InícioFilmesA Miss estreia em fevereiro

A Miss estreia em fevereiro

Depois de circular por festivais europeus dedicados ao cinema LGBTQIA+, A Miss, novo longa escrito e dirigido por Daniel Porto, estreia nos cinemas brasileiros em 26 de fevereiro, com distribuição da Olhar Filmes. O filme marca a estreia do diretor em longas-metragens e aposta em uma narrativa intimista que cruza família, identidade e performance, usando o universo dos concursos de beleza como lente para discutir gênero e afeto.

Antes do lançamento no Brasil, o longa passou pelo Actrum International Film Festival, na Espanha, pelo OMOVIES Festival Internacional de Cinema LGBTQIA+, na Itália, e integra a programação do Queergestreift Film Festival Konstanz, na Alemanha. O percurso internacional reforça o diálogo da obra com um cinema queer mais interessado em nuances emocionais do que em discursos diretos.

Família, gênero e expectativas em cena

A história acompanha os irmãos Martha (Maitê Padilha) e Alan (Pedro David), que vivem à sombra do passado da mãe, Iêda (Helga Nemetik), vencedora de um concurso de beleza na juventude. O sonho de Iêda é ver a tradição familiar continuar, mas a frustração surge quando Martha demonstra não ter interesse nem aptidão para o universo das misses.

O conflito se intensifica quando Alan, filho cuja sexualidade ainda é um tabu dentro de casa, revela talento e desejo de disputar a faixa e a coroa. Com a ajuda do excêntrico tio Athena (Alexandre Lino), os irmãos elaboram um plano para realizar o sonho da mãe sem que ela saiba toda a verdade. A partir daí, A Miss transforma o concurso em metáfora para os papéis que cada personagem desempenha dentro da família.

Dramédia e personagens sem respostas fáceis

Daniel Porto define o filme como uma dramédia, equilibrando humor ácido e tensão emocional ao longo de seus cerca de 90 minutos. O riso surge de situações cotidianas e de diálogos irônicos, mas nunca dilui o impacto dos conflitos. No centro está Iêda, uma mulher obrigada a rever certezas ao se confrontar com a sexualidade do filho e com as próprias expectativas que projetou nos filhos.

Essa escolha aproxima A Miss de um cinema LGBTQIA+ que evita caricaturas e aposta em personagens contraditórios, onde ninguém é reduzido a um único traço. O filme observa mais do que julga, criando espaço para empatia mesmo nos embates mais desconfortáveis.

Elenco e participações especiais

Além do quarteto principal, o elenco conta com Eduardo Martini, Andrea Veiga, Ava Simões e Francisco Salgado, ampliando o universo da narrativa sem perder o foco nas relações familiares. O longa também traz participações especiais da apresentadora Gardênia Cavalcanti e da cantora Ellen de Lima, nomes que dialogam com o imaginário popular e com o espetáculo em torno dos concursos de beleza.

Daniel Porto e o cinema LGBTQIA+ contemporâneo

Indicado ao Prêmio APCA, Daniel Porto construiu carreira no teatro antes de migrar para o audiovisual. É diretor do curta Chemsex, exibido internacionalmente, e roteirista de Routine, filmado em Nova York. A Miss é seu primeiro longa-metragem e teve o roteiro desenvolvido no laboratório francês do Festival Varilux de Cinema Francês, evidenciando o cuidado na construção dos personagens e no equilíbrio entre humor e drama.

Olhar Filmes e a aposta na diversidade

Responsável pela distribuição, a Olhar Filmes vem se consolidando como uma das principais casas do cinema LGBTQIA+ no Brasil. Desde 2017, a distribuidora lançou dezenas de títulos independentes, muitos deles premiados e exibidos em festivais como Cannes, Berlim, Sundance e Gramado.

Com A Miss, a Olhar reforça sua linha editorial voltada a histórias que dialogam com identidade, juventude e diversidade, apostando em um cinema brasileiro que cresce fora dos padrões tradicionais.

Por que acompanhar

Ao usar o concurso de miss como palco para discutir gênero, afeto e silêncio familiar, A Miss se insere no cinema LGBTQIA+ brasileiro com uma abordagem sensível e irônica. É um filme que fala sobre identidade sem discursos prontos e encontra força justamente nas contradições de seus personagens, convidando o público a olhar além da faixa e da coroa.

Giuliano Peccilli
Giuliano Peccillihttp://www.jwave.com.br
Editor do JWave, Podcaster e Gamer nas horas vagas. Também trabalhou na Anime Do, Anime Pró, Neo Tokyo, Nintendo World e Jornal Nippon Já.

Últimas

spot_img