O longa-metragem brasileiro Talismã, dirigido por Thais Fujinaga e protagonizado por Fernanda Chicolet, foi anunciado como vencedor da quarta edição do Prêmio Netflix durante a cerimônia de encerramento da 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, realizada nesta quinta-feira, 29 de outubro. Produzido no Rio Grande do Sul, o filme será licenciado pela plataforma para distribuição em mais de 190 países, com tradução para mais de 30 idiomas, ampliando a circulação internacional de uma produção independente que aborda as relações familiares, a maternidade solo e os conflitos entre sonhos pessoais e responsabilidades cotidianas.
A conquista representa uma oportunidade de projeção internacional para o cinema produzido fora do eixo Rio-São Paulo. Com produção da Vulcana Filmes, em coprodução com a Vitrine Filmes e a Syndrome Films, Talismã foi realizado no Rio Grande do Sul e apresenta uma narrativa centrada na relação entre uma mãe e sua filha, explorando as transformações provocadas pela participação da criança em um programa de talentos na televisão. O roteiro foi desenvolvido pela própria diretora em parceria com Fernanda Chicolet, que também interpreta a protagonista.
Criado em 2023, o Prêmio Netflix é destinado a longas-metragens brasileiros de ficção apresentados na Mostra de São Paulo que ainda não tenham uma janela de exibição definida no streaming. A iniciativa prevê o licenciamento da obra vencedora para o catálogo internacional da plataforma, permitindo que produções nacionais alcancem espectadores de diferentes regiões do mundo. Nesta edição, a escolha ficou a cargo de um júri formado por Barbara Adams, responsável pela área de Licenciamento da Netflix no Brasil, Eliane Vidal e a jornalista e crítica de cinema Flávia Guerra.
Para Barbara Adams, a escolha de Talismã está relacionada à maneira como o filme representa os vínculos familiares e as experiências da maternidade. A executiva destacou que a produção combina uma história profundamente ligada à realidade brasileira com temas capazes de estabelecer identificação com espectadores de diferentes países. Já Thais Fujinaga comemorou a possibilidade de levar um projeto independente a uma audiência internacional, ressaltando a importância do reconhecimento para produções realizadas fora dos principais centros da indústria audiovisual brasileira.
Talismã acompanha os desafios de uma mãe solo e os sonhos de sua filha
Na trama, Tereza é uma professora de dança que precisa conciliar o trabalho com a criação da filha pequena, Pina, contando apenas com o apoio de seu pai idoso. A rotina da família passa por uma transformação quando a menina é selecionada para participar de um reality show de talentos infantis, despertando expectativas sobre uma possível carreira artística e abrindo novas perspectivas para o futuro das duas. Enquanto Pina se dedica aos ensaios e sonha em chegar à final da competição, realizada no Rio de Janeiro, Tereza precisa lidar com as exigências impostas pela exposição da filha e com lembranças de seus próprios desejos e projetos interrompidos.
O envolvimento da criança com o universo televisivo também provoca reflexões sobre a relação entre pais e filhos, especialmente quando as ambições de uma nova geração acabam despertando frustrações e expectativas dos adultos. A narrativa acompanha esse processo de amadurecimento sem deixar de lado as dificuldades enfrentadas por mulheres que assumem praticamente sozinhas a responsabilidade pela criação dos filhos, conciliando necessidades financeiras, trabalho e vida familiar.
Ao situar a história no Rio Grande do Sul, a produção também contribui para ampliar a presença de diferentes regiões brasileiras no audiovisual nacional. A escolha de Talismã para o Prêmio Netflix reforça uma das propostas da iniciativa: proporcionar maior circulação a filmes independentes que, mesmo reconhecidos em festivais, nem sempre encontram caminhos para alcançar públicos numerosos no mercado de distribuição tradicional.
Prêmio Netflix já levou filmes brasileiros a diferentes países
Desde sua criação, em 2023, o Prêmio Netflix tem reconhecido produções brasileiras de diferentes regiões do país. O primeiro vencedor foi Saudade Fez Morada Aqui Dentro, dirigido pelo cineasta baiano Haroldo Borges. O longa recebeu dublagem em dez idiomas e legendas em outros 32, alcançando espectadores de países como França, Turquia, Hungria e República Tcheca. A experiência demonstrou como a distribuição internacional por streaming pode ampliar o alcance de histórias desenvolvidas em contextos regionais específicos.
Na segunda edição, realizada em 2024, o reconhecimento ficou com Serra das Almas, de Lírio Ferreira, produção ambientada no sertão pernambucano que já integra o catálogo da plataforma. Em 2025, o prêmio foi concedido a Virtuosas, da diretora catarinense Cíntia Domit Bittar, cujo lançamento no streaming está previsto para ocorrer após sua passagem pelos cinemas. Com a vitória de Talismã, a premiação chega ao quarto ano consecutivo destacando obras de diferentes estados brasileiros e contribuindo para a circulação internacional de produções independentes.
A escolha também acontece em um momento de maior visibilidade do cinema brasileiro no exterior, especialmente com o crescimento da presença de produções nacionais em festivais e plataformas internacionais. Embora a disponibilidade em streaming não substitua o circuito de salas de cinema, ela representa uma possibilidade adicional de distribuição para filmes que enfrentam dificuldades de acesso ao mercado comercial.
A Netflix ainda não anunciou a data em que Talismã será disponibilizado em seu catálogo. A plataforma confirmou, entretanto, que o longa será licenciado para mais de 190 países e traduzido para mais de 30 idiomas, permitindo que a história de Tereza e Pina alcance espectadores de diferentes culturas.


