A chegada de Yakuza Kiwami 1 e 2 ao Nintendo Switch 2 coloca de volta os holofotes na origem de Kazuma Kiryu, agora com legendas em português e com a promessa de revisitar Kamurocho em qualquer lugar. São relançamentos no formato “dois títulos separados no menu”, quase no estilo de Super Mario Galaxy, mas carregando a atmosfera adulta e dramática que sempre definiu a série.
Mesmo sendo jogos já conhecidos, a estreia na plataforma da Nintendo (no ocidente) marca a primeira vez que o público brasileiro recebe oficialmente Kiwami com localização em português, e o forte interesse no Japão mostrou para a SEGA que sim, existe demanda para Like a Dragon nos consoles da Big N.
Para quem acompanha a cronologia, o lançamento também funciona como aquele “aquecimento” para Yakuza Kiwami 3 & Dark Ties, previsto para 2026. E cá entre nós: depois desse port, fica difícil não querer a saga inteira no Switch 2.

Yakuza 1


Antes de falarmos do remake, precisamos comentar como surgiu o jogo original, lançado em 2005 para PlayStation 2. Com orçamento de 2,4 bilhões de ienes (aproximadamente 21 milhões de dólares), o projeto nasceu com o codinome Projeto J, sob a produção de Toshihiro Nagoshi.
Querendo contar uma história com um drama poderoso, Yakuza surgiu não apenas influenciado por doramas e produções cinematográficas, mas também por uma vasta pesquisa da própria equipe nas regiões de Roppongi e Kabukichō, dando origem à fictícia Kamurocho.
Sabendo que tinha uma mina de ouro nas mãos, a SEGA contratou ninguém menos que Takashi Miike para a divulgação e investiu em product placement, trazendo marcas reais para dentro do universo do jogo. Entre elas estavam o café Boss, o uísque da Suntory e outras empresas que marcaram presença. Até jogos clássicos da SEGA apareceram, algo que o público esperaria muito nos títulos seguintes.
O resultado foi um jogo que caiu nas graças do público, e seu sucesso fez com que a SEGA desse ao projeto um tratamento especial para funcionar no Ocidente. Para isso, a empresa recrutou nomes relevantes da época, como Mark Hamill (conhecido como o Coringa nas animações do Batman e como Luke Skywalker em Star Wars), Michael Madsen (Kill Bill) como Futoshi Shimano e Michael Rosenbaum (Lex Luthor de Smallville) como Akira Nishikiyama. Para o protagonista, Kazuma Kiryu, foi escolhido Darryl Kurylo, que sempre comentou como a experiência foi fantástica.
Yakuza Kiwami 1

Planejado para PlayStation 3 e PlayStation 4, Yakuza Kiwami surgiu em 2016 como parte das comemorações dos 10 anos da franquia. O jogo foi refeito do zero, ganhando outro tom graças ao impacto de Yakuza 0, lançado em 2015.
Masayoshi Yokoyama liderou o desenvolvimento do remake, não apenas atualizando o título, mas elevando seu nível ao padrão estabelecido por Yakuza 0. Personagens, visuais e narrativa foram retrabalhados, resultando em um dos grandes sucessos da época.
É justamente esse jogo que chega agora ao Nintendo Switch 2, mostrando que a franquia pode retornar outras vezes no futuro com o selo Kiwami, reimaginando mais títulos clássicos.
A História

A história inicial de Yakuza coloca Kazuma Kiryu no centro de um turbilhão que muda sua vida para sempre. Quando Sohei Dojima tenta atacar Yumi Sawamura, amiga de infância de Kiryu, quem o impede é Akira Nishikiyama, o melhor amigo do protagonista. Nishiki aperta o gatilho, mas é Kiryu quem assume a culpa e aceita dez anos de prisão, uma decisão que apaga sua antiga vida.
Ao sair, tudo está diferente. Kiryu é expulso do clã Tojo, Yumi desapareceu e surgem rumores de que dez bilhões de ienes sumiram do banco privado da organização. Esse dinheiro vira a grande quest do submundo, colocando cada facção criminosa do Japão em modo caça ao tesouro. E Kiryu passa a ser visto como inimigo pelos próprios ex-aliados.
Quando tenta buscar respostas com Shintaro Kazama, seu mentor, a situação se complica. Nishikiyama reaparece como líder de sua própria gangue e atira em Kazama, ligando Yumi diretamente ao mistério da fortuna roubada. Kiryu foge com a ajuda do detetive Makoto Date, que percebe que a guerra interna no Tojo, alimentada por rivalidades e mortes suspeitas, está prestes a explodir.
No meio dessa jornada, Kiryu encontra Haruka, uma garota que procura a mãe e carrega um pingente que pode ser a chave dos dez bilhões. Proteger Haruka se torna parte essencial da trama, enquanto novas facções surgem para tentar capturar a menina e descobrir o paradeiro da fortuna.
Entre perseguições, traições e revelações, Kiryu se vê cercado por um caos que mistura drama, conspiração e violência, uma história que define o nascimento de um dos protagonistas mais marcantes dos games japoneses.
Jogabilidade

