O sonho de morar no Japão ganhou uma nova possibilidade para os brasileiros. No dia 24 de outubro, o Nikkey Palace Hotel, no bairro da Liberdade, em São Paulo, recebeu uma palestra gratuita sobre o Working Holiday, programa de intercâmbio cultural que permitirá a jovens brasileiros permanecer no Japão por até um ano, combinando turismo, estudos e trabalho remunerado. O encontro foi promovido pela JCR Business Turismo & Cruzeiros e pela WJapan, reunindo especialistas e interessados em compreender as oportunidades e os desafios dessa nova modalidade de visto.
Entre os participantes esteve Walter Yamada, CEO da WJapan e ex-presidente da Associação Brasil Nippo, que compartilhou sua experiência com o mercado japonês e abordou questões relacionadas ao trabalho, à moradia e à adaptação dos brasileiros à vida no país. A apresentação também trouxe orientações práticas sobre documentação, planejamento financeiro e aprendizado do idioma, além de abrir espaço para perguntas do público.
O programa foi estabelecido por um acordo bilateral entre Brasil e Japão, formalizado em 24 de julho de 2026, com início previsto para 1º de dezembro do mesmo ano. A principal novidade é a possibilidade de participação de brasileiros sem ascendência japonesa, ampliando as oportunidades de intercâmbio para jovens que desejam conhecer o país além de uma viagem turística tradicional.
O visto será emitido gratuitamente e permitirá a permanência por até 12 meses. Durante esse período, os participantes poderão viajar pelo Japão, estudar o idioma e exercer atividades remuneradas para complementar os recursos necessários à estadia. O turismo e a experiência cultural, entretanto, deverão continuar sendo os objetivos principais do programa.
Japonês não é obrigatório, mas pode ampliar as oportunidades

Uma das principais dúvidas esclarecidas durante a palestra foi a necessidade de conhecer o idioma japonês antes do embarque. Segundo as regras apresentadas, falar japonês não é obrigatório para solicitar o Working Holiday, mas o aprendizado pode fazer uma grande diferença na experiência de quem pretende permanecer no país por vários meses.
Os palestrantes apresentaram os níveis N5, N4 e N3 do Japanese Language Proficiency Test (JLPT), explicando como o conhecimento da língua pode influenciar atividades cotidianas e oportunidades profissionais.
O nível N5 oferece uma base para situações simples, como utilizar o transporte público, fazer compras e compreender informações básicas. O N4 permite maior autonomia em conversas cotidianas, enquanto o N3 amplia as possibilidades de comunicação e pode contribuir para encontrar oportunidades profissionais que exigem maior domínio do idioma.
Durante a apresentação, foi ressaltado que aprender japonês não significa apenas conseguir um emprego melhor. O conhecimento da língua proporciona independência, facilita a integração com a sociedade e ajuda o visitante a compreender melhor os costumes e as relações pessoais no Japão.
A recomendação foi aproveitar os meses anteriores à viagem para estudar, pesquisar sobre as cidades japonesas e começar a conhecer as particularidades culturais do país.
Walter Yamada destaca desafios do trabalho e da moradia no Japão

A palestra também abordou um dos assuntos que mais despertam interesse entre os brasileiros: a possibilidade de trabalhar durante a estadia.
Walter Yamada, CEO da WJapan, participou das discussões sobre as condições do mercado japonês e os desafios enfrentados por estrangeiros que pretendem construir uma experiência profissional no país.
Entre os setores mencionados durante o encontro estiveram fábricas, logística, serviços, turismo e atividades que podem oferecer oportunidades para trabalhadores estrangeiros. Os palestrantes ressaltaram que as possibilidades variam conforme a região, a experiência profissional e o conhecimento do idioma.
Outro tema importante foi a moradia. Embora o Japão possua uma infraestrutura desenvolvida, alugar um imóvel pode representar uma dificuldade para estrangeiros, especialmente aqueles que pretendem permanecer por períodos mais curtos.
Durante a conversa, foram mencionadas questões como exigências contratuais, custos iniciais, necessidade de garantias e resistência de alguns proprietários em alugar imóveis para estrangeiros. Os organizadores apresentaram possibilidades de assistência por meio de parceiros no Japão, incluindo apoio para encontrar moradia e serviços de recepção.
A proposta é oferecer suporte principalmente para aqueles que pretendem viajar pela primeira vez e ainda não possuem contatos ou familiares no país.
O planejamento financeiro também ganhou destaque. Mesmo com a emissão gratuita do visto, os participantes precisarão demonstrar que possuem recursos para custear os primeiros meses de permanência, além de apresentar documentação adequada, seguro de saúde e condições de retornar ao Brasil.
Os palestrantes recomendaram que os interessados não dependam exclusivamente da expectativa de conseguir um emprego imediatamente após desembarcar. A orientação foi organizar uma reserva financeira para enfrentar possíveis imprevistos durante a adaptação.
Público questiona trabalho remoto, custos e permanência no Japão

