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Volveréis | Novo filme de Jonás Trueba estreia em São Paulo, Rio e Belo Horizonte no dia 18 de dezembro

O cinema de Jonás Trueba sempre caminhou na contramão do óbvio, e Volveréis talvez seja sua obra mais direta e, ao mesmo tempo, mais ambígua. Vencedor do prêmio Label Europa Cinemas na Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes 2024, o longa estreia nos cinemas brasileiros no dia 18 de dezembro, com sessões em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, em distribuição da Zeta Filmes.

Com 114 minutos, a coprodução entre Espanha e França parte de uma ideia simples, quase uma piada privada, para construir um filme que fala de amor, separação, repetição e do próprio ato de fazer cinema. Aqui, romper não é tratado como fracasso, mas como gesto a ser pensado, ensaiado e até celebrado.

Uma festa para o fim de um relacionamento

Na história, Ale, diretora de cinema, e Alex, ator, decidem se separar após quinze anos juntos. Em vez do drama esperado, eles anunciam aos amigos e familiares que vão dar uma festa para marcar o fim da relação. A ideia vem de uma frase antiga do pai de Ale, segundo a qual separações deveriam ser comemoradas mais do que casamentos.

A partir daí, Volveréis se constrói pela repetição. O anúncio da separação é dito várias vezes, quase sempre com as mesmas palavras, enquanto as reações ao redor mudam. O motivo real do rompimento nunca é explicitado, e essa ausência é central para o filme. Trueba evita explicações psicológicas, conflitos explícitos ou gatilhos reconhecíveis. O que importa é o processo, não a causa.

Comédia romântica sem manual de instruções

Apesar do ponto de partida inusitado, Volveréis não se encaixa facilmente em rótulos. Há humor, mas ele é seco, às vezes desconfortável. Há melancolia, mas sem explosões dramáticas. O filme dialoga com a tradição da comédia romântica clássica, mas esvazia seus códigos mais previsíveis.

Jonás Trueba aposta na repetição como estrutura narrativa e afetiva, assumindo referências assumidas como Feitiço do Tempo, mas deslocando o foco. Em vez de um personagem que muda enquanto o mundo permanece igual, aqui são as reações externas que se transformam, enquanto o casal vai perdendo a segurança sobre aquilo que afirma com tanta convicção no início.

Cinema dentro da vida, vida dentro do cinema

Outro eixo central do filme é o jogo metalinguístico. Ale, vivida por Itsaso Arana, está montando um filme que, aos poucos, parece ser o próprio Volveréis. A edição assume protagonismo com telas divididas, mudanças de eixo e transições pouco convencionais, criando uma sensação constante de filme em construção.

Trueba não romantiza o fazer cinematográfico. Pelo contrário, o longa expõe a dificuldade de conciliar trabalho, vida afetiva e criação artística. Quando o diretor pergunta o que aconteceria se pudéssemos editar nossas próprias vidas, Volveréis responde com humor, estranhamento e uma boa dose de dúvida.

Um filme sobre certezas que se desfazem

Ao contrário de muitos de seus trabalhos anteriores, Volveréis começa com personagens que acreditam saber exatamente o que querem. Eles querem se separar. Só que, à medida que o filme avança, essa certeza começa a rachar. Memórias surgem, registros do passado entram em cena e o presente deixa de ser tão estanque quanto parecia.

Sem idealizações, o filme observa duas pessoas tentando manter o controle emocional enquanto tudo ao redor insiste em lembrá-las do que foi vivido. É uma comédia que flerta com a tristeza, um drama que nunca se assume como tal, e um retrato delicado de relações que não cabem em fórmulas prontas.

Sinopse

Ale é uma diretora de cinema e Alex é um ator. Após quinze anos juntos, eles decidem seguir caminhos separados e anunciam uma festa de separação para amigos e familiares. Ao repetir esse anúncio, tentam se convencer da própria decisão. Em Volveréis, o relacionamento a dois, seja ao se unir, permanecer junto ou se separar, se confunde com o próprio ato de fazer filmes.

Ficha técnica

Direção e roteiro
Jonás Trueba
Roteiro
Jonás Trueba, Itsaso Arana e Vito Sanz
Fotografia
Santiago Racaj
Montagem
Marta Velasco
Pós-produção
Miguel Angel Rebollo
Som
Álvaro Silva Wuth, Pablo Rivas Leyva e Raquel Martín
Produção
Los Ilusos Films, Javier Lafuente e Jonás Trueba
Coprodução
Les Films du Worso, Sylvie Pialat e Alejandro Arenas Azorín
Elenco
Itsaso Arana, Vito Sanz e Fernando Trueba

Quem é Jonás Trueba

Nascido em Madri em 1981, Jonás Trueba construiu uma filmografia marcada por personagens em trânsito emocional e narrativas que misturam cotidiano, afeto e cinema. Estreou com Todas las Canciones Hablan de Mí, indicado ao Goya, e consolidou seu estilo em títulos como Los Ilusos, La Reconquista e La Virgen de Agosto, indicado ao César e sucesso de público na França.

Com Quién lo Impide, venceu três prêmios no Festival de San Sebastián e o Goya de Melhor Documentário em 2022. Volveréis surge como um ponto de síntese desse percurso, reunindo humor, autorreflexão e um olhar cada vez mais consciente sobre o próprio cinema que Trueba faz.

Filmografia selecionada

2024
Volveréis

2022
Tenéis que Venir a Verla

2021
Quién lo Impide

2019
La Virgen de Agosto

2016
La Reconquista

2015
Los Exiliados Románticos

2013
Los Ilusos

2010
Todas las Canciones Hablan de Mí

Festivais e exibições

Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes 2024
48ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo
68º Festival de Cinema de Londres
39º Festival Internacional de Cinema de Mar del Plata
62º Festival Internacional de Cinema de Viena

Giuliano Peccilli
Giuliano Peccillihttp://www.jwave.com.br
Editor do JWave, Podcaster e Gamer nas horas vagas. Também trabalhou na Anime Do, Anime Pró, Neo Tokyo, Nintendo World e Jornal Nippon Já.

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