O Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil celebra os 130 anos do Tratado de Amizade, Comércio e Navegação entre Brasil e Japão com a exposição Tecendo Histórias: O imaginário dos Kimonos, uma mostra que transforma vestimentas tradicionais em narrativa histórica. Prorrogada até 25 de janeiro de 2026, a exposição propõe um olhar atento para o quimono como objeto cultural, afetivo e documental dentro da trajetória da imigração japonesa no país.
Mais do que peças bonitas em vitrines, os kimonos expostos funcionam como registros visuais de um tempo. Tecidos, cores e padrões ajudam a contar como costumes atravessaram o oceano e foram ressignificados no Brasil, acompanhando gerações de imigrantes e descendentes.
Uma curadoria que conecta tradição, cotidiano e identidade


A mostra reúne cerca de 25 kimonos, selecionados pela curadora Emiko Nakashima e pela produtora Leika Morishita, a partir de um dos acervos mais relevantes de trajes tradicionais japoneses fora do Japão. As peças estão distribuídas entre o espaço expositivo do Museu, no bairro da Liberdade, e o Pavilhão Japonês do Parque do Ibirapuera, onde a etapa complementar da exposição já foi encerrada.
O recorte curatorial percorre diferentes usos do quimono ao longo da vida. Estão presentes trajes cerimoniais, roupas masculinas e femininas, vestimentas infantis e peças do dia a dia, organizadas em uma narrativa que dialoga com os ciclos da vida, as estações do ano e a experiência da imigração japonesa no Brasil.
Histórias costuradas em tecido, memória e afeto
Cada quimono carrega uma história própria. Há peças usadas em casamentos, roupas trazidas do Japão como presentes familiares, trajes de apresentações teatrais e vestimentas de trabalho que acompanharam os primeiros imigrantes em território brasileiro. Juntas, elas revelam como tradição e adaptação caminharam lado a lado na formação da identidade nipo-brasileira.
A exposição valoriza esse aspecto afetivo ao destacar a preservação e a documentação do acervo. O visitante percebe que os kimonos resistiram ao tempo não apenas pela qualidade dos materiais, mas pelo significado simbólico que mantiveram dentro das famílias e da comunidade.
Catálogo amplia o acesso ao acervo de kimonos
Para complementar a experiência, o Museu lançou o catálogo Tecendo Histórias: O imaginário dos Kimonos, publicação que registra parte das peças que não estão expostas. Com fotografias de Hélio Nobre, o livro amplia o contato com o acervo e reforça a importância histórica dessas vestimentas. O catálogo está à venda no próprio Museu, com parte da renda destinada à conservação e à pesquisa do acervo.
Segundo Roberto Yoshihiro Nishio, presidente do Bunkyo, os kimonos devem ser vistos como testemunhos de identidade e continuidade cultural, já que cada peça guarda a memória de uma família, de um momento e de uma história compartilhada.
Exposição marca os 70 anos do Bunkyo
Além da celebração dos 130 anos do tratado Brasil Japão, a exposição também abre as comemorações pelos 70 anos do Bunkyo, instituição fundada em 1955 e referência na preservação da cultura japonesa no Brasil. O Museu se reafirma como espaço de memória viva, pesquisa e diálogo cultural, conectando passado e presente de forma acessível ao público.
Serviço

Exposição Tecendo Histórias: O imaginário dos Kimonos
Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil
Período: de 23 de outubro de 2025 até 25 de janeiro de 2026
Local: Rua São Joaquim, 381, bairro da Liberdade, São Paulo
Horário: terça a domingo, das 10h às 16h
Ingressos: R$ 20 inteira, R$ 10 meia entrada, quartas-feiras com entrada gratuita
Observação: o Museu estará em recesso de 15 de dezembro de 2025 a 5 de janeiro de 2026
Informações: bunkyo.org.br/museu-historico
Redes sociais: @bunkyodigital e @museumhijb
A etapa da exposição realizada no Pavilhão Japonês do Parque do Ibirapuera, entre outubro e novembro de 2025, já foi encerrada.


