em nome do amor.

Uma das principais personagens desse conflito é Alexandra, conhecida como Governadora Viúva.

Após perder o filho, ela passa a buscar uma maneira de reverter a morte, mesmo que isso signifique colocar outras vidas em risco.

A personagem representa um dos temas centrais da animação: como o desejo de proteger ou recuperar alguém pode se transformar em obsessão.

“O luto pode fazer o impossível parecer negociável”, afirma o diretor Travis Knight, ao comentar as motivações da personagem.

A história também apresenta diferentes figuras que ajudam a construir o universo da floresta, incluindo Brendan, líder dos Bandidos; a General, comandante do Principado Aviário; e Septima, uma personagem que utiliza a esperteza para sobreviver.

Entre os demais integrantes desse universo estão a guerreira Niamh, o Corujão Rei, a sábia Iphigenia e outros habitantes que participam dos conflitos da região.

LAIKA levou 16 anos para desenvolver a animação

A adaptação de O Bosque Selvagem começou a ser planejada muitos anos antes de sua chegada aos cinemas.

Segundo a produção, Travis Knight teve contato com o manuscrito de Colin Meloy ainda durante o desenvolvimento do livro e demonstrou interesse em transformar a história em animação.

Entretanto, a dimensão do universo apresentado exigia recursos técnicos que o estúdio ainda precisava desenvolver.

O projeto amadureceu enquanto a LAIKA trabalhava em outras produções, como ParaNorman, Os Boxtrolls, Kubo e as Cordas Mágicas e Link Perdido.

Os storyboards começaram a ser desenvolvidos em 2018, enquanto a pré-produção teve início em 2020. As filmagens começaram oficialmente em 2021.

Ao todo, foram 231 semanas de produção, com a participação de mais de mil artistas, técnicos e profissionais de diferentes áreas.

O roteiro foi escrito por Travis Knight e Chris Butler, que já havia trabalhado em outras animações do estúdio.

Produção utilizou mais de 142 mil rostos para os personagens

Um dos principais diferenciais de O Bosque Selvagem está na escala de sua animação em stop-motion.

A técnica utiliza bonecos e cenários físicos fotografados quadro a quadro para criar a impressão de movimento.

Para representar expressões faciais, a LAIKA emprega rostos substituíveis, produzidos individualmente e trocados durante a animação.

Em O Bosque Selvagem, foram criados 142.030 rostos, superando os aproximadamente 106 mil utilizados em Link Perdido.

O filme também conta com 233 bonecos e 132 cenários práticos, utilizados para representar 117 locações.

A versão final reúne 2.804 planos.

Entre os números divulgados pelo estúdio, destacam-se:

  • 142.030 rostos substituíveis: utilizados para representar as expressões dos personagens.
  • 233 bonecos: construídos para dar vida aos habitantes da história.
  • 132 cenários físicos: utilizados para representar 117 locações.
  • 728 árvores artesanais: produzidas para recriar espécies encontradas no noroeste do Pacífico.
  • 112 palcos de filmagem: distribuídos por uma área superior a 14.400 m².
  • 67 planos com lágrimas visíveis: um desafio técnico para a animação dos personagens.

Uma única cena exigiu 1.124 rostos substituíveis, sendo 555 para Prue e 569 para Curtis. Segundo a LAIKA, trata-se de um recorde para um único plano em stop-motion.

A produção também apresenta personagens de tamanhos bastante diferentes. O menor boneco, Mini Septima, mede apenas 4,1 centímetros, enquanto a General possui 1,63 metro de envergadura.

Cada boneco da General conta com 3.794 penas colocadas individualmente.

Fotografia e trilha sonora reúnem nomes premiados

Para a direção de fotografia, Travis Knight convidou Caleb Deschanel, profissional com seis indicações ao Oscar e uma carreira construída principalmente em produções com atores.

O trabalho em O Bosque Selvagem marca sua estreia na animação em stop-motion.

A trilha sonora é assinada por Dario Marianelli, vencedor do Oscar por Desejo e Reparação e responsável pelas músicas de Kubo e as Cordas Mágicas e Os Boxtrolls.

O visual dos personagens foi desenvolvido por uma equipe liderada por Thibault Leclercq, enquanto Deborah Cook ficou responsável pelos figurinos em miniatura.

A direção de arte de Nelson Lowry utiliza referências de Portland, cidade onde a LAIKA está sediada, para construir os ambientes da animação.

Brasileiros participaram da produção de O Bosque Selvagem

A equipe internacional do longa também contou com profissionais brasileiros.

Um deles é Thiago Calçado, animador especializado em stop-motion que já havia trabalhado com Travis Knight em Kubo e as Cordas Mágicas.

Ao longo da carreira, Calçado participou de produções como Ilha dos Cachorros, de Wes Anderson, e Pinóquio, de Guillermo del Toro.

Neste último, trabalhou como animador sênior e foi responsável pela animação da personagem Morte.

Seu currículo também inclui A Fuga das Galinhas: A Ameaça dos Nuggets, além de projetos brasileiros como Minhocas e a série Sol em Dó Ré Mi.

Outro brasileiro envolvido em O Bosque Selvagem é Marcelo Amp, especialista em moldagem e fundição de silicone.

Ele integrou a equipe de efeitos especiais e trabalhou na criação da pele dos bonecos, etapa importante para garantir a aparência dos personagens e a flexibilidade necessária à animação.

Amp também participou de produções brasileiras como Morto Não Fala, Reza a Lenda e Exterminadores do Além Contra a Loira do Banheiro.

Travis Knight destaca o trabalho artesanal da LAIKA

Apesar da complexidade técnica, Travis Knight afirma que o objetivo da produção não é apenas impressionar o público com a quantidade de trabalho envolvida.

Para o diretor, a animação artesanal deve servir à narrativa e às emoções dos personagens.

“Nosso filme foi feito à mão, um quadro por vez, e acredito que o público consegue sentir essa presença humana na imagem”, afirma Knight.

A proposta do cineasta é utilizar os recursos desenvolvidos pela LAIKA para construir um universo que pareça vivo, permitindo que o espectador se envolva com a história sem precisar pensar constantemente no processo de animação.

Com O Bosque Selvagem, o estúdio amplia a escala de suas produções e retorna aos cinemas com uma aventura que combina fantasia, personagens complexos e técnicas artesanais.

Quando estreia O Bosque Selvagem

O Bosque Selvagem estreia em 29 de outubro de 2026 nos cinemas brasileiros, com distribuição da Imagem Filmes.

Giuliano Peccilli
Giuliano Peccillihttp://www.jwave.com.br
Editor do JWave, Podcaster e Gamer nas horas vagas. Também trabalhou na Anime Do, Anime Pró, Neo Tokyo, Nintendo World e Jornal Nippon Já.

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