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Guerreiras Mágicas de Rayearth já está disponível na Netflix

A série retorna ao streaming com episódios até o 20, dublagem clássica e apresentação técnica mais cuidadosa

Guerreiras Mágicas de Rayearth já pode ser assistido no catálogo da Netflix. A plataforma lançou a primeira parte da série, com episódios até o 20, marcando mais um retorno importante de um anime dos anos 1990 ao streaming brasileiro.

E não é só a disponibilidade que chama atenção. Quem já deu play percebe rápido que a versão exibida na Netflix apresenta imagem mais limpa e áudio mais equilibrado, mesmo mantendo a dublagem clássica brasileira. Para um título que já sofreu com relançamentos tecnicamente problemáticos, esse cuidado faz diferença — especialmente para quem revisita a série hoje com outros olhos.

Uma fantasia que cresceu junto com o público

Baseado no mangá criado pelo grupo CLAMP, publicado na revista Nakayoshi entre 1993 e 1996, Rayearth acompanha Hikaru, Umi e Fuu, três estudantes transportadas para o mundo mágico de Cefiro. Convocadas pelo mago Clef, elas recebem a missão de salvar a Princesa Emerodo e impedir a destruição daquele universo.

Produzido pela TMS Entertainment entre 1994 e 1995, o anime começa como uma aventura mágica relativamente tradicional, mas logo deixa claro que não está interessado em soluções fáceis. Conforme a história avança, entram em cena temas como sacrifício, responsabilidade emocional e escolhas sem volta — elementos que ajudaram Rayearth a envelhecer melhor do que muita gente esperava.

A dublagem brasileira

No Brasil, Guerreiras Mágicas de Rayearth ficou marcada pela exibição no SBT, a partir de 1996. A dublagem nacional, realizada pelo estúdio Gota Mágica, optou por adaptar os nomes das protagonistas, algo comum na época, mas que acabou criando uma identidade muito própria para o público brasileiro.

Lucy (Hikaru) ganhou voz de Cecília Lemes, Marine (Umi) foi interpretada por Noeli Santisteban e Anne (Fuu) por Fátima Noya. O trio funcionava bem em conjunto e ajudou a fixar personagens que até hoje são lembrados com carinho. As músicas brasileiras, que substituíram as versões japonesas, também contribuíram para essa memória afetiva — para o bem ou para o mal, dependendo do ponto de vista.

Rayearth além do anime

O mangá já foi publicado duas vezes por aqui pela Editora JBC. A primeira edição, no início dos anos 2000, ajudou a popularização dos mangás no mercado nacional. Anos depois, a obra ganhou uma edição de luxo mais próxima do formato original japonês.

Agora, a série se prepara para uma terceira publicação, novamente pela JBC, aproveitando esse novo momento de visibilidade com o anime de volta ao streaming.

Mesmo sendo publicada em uma revista voltada ao público feminino, Rayearth nunca se limitou ao shoujo tradicional. A série mistura fantasia com robôs gigantes, estruturas de RPG e universos paralelos. Um detalhe curioso é que muitos nomes de personagens, reinos e máquinas foram inspirados em modelos de carros, escolha do CLAMP para criar um vocabulário sonoro mais estranho e futurista.

Outro elemento difícil de ignorar é a abertura japonesa Yuzurenai Negai, cantada por Naomi Tamura. A música virou um fenômeno nos anos 1990, vendeu mais de um milhão de cópias e segue sendo uma das aberturas mais lembradas daquela década.

Um retorno que faz sentido agora

O retorno de Guerreiras Mágicas de Rayearth ao streaming acontece em um momento oportuno. Em 2024, a TMS Entertainment anunciou um novo projeto