Aqui temos tudo que torna Yakuza em Yakuza: o mapa de Kamurocho, os desafios e as lutas tão esperadas nas ruas de Tóquio. A diferença é que estamos em outra década, então o save, a transferência de itens e outras funções acontecem nas cabines de telefone, exigindo mais do jogador nesse mundo ainda analógico.
Tudo o que estamos acostumados na franquia funciona muito bem. Se você já jogou algum título da série, vai ter a estranha sensação de que tudo é mais “simples”, mas ainda assim claramente parte do universo Yakuza.
Até nos pequenos detalhes, como no mapa, o jogo não aponta tudo com a mesma precisão dos títulos mais recentes. Mesmo assim, isso não tira o brilho de revisitar o começo da saga de Kiryu, trazendo os estilos de luta já conhecidos, descendo a porrada no meio de uma investigação que marca seu retorno às ruas.
Tradução
Yakuza Kiwami 1 e Yakuza Kiwami 2, ao estrearem com legendas em português, trazem o melhor que a SEGA tem feito nos últimos anos. A tradução é cheia de estilo, sem medo de usar palavrões e com um jeito de falar que, mesmo sendo “de rua”, soa extremamente natural.
É um trabalho que vem se consolidando nos últimos jogos da série, e aqui o resultado mais uma vez agrada, além de ser uma ótima forma de aprender um “japonês” nada convencional.
Não há nem como dizer que um jogo está melhor que o outro: ambos entregam o mesmo patamar de qualidade no original e trazem traduções igualmente competentes.
Opinião

Yakuza Kiwami 1 traz gráficos muito bonitos para a época e exalta o começo da história, algo fundamental para quem gosta da franquia. O grande bônus está nas legendas em português, que chegam pela primeira vez e fazem toda a diferença, permitindo que os personagens falem nossa língua.
Por ser um jogo de 2016 que recebeu aprimoramentos agora, Yakuza Kiwami 1 pode ser visto de forma semelhante ao remake de Resident Evil 1 feito em 2002 pela Capcom. Comparado aos remakes seguintes, o salto de Resident Evil 2 para Resident Evil 1 é imenso, e aqui isso acontece em menor proporção, mas a sensação é parecida. Você sente que está jogando Yakuza, mas o Yakuza que você conhece de verdade está em Yakuza Kiwami 2, que entrega algo muito próximo do padrão atual da franquia.
Isso não prejudica a experiência, mas, jogando lado a lado, você provavelmente vai preferir Yakuza Kiwami 2 em vez do primeiro, exatamente por oferecer uma experiência 100% alinhada com o que a série consolidou nos jogos mais recentes.
Por ser um jogo portado no Nintendo Switch 2, pude levar o console no fretado para o trabalho alguns dias. Nada como ter um jogo destes na mochila, sendo uma experiência incrível em jogar diversas vezes, indo ou voltando do trabalhando, podendo pausar e continuar quando melhor fosse conveniente. O que trazia uma experiência de 2 horas de jogo no modo portátil do Nintendo Switch 2.
Indo além dos games


Se você gosta de explorar todas as mídias possíveis, Yakuza fez tanto sucesso em 2005 que, em 2007, ganhou sua versão em live action. Produzido por Takashi Miike, o filme é estrelado por Kazuki Kitamura, Goro Kishitani, Show Aikawa, Yoshiyoshi Arakawa, Kenichi Endō e Tomorowo Taguchi.
O grande desafio da produção foi condensar tantas tramas em um único filme. Filmado em Kabukichō, em Tóquio, Yakuza reproduz até mesmo os estilos de luta de Kiryu, entregando uma adaptação “entusiasmada” da trama original.
O longa foi lançado este ano na Prime Video, sendo a oportunidade perfeita para ver o universo do jogo por outra ótica.
Além disso, em 2024, Like a Dragon ganhou seu primeiro dorama, também pela Prime Video. Com Ryoma Takeuchi como Kiryu, a produção de 6 episódios adapta diretamente Yakuza Kiwami 1, sendo muito mais fiel à história original, ainda aproveitando elementos de Yakuza 0.
A série da Prime Video, apesar de errar o tom de alguns personagens, conseguiu adaptar muito bem a trama do jogo abordado aqui, funcionando como uma experiência complementar interessante para entender a mitologia dos personagens.
Ficha Técnica

Yakuza Kiwami
Desenvolvedor: Ryu Ga Gotoku Studio
Distribuição: Sega
Diretor: Koji Yoshida
Produtores: Masayoshi Yokoyama, Mitsuhiro Shimano
Projetista: Kazuki Hosokawa
Escritor: Masayoshi Yokoyama
Programadores: Koji Tokieda, Yutaka Ito
Artista: Nobuaki Mitake
Compositor: Hidenori Shoji
Série: Yakuza
Plataformas: PS3, PS4, Windows, Xbox One, Nintendo Switch 1 e 2
Lançamento: 13 de novembro (Nintendo Switch 2)
Agradecimentos a SEGA e a Theogames pela produção deste conteúdo