A sessão de perguntas trouxe diferentes perspectivas sobre o Working Holiday e mostrou que o programa desperta interesse entre brasileiros com perfis profissionais variados.
Um dos participantes, que trabalha como desenvolvedor de software para uma empresa brasileira, questionou se seria possível permanecer no Japão durante um ano sem abandonar seu emprego atual, continuando a trabalhar remotamente.
A pergunta abriu uma discussão sobre as diferenças entre o Working Holiday e o visto destinado a nômades digitais. Embora a possibilidade tenha sido considerada interessante durante o encontro, as condições específicas para exercer trabalho remoto a partir do Japão ainda dependiam de esclarecimentos oficiais.
Outro participante, que já havia estudado no Japão, perguntou se poderia aproveitar a nova modalidade para retornar ao país e participar de processos seletivos relacionados a oportunidades profissionais futuras.
Os especialistas explicaram que a experiência pode contribuir para conhecer empresas, desenvolver o idioma e identificar caminhos de carreira. Entretanto, ressaltaram que o Working Holiday não permite automaticamente a mudança para outra categoria migratória durante a permanência no Japão.
O número de vagas também esteve entre as principais dúvidas do público. Na data da palestra, o governo japonês ainda não havia divulgado a quantidade anual de vistos que seria disponibilizada aos brasileiros, nem todos os critérios específicos para o processo de seleção.
Os organizadores recomendaram acompanhar os comunicados da Embaixada e dos consulados japoneses no Brasil e preparar antecipadamente os documentos necessários.
A preocupação com o custo de vida também apareceu durante o debate. Participantes questionaram os valores necessários para cobrir despesas como aluguel, alimentação, transporte e seguro de saúde, especialmente diante da possibilidade de não encontrar trabalho imediatamente.
A recomendação dos especialistas foi considerar pelo menos os primeiros meses de despesas no planejamento financeiro, levando em conta a cidade escolhida e as condições individuais de cada viajante.
Giuliano Peccilli compartilha como uma viagem ao Japão influenciou sua carreira
A programação também contou com a participação de Giuliano Peccilli, jornalista e responsável pelo JWave, que compartilhou sua experiência de intercâmbio no Japão em 2009 e os caminhos profissionais que surgiram após a viagem.
Durante seu relato, Giuliano explicou que estudou japonês durante três anos antes de viajar e passou aproximadamente dois anos economizando para realizar o sonho de conhecer o país. Na época, reuniu cerca de R$ 25 mil para custear uma estadia de três meses, período em que ficou hospedado na casa de conhecidos e visitou diferentes cidades japonesas.
A experiência permitiu conhecer o cotidiano do Japão, utilizar o sistema de transporte e vivenciar aspectos culturais que anteriormente acompanhava principalmente por meio de estudos e do interesse pelo entretenimento japonês.
O retorno ao Brasil também marcou uma nova etapa de sua trajetória profissional. A vivência no Japão contribuiu para ampliar suas oportunidades no jornalismo, em palestras e em projetos relacionados à comunidade nipo-brasileira, além de fortalecer sua atuação na divulgação da cultura e do entretenimento japonês.
O depoimento mostrou que uma viagem internacional não precisa resultar necessariamente em uma mudança definitiva de país para transformar uma trajetória profissional.
Mesmo uma experiência de poucos meses pode proporcionar novos contatos, conhecimentos e oportunidades que continuam produzindo resultados depois do retorno ao Brasil.
Um ano para conhecer o Japão além do turismo

Um dos pontos reforçados durante a palestra foi que o Working Holiday não deve ser encarado simplesmente como um visto de trabalho.
O objetivo do programa é proporcionar uma experiência cultural mais ampla, permitindo que jovens brasileiros conheçam o país, estudem, desenvolvam habilidades e participem de atividades profissionais para complementar suas despesas.
Para os interessados em cultura japonesa, a oportunidade representa a possibilidade de vivenciar aspectos que dificilmente seriam conhecidos durante uma viagem turística de poucos dias.
A rotina de trabalho, as relações sociais, os costumes locais e a convivência com pessoas de diferentes regiões podem proporcionar uma compreensão mais profunda do Japão.
Ao mesmo tempo, os palestrantes ressaltaram que a experiência exige responsabilidade. Questões como documentação, adaptação cultural, conhecimento do idioma, moradia e reserva financeira precisam ser consideradas antes do embarque.
O visto terá validade de três meses para a entrada no Japão após sua emissão, enquanto a permanência poderá chegar a 12 meses a partir da chegada ao país. A modalidade não prevê prorrogação nem mudança de status migratório durante a estadia.
Preparação para o Working Holiday começa antes da abertura das solicitações

Com a implementação do programa prevista para 1º de dezembro de 2026, a recomendação final dos organizadores foi que os interessados comecem a se preparar o quanto antes.
Providenciar um passaporte válido, estudar japonês, pesquisar o custo de vida nas diferentes regiões e organizar uma reserva financeira estão entre as medidas que podem facilitar o planejamento.
Também é importante acompanhar as orientações oficiais sobre documentos, comprovação financeira e procedimentos de solicitação, já que parte das regras operacionais ainda não havia sido divulgada na data do encontro.
A palestra promovida pela JCR Business Turismo & Cruzeiros e pela WJapan mostrou que o novo acordo representa mais do que uma alternativa de viagem. O Working Holiday abre uma oportunidade de aproximação entre Brasil e Japão, permitindo que jovens de diferentes origens conheçam o país e desenvolvam experiências culturais e profissionais.
Para uma geração que cresceu acompanhando animes, mangás, games, música e outras manifestações da cultura japonesa, a possibilidade de viver no Japão durante um ano pode representar a realização de um sonho e o início de uma nova etapa pessoal e profissional.
Serviço

Working Holiday Japão
Início previsto das solicitações: 1º de dezembro de 2026
Público: Brasileiros residentes no Brasil, de 18 a 30 anos
Permanência: Até 12 meses no Japão
Emissão do visto: Gratuita
Ascendência japonesa: Não é exigida
Conhecimento do idioma japonês: Não é obrigatório
Informações oficiais: Embaixada e consulados do Japão no Brasil
Informações dos organizadores: workingholidayjapan.com.br


