A 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo anunciou os vencedores de sua edição comemorativa na noite desta quinta-feira, 29 de outubro, durante uma cerimônia realizada no Teatro Cultura Artística, na capital paulista. O principal prêmio de ficção da Competição Novos Diretores ficou com Cinco Anos, Quatro Meses, de Esteban Hoyos García e Juan Miguel Gelacio, enquanto O Beija-Flor Pinta Canções Perfumadas, de Matteo Norzi e Èlia Gasull Balada, conquistou o reconhecimento de melhor documentário. A premiação também destacou produções brasileiras e internacionais escolhidas pelo público, pela crítica e por júris especializados.
O júri principal, formado pelos cineastas Boots Riley, dos Estados Unidos, Ali Asgari, do Irã, Cesar Augusto Acevedo, da Colômbia, e Laís Bodanzky, do Brasil, selecionou os vencedores entre os longas participantes da Competição Novos Diretores. A disputa reúne primeiros e segundos filmes que receberam destaque na votação popular durante a primeira semana do festival. Os premiados receberam o Troféu Bandeira Paulista, criado pela artista plástica Tomie Ohtake.
Ao justificar a escolha de Cinco Anos, Quatro Meses, o júri destacou a maneira como o filme acompanha a busca de uma mãe por seu filho desaparecido, abordando temas como luto, memória, fé e a necessidade de encontrar respostas. Para os jurados, a produção transforma uma realidade social dolorosa em uma narrativa sensível sobre a persistência da esperança diante da ausência e da incerteza.
Chicas Tristes e O Beija-Flor Pinta Canções Perfumadas se destacam na premiação
Entre os documentários, o principal reconhecimento ficou com O Beija-Flor Pinta Canções Perfumadas, dirigido por Matteo Norzi e Èlia Gasull Balada. O longa acompanha a pintora peruana Sara Flores e sua relação com a arte tradicional kené, explorando as tensões entre a preservação da cultura indígena e sua inserção no mercado internacional de arte. A obra também aborda questões ambientais relacionadas ao desmatamento, à extração ilegal de madeira e às transformações enfrentadas pelos povos originários da Amazônia. Além do prêmio do júri, o documentário conquistou a preferência do público na categoria de melhor documentário internacional.
Outro destaque foi Chicas Tristes, da cineasta mexicana Fernanda Tovar, que recebeu o prêmio de melhor direção. O júri ressaltou a sensibilidade com que a diretora retrata as experiências da adolescência, especialmente as relações afetivas, os conflitos pessoais e as expectativas de jovens diante de um mundo marcado por possibilidades e incertezas. O longa também foi escolhido como melhor filme internacional pelo júri da crítica, consolidando-se como uma das produções mais reconhecidas desta edição.
O Prêmio Especial do Júri foi concedido ao documentário Edward Said: Entre Mundos, de Maiken Baird. A produção revisita o pensamento e a trajetória do intelectual palestino Edward Said, conhecido por suas reflexões sobre cultura, política, identidade e as relações de poder entre o Ocidente e o Oriente. Na justificativa, os jurados destacaram a permanência de sua contribuição intelectual e a relevância de suas reflexões sobre os direitos do povo palestino, mais de duas décadas após sua morte.
Ryūsuke Hamaguchi conquista o público com O Sentido da Vida

Na votação popular, o cinema japonês esteve entre os destaques com O Sentido da Vida, de Ryūsuke Hamaguchi, escolhido como melhor filme de ficção internacional. O diretor japonês, conhecido por obras como Drive My Car e A Roda do Destino, recebeu o reconhecimento dos espectadores da Mostra, em uma premiação que também contemplou documentários e produções brasileiras.
Entre os filmes nacionais, Fernanda, dirigido por Pedro Waddington, venceu como melhor documentário brasileiro. Já na categoria de ficção, a preferência do público foi dividida entre Feito Pipa, de Allan Deberton, e 100 Dias, de Carlos Saldanha. A presença de Saldanha entre os premiados chama atenção pela trajetória do cineasta brasileiro na animação internacional, com trabalhos associados a produções como A Era do Gelo e Rio.
O júri da crítica também reconheceu o cinema brasileiro ao escolher Pequenas Tragédias, de Daniel Nolasco, como melhor filme nacional. A produção foi destacada por sua combinação de elementos autobiográficos, dramatização, humor e questões relacionadas à comunidade LGBTQIA+, além de uma identidade visual considerada marcante pelos críticos. O prêmio internacional da crítica, por sua vez, ficou com Chicas Tristes, ampliando o reconhecimento do longa de Fernanda Tovar.
Netflix e Projeto Paradiso premiam produções brasileiras

