O Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo abre espaço para uma das retrospectivas mais completas já realizadas no país sobre Todd Haynes, cineasta fundamental do cinema independente contemporâneo e um dos pilares do New Queer Cinema. Em cartaz de 21 de janeiro a 12 de fevereiro, a mostra inédita apresenta 23 títulos, entre filmes dirigidos por Haynes e obras de outros realizadores que ajudam a mapear suas influências estéticas, políticas e afetivas. A entrada é gratuita.
Com curadoria de Carol Almeida e Camila Macedo, a programação foge do formato cronológico tradicional e aposta em diálogos. A ideia é observar como certos temas atravessam toda a obra do diretor, como identidade, desejo, repressão social e a desconstrução do chamado sonho americano, sempre filtrados pelo melodrama e por referências que vão do cinema clássico à música pop.
Todd Haynes, o melodrama e o avesso do sonho americano

A filmografia de Haynes é marcada por personagens que vivem em mundos aparentemente organizados, mas cheios de fissuras. Em Carol, talvez seu filme mais popular, o romance entre duas mulheres se constrói nos detalhes, nos silêncios e nos gestos contidos. Já em Longe do Paraíso, o diretor revisita o melodrama clássico para expor racismo, homofobia e convenções sociais sufocantes na América dos anos 1950.
Essa leitura crítica também aparece nos filmes que dialogam com a música e a cultura pop. Velvet Goldmine desconstrói o mito do rock glam ao flertar com a figura de David Bowie, enquanto Não Estou Lá fragmenta Bob Dylan em múltiplas versões, reforçando a ideia de identidade como algo mutável e performático.
Sessão de abertura e atividades formativas
A abertura da mostra acontece no dia 21 de janeiro, às 17h, com a exibição de Longe do Paraíso, seguida de conversa com o cineasta Marcelo Caetano. Ao longo da programação, o público também poderá participar de sessões comentadas, mesas de debate sobre o legado de Haynes para os cinemas queer contemporâneos, uma sessão educativa e um curso dedicado à leitura da visibilidade e invisibilidade lésbica a partir de Carol.
Influências, diálogos e filmes convidados
Além dos títulos assinados por Haynes, a mostra inclui obras que ajudam a entender seu repertório e suas referências. Estão na programação Uma Mulher Sob Influência, de John Cassavetes, Tudo Que o Céu Permite, de Douglas Sirk, Jeanne Dielman, de Chantal Akerman, e Vento Seco, de Daniel Nolasco, entre outros. São filmes que conversam com Haynes na forma de olhar para o cotidiano, o desejo e os conflitos íntimos.
Catálogo especial e circulação nacional
Como parte do projeto, será lançado um catálogo em versões impressa e digital, com textos de pesquisadores brasileiros e internacionais, incluindo um ensaio inédito da crítica feminista Mary Ann Doane. A versão impressa pode ser retirada mediante apresentação de ingressos de cinco sessões.
Após São Paulo, a mostra segue para o CCBB Rio de Janeiro e para o CCBB Brasília, ampliando o acesso a um recorte que apresenta tanto filmes consagrados quanto obras menos vistas de um dos diretores mais influentes das últimas décadas.
Serviço
Mostra Todd Haynes
Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo
Período: 21 de janeiro a 12 de fevereiro
Entrada gratuita
Endereço: Rua Álvares Penteado, 112, Centro Histórico, São Paulo
Programação completa disponível em bb.com.br/cultura


