O Museu do Café, localizado no Centro Histórico de Santos, preparou uma programação especial para o Mês da Consciência Negra, celebrado em novembro. Ao longo do mês, a instituição promove atividades culturais e educativas que abordam memória, ancestralidade, identidade e resistência, utilizando diferentes expressões artísticas para valorizar a contribuição da população negra à história brasileira.
Vinculado à Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, o museu busca ampliar o olhar sobre a história do café e sua relação com a formação social e econômica do país, incluindo a participação da população negra e as consequências da escravidão no desenvolvimento das cidades brasileiras.
A programação reúne exibições de filmes, oficinas de pintura e gravura, literatura e atividades voltadas ao público infantil, além de encontros que incentivam reflexões sobre representatividade e a preservação da memória afro-brasileira.
Cinema e arte apresentam diferentes perspectivas da história negra
Uma das atrações da programação é a exibição do curta-metragem Cores e Botas (2010), dirigido por Juliana Vicente, marcada para 7 de novembro, às 15h. A produção acompanha Joana, uma menina negra que sonha em se tornar Paquita durante os anos 1980, período em que o grupo de assistentes de palco ganhou popularidade na televisão brasileira.
A partir da história da protagonista, o filme aborda questões relacionadas ao racismo, à infância e à representatividade, mostrando como os padrões de beleza e as referências presentes na televisão podem influenciar os sonhos e a identidade de uma criança.
Após a sessão, o público poderá participar de um bate-papo sobre os temas apresentados. A atividade é indicada para pessoas a partir de 8 anos e exige inscrição prévia.
No dia seguinte, 8 de novembro, às 15h, acontece a Oficina de Vitral – Adinkras, que apresenta ao público um conjunto de símbolos de origem africana associados a ideias, valores e conhecimentos transmitidos entre gerações.
A atividade propõe reinterpretar elementos presentes na obra A Epopeia dos Bandeirantes, de Benedito Calixto, por meio da criação de pinturas em vitral, incentivando uma leitura crítica das narrativas coloniais e das diferentes formas de representar a história brasileira.
A programação começou em 1º de novembro com a oficina Postal da Memória – Ecos da Abolição, que utilizou a pintura em aquarela para explorar personagens e lugares de Santos relacionados à história da abolição da escravidão.
Rainha Nzinga e heroínas negras inspiram oficinas
No dia 14 de novembro, às 10h30, o museu recebe a atividade Teatro de Sombras e Oficina de Monotipia, que apresenta a história da Rainha Nzinga, uma das principais figuras de resistência à colonização portuguesa na região que corresponde atualmente a Angola.
Conhecida por sua atuação política e diplomática durante o século XVII, Nzinga tornou-se uma referência histórica de liderança e resistência africana. Sua trajetória será apresentada por meio de uma contação de histórias com teatro de sombras, seguida de uma oficina na qual as crianças poderão produzir imagens utilizando a técnica de monotipia.
A atividade permitirá experimentar a criação de impressões sobre tecido cru com tinta guache, aproximando o público infantil de uma linguagem artística que combina desenho, pintura e reprodução de imagens.
A literatura também ganha destaque em 22 de novembro, às 15h, com a oficina Cordel e Resistência: Oficina de Gravura e Narrativas de Heroínas Negras, inspirada no livro Heroínas Negras Brasileiras em 15 Cordéis, de Jarid Arraes.
A obra apresenta histórias de mulheres negras que participaram de diferentes momentos da formação do Brasil, utilizando a linguagem da literatura de cordel para recuperar trajetórias muitas vezes pouco conhecidas do público.
Após a leitura, os participantes poderão criar gravuras utilizando embalagens Tetra Pak como matrizes, explorando técnicas artísticas e refletindo sobre memória, ancestralidade e protagonismo feminino.
Fotografia e literatura completam a programação
Outra atividade acontece em 21 de novembro, às 15h, com a oficina O Café Tem Memória Negra, que propõe uma caminhada pelo Museu do Café e seu entorno para registrar imagens relacionadas à presença e à contribuição da população negra na história de Santos.
A proposta utiliza a fotografia como instrumento de observação e preservação da memória, incentivando os participantes a identificar referências históricas, personagens e espaços urbanos que ajudam a compreender a relação entre a economia cafeeira, o trabalho e a formação da cidade.
O passeio também procura ampliar a discussão sobre as narrativas históricas, destacando experiências e contribuições que nem sempre recebem a mesma visibilidade nos registros tradicionais.
Encerrando as atividades, em 28 de novembro, às 15h, será realizada a palestra Protagonismo Negro na Literatura Brasileira, dedicada à contribuição de escritores negros para a produção literária e cultural do país.
O encontro abordará obras, influências e conquistas desses autores, além de discutir sua participação em movimentos culturais e a importância da literatura na preservação de identidades e experiências sociais.
Com atividades distribuídas ao longo de novembro, o Museu do Café amplia sua programação cultural para além das exposições permanentes, utilizando o cinema, a literatura e as artes visuais como caminhos para discutir a história e a presença negra na sociedade brasileira.
A programação especial acontece durante o Mês da Consciência Negra de 2026, no Museu do Café, localizado no Centro Histórico de Santos. A instituição informa entrada temporariamente gratuita, enquanto algumas atividades exigem inscrição antecipada.
Serviço | Mês da Consciência Negra no Museu do Café
- 7 de novembro, às 15h: exibição do curta Cores e Botas e bate-papo sobre racismo, infância e identidade
- 8 de novembro, às 15h: Oficina de Vitral – Adinkras
- 14 de novembro, às 10h30: Teatro de Sombras e Oficina de Monotipia sobre a Rainha Nzinga
- 21 de novembro, às 15h: O Café Tem Memória Negra, oficina de fotografia e memória
- 22 de novembro, às 15h: Cordel e Resistência: Oficina de Gravura e Narrativas de Heroínas Negras
- 28 de novembro, às 15h: palestra Protagonismo Negro na Literatura Brasileira
Local: Museu do Café
Endereço: Rua XV de Novembro, 95, Centro Histórico, Santos (SP)
Funcionamento: terça-feira a sábado, das 9h às 18h, e domingo, das 10h às 18h, com fechamento da bilheteria às 17h
Entrada: temporariamente gratuita, segundo a organização
Inscrições: algumas atividades exigem cadastro antecipado
Informações: www.museudocafe.org.br


