Neste sábado (20), a Gibiteca de Santos se transformou em um ponto de encontro para fãs de quadrinhos, estudantes e famílias durante o lançamento da HQ Tecnomaquia: Robôs vs Androides, do escritor e professor santista Gabriel Godinho Sampaio. Mais do que a estreia de uma obra, o evento virou um espaço de experimentação cultural e aprendizado, com oficinas, performances e debates gratuitos que reforçaram o papel da arte independente como motor de transformação social.
Ambientada no planeta fictício Íx’kar, a história apresenta um mundo em que as elites controlam fábricas de robôs enquanto a população vive em miséria. Nesse cenário desigual, um mecânico se junta a uma rebelião de androides e cyborgues conscientes, desencadeando a revolução conhecida como Tecnomaquia. A HQ mistura ficção científica, crítica social e arte gráfica, explorando dilemas éticos e tecnológicos que refletem diretamente desafios contemporâneos.
Paixão antiga que virou missão

Gabriel descobriu a ficção científica ainda na infância, lendo clássicos como Júlio Verne, H.G. Wells e Isaac Asimov. “Meu primeiro contato não foi com Machado de Assis, mas com A Guerra dos Mundos e A Máquina do Tempo. Essa literatura moldou minha formação, primeiro como pessoa e depois como escritor”, relembra.
A trajetória do autor foi marcada por esforço e independência. Vindo de uma família humilde, Gabriel só publicou seu primeiro livro, Warwolf – O Ritual, aos 28 anos, já como professor. Desde então, ele consolidou uma carreira independente com sete títulos, incluindo romances e quadrinhos como Exídium, Jogo de Máscaras e Caçada, finalista do Prêmio ABERST 2025.
Sete anos de construção: de conto a HQ
A ideia de Tecnomaquia surgiu em 2018 como um conto de sete páginas, Tecnoguerra: Robôs vs Androides. O projeto ganhou corpo quando Gabriel conheceu a quadrinista Aline Martins em um evento de games na Praia Grande. “Ela gostou da história e começamos a trabalhar juntos para expandi-la. Com o tempo, novos personagens surgiram, e o roteiro se tornou mais robusto, agregando o trabalho do ilustrador Salviano Borges e, depois, de Ryan Nascimento”, explica.
O processo durou sete anos e resultou em uma obra de 128 páginas, combinando narrativa em prosa e ilustrações. Entre as referências visuais e temáticas estão filmes como Ex Machina, Distrito 9, Chappie, Eu, Robô e Star Wars.
Incentivo público e impacto social
Com recursos limitados, Tecnomaquia recebeu apoio do Edital 05/2024 da Prefeitura de São Vicente, via Política Nacional Aldir Blanc, permitindo a produção de 500 cópias, das quais 150 foram distribuídas gratuitamente em dez escolas públicas.
“O quadrinho também tem um papel pedagógico. Trabalhamos com interpretação de leitura, produção textual e debates sobre fake news. Mais do que entreter, quero que a HQ provoque reflexões”, afirma Gabriel, que traz sua experiência como professor para cada detalhe da narrativa.
Tarde Robótica na Gibiteca
O lançamento transformou a Gibiteca em uma verdadeira Tarde Robótica. A programação incluiu oficina de desenho com Salviano Borges, bate-papo mediado pelo escritor Vinícius Carlos Vieira, intervenção cênica da Equipe Plataforma e até a apresentação de uma dança do Robô Gigante em frente ao espaço cultural.
Para Gabriel, lançar a obra na Gibiteca teve um significado especial: “Precisamos de mais espaços como este. A cultura deve estar disponível para todos, não apenas para quem pode pagar. Democratizar o acesso é essencial.”


