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Crítica | Dan Da Dan: Evil Eye

Se existe um animê que virou sensação nacional no ano passado, esse é Dan Da Dan. Chegando simultaneamente à Crunchyroll e à Netflix, a história absurda conquistou o público brasileiro, que não perdia um episódio sequer no streaming. Agora, com Dan Da Dan: Evil Eye, temos um pequeno gostinho da segunda temporada com a compilação dos três primeiros episódios, apresentada nos cinemas pelos diretores Abel Góngora e Fuga Yamashiro, que compartilham os desafios de adaptar o novo arco criado por Yukinobu Tatsu.

Mas se você não sabe nada sobre Dan Da Dan, definitivamente este filme não é pra você. Com uma série de cenas rápidas para situar os personagens, Evil Eye não faz rodeios nem apresenta ninguém. Pegou o flashback? Ótimo. Caso contrário, é só seguir o fluxo e tentar entender com o bonde andando, porque Dan Da Dan: Evil Eye não está aqui pra perder tempo, mas sim continuar o arco deixado em aberto no fim da primeira temporada.

Estreando no dia 19 de junho, a animação do estúdio Science SARU chega aos cinemas brasileiros em uma parceria entre Crunchyroll, Sony Pictures e a rede Cinemark. E aqui, além da belíssima animação, o filme funciona como um “esquenta” da nova temporada.

A história

Direto do último episódio, Momo Ayase, Okarun e Jiji viajam para a vila de Byakuya, conhecida por suas fontes termais e lendas antigas. Deixando o clima urbano de lado, o filme adota um tom retrô com uma vila que parece parada no tempo e no espaço.

Ao se mudarem para a casa de Jiji, dita como mal-assombrada, eles se deparam com a estranha família Kitou. É aí que o passado de Jiji vem à tona: seus pais foram parar no hospital por causa de uma assombração que ronda a casa há muito tempo.

A família Kitou, que cuida da casa ancestral de Jiji, desconfia da presença de médiuns no local. Isso não impede Momo de ser surpreendida no ofurô pelos homens da família, que explicam que o banho ali é misto — em uma cena bizarra com analogias envolvendo jacarés.

É nesse ponto que Okarun e Jiji percebem algo errado e descobrem um buraco na parede que leva a estruturas antigas. Um ambiente fora da lógica, onde aparece pela primeira vez o Kuragami, um verme da Morte da Mongólia que habita o local. Mas você sabe que Dan Da Dan nunca é sobre uma coisa só — e é aqui que entra o Olhar Maligno, um espírito que assombra a casa e faz com que qualquer pessoa que tente se aproximar acabe levando familiares ao desespero.

Temos um vilão gamer?

Como se já não fosse o bastante, fica claro que a família Kitou tem seus próprios segredos, estando ali há gerações. Eles realizam rituais para saciar o que chamam de Tsuchinoko, uma cobra gigante, que é outra forma de nomear o Kuragami escondido na parede da casa de Jiji.

Com o caos instaurado, o Olhar Maligno possui o corpo de Jiji, transformando-o numa versão roxa, com brincos RGB (talvez o primeiro vilão com visual gamer da história dos animês). E assim começa uma batalha intensa entre os dois seres, enquanto Momo e Okarun tentam entender essa vila bizarra que existe dentro da casa.

Com diversas batalhas em tela, Dan Da Dan: Evil Eye é um espetáculo visual, mas não responde se o embate será concluído aqui ou continuará na TV quando a nova temporada estrear.

Kuragami

Opinião

Um dos grandes acertos foi levar Dan Da Dan para os cinemas com Evil Eye. A qualidade técnica rivaliza com produções como Demon Slayer, tornando a experiência de assistir na telona ainda mais impactante.

O estúdio Science SARU é conhecido por títulos como Devilman Crybaby (Netflix), Tatami Time Machine Blues (Disney+) e Scott Pilgrim Takes Off (Netflix). Agora, com a nova temporada de Dan Da Dan, promete elevar ainda mais o nível das sequências animadas.

A direção de Fuga Yamashiro, agora dividida com Abel Góngora (responsável pela abertura da primeira temporada), traz novos desafios para a animação e é recheada de referências que vão além do mangá original. Fuga comenta que o estilo da obra se inspira fortemente nos antigos filmes da Kadokawa Pictures, como A Boneca Vampira e Inugami.

Os enquadramentos exagerados e o estilo da família Kitou, além do clima da vila de Byakuya, ecoam essas referências, da mesma forma que a abertura da primeira temporada faz alusão ao Ultraman (1966). Saber disso pelos próprios diretores torna a busca por referências e easter eggs ainda mais divertida.

Voltando ao filme em si, é preciso reconhecer que Evil Eye funciona como o início de uma nova fase. Tenta resumir os personagens, mas funciona melhor para quem já assistiu à primeira temporada ou acompanha o mangá — é um conteúdo claramente feito para fãs.

Nesse sentido, Dan Da Dan: Evil Eye é um excelente pontapé inicial, mostrando o quanto a história pode crescer na versão animada, enriquecendo o universo do mangá e mantendo uma narrativa coesa e visualmente impressionante.

Momo Ayase tem um crescimento notável no uso dos seus poderes, e Okarun também evolui, ficando mais forte na tentativa de impressioná-la. Já Jiji recebe o maior aprofundamento, com seu passado trágico vindo à tona, o que o consolida como um terceiro protagonista.

Outro destaque é a Velha Turbo (ou Vovó Turbo), representada aqui por um gatinho. Seu papel como espírito explicador é quase como um Wikipédia ambulante das assombrações. Mesmo com pouco tempo de tela, sua participação é marcante e divertida.

E a abertura? Sabemos que a expectativa é alta para a nova música que substituirá Otonoke, do Creepy Nuts. Mas aqui não temos música nem abertura o que pode frustrar fãs de J-pop. Ainda assim, é difícil sair decepcionado da animação.

Assisti ao filme legendado e, mesmo com uma boa adaptação, confesso que Dan Da Dan tem um jeitão meio Yu Yu Hakusho o que faz a gente imaginar como seriam as piadas se fossem dubladas. Enquanto a nova temporada não chega, Evil Eye é um excelente esquenta, não só pela história envolvente, mas por manter viva a expectativa pelo que vem aí.

Nota: 5 (de 5)

Dan Da Dan: Evil Eye

Título original: ダンダダン: Evil Eye
Título internacional: Dan Da Dan: Evil Eye
Ano: 2025
País: Japão
Formato: Filme (compilação de episódios)
Gênero: Ação, Comédia, Sobrenatural
Duração: — (aguardando confirmação oficial)
Lançamento no Brasil: 19 de junho de 2025 (Cinemark / Crunchyroll / Sony Pictures)

Agradecimentos ao Cinemark e a Crunchyroll pelo convite para a produção deste conteúdo

Giuliano Peccilli
Giuliano Peccillihttp://www.jwave.com.br
Editor do JWave, Podcaster e Gamer nas horas vagas. Também trabalhou na Anime Do, Anime Pró, Neo Tokyo, Nintendo World e Jornal Nippon Já.

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