Entre os prêmios voltados ao fortalecimento da circulação audiovisual, Talismã, de Thais Fujinaga, conquistou o Prêmio Netflix. Entregue pelo quarto ano consecutivo, o reconhecimento é destinado a uma produção brasileira participante da Mostra que ainda não tenha contrato com um serviço de streaming. A escolha é realizada por uma comissão julgadora independente liderada pela plataforma, que adquire o filme vencedor para disponibilizá-lo em diferentes países.
O Prêmio Paradiso foi concedido a A Professora de Francês, de Ricardo Alves Jr., produção protagonizada por Grace Passô. O júri destacou a utilização de elementos do cinema de terror para abordar questões como controle psicológico, violência velada e homofobia. Diferentemente de uma premiação exclusivamente simbólica, o reconhecimento oferece apoio à distribuição comercial do filme nos cinemas, contribuindo para ampliar seu alcance junto ao público.
Na categoria de direção de arte, o 4º Prêmio BRADA foi entregue a O Julgamento de Hein, de Kai Stänicke. O reconhecimento valoriza o trabalho de construção visual da narrativa, especialmente a utilização dos cenários para representar uma comunidade marcada pela vigilância e pelo julgamento de seus integrantes. A premiação é organizada pelo BRADA, coletivo brasileiro de diretoras de arte que busca destacar a importância da criação visual no audiovisual.
A diversidade de narrativas também esteve presente na segunda edição do Prêmio Prisma Queer, dedicado à valorização da produção cinematográfica LGBTQIA+. Eu Planto Minha Mão no Jardim, de Boris Hadžija e Hoda Taher, foi escolhido como melhor filme internacional, enquanto London, de Victor Di Marco e Márcio Picoli, venceu entre as produções brasileiras. O Prêmio Especial do Júri ficou com A Paixão Segundo G.H.B., dirigido por Gustavo Vinagre e Viva Couto.
Além dos filmes premiados, a edição comemorativa homenageou profissionais de diferentes cinematografias. O cineasta Marco Bechis recebeu o Prêmio Humanidade, enquanto James Gray, Paulo Branco e S. S. Rajamouli foram reconhecidos com o Prêmio Leon Cakoff, distinção que leva o nome do fundador da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo.
Confira todos os vencedores da 50ª Mostra de Cinema de São Paulo

Prêmio do Júri | Melhor Ficção
Cinco Anos, Quatro Meses, de Esteban Hoyos García e Juan Miguel Gelacio.

Prêmio do Júri | Melhor Documentário
O Beija-Flor Pinta Canções Perfumadas, de Matteo Norzi e Èlia Gasull Balada.

Prêmio do Júri | Melhor Direção
Fernanda Tovar, por Chicas Tristes.
Prêmio Especial do Júri
Edward Said: Entre Mundos, de Maiken Baird.

Prêmio do Público | Melhor Documentário Brasileiro
Fernanda, de Pedro Waddington.


Prêmio do Público | Melhor Ficção Brasileira
Feito Pipa, de Allan Deberton, e 100 Dias, de Carlos Saldanha.
Prêmio do Público | Melhor Documentário Internacional
O Beija-Flor Pinta Canções Perfumadas, de Matteo Norzi e Èlia Gasull Balada.

Prêmio do Público | Melhor Ficção Internacional
O Sentido da Vida, de Ryūsuke Hamaguchi.

Prêmio da Crítica | Melhor Filme Internacional
Chicas Tristes, de Fernanda Tovar.

Prêmio da Crítica | Melhor Filme Brasileiro
Pequenas Tragédias, de Daniel Nolasco.

Prêmio BRADA | Melhor Direção de Arte
O Julgamento de Hein, de Kai Stänicke.

Prêmio Netflix
Talismã, de Thais Fujinaga.

Prêmio Paradiso
A Professora de Francês, de Ricardo Alves Jr.

Prêmio Prisma Queer | Melhor Filme Internacional
Eu Planto Minha Mão no Jardim, de Boris Hadžija e Hoda Taher.

Prêmio Prisma Queer | Melhor Filme Brasileiro
London, de Victor Di Marco e Márcio Picoli.

Prêmio Prisma Queer | Especial do Júri
A Paixão Segundo G.H.B., de Gustavo Vinagre e Viva Couto.
Prêmio Humanidade
Marco Bechis.
Prêmio Leon Cakoff
James Gray, Paulo Branco e S. S. Rajamouli.
A 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo contou com patrocínio master da Petrobras, patrocínio do Itaú e parcerias institucionais com o Sesc, a Spcine e a Prefeitura de São Paulo, além de apoio de diferentes instituições culturais e empresas do setor audiovisual. A edição também recebeu recursos do ProAC e da Lei Federal de Incentivo à Cultura.
Mais informações sobre os filmes participantes e a programação da Mostra estão disponíveis no site oficial do festival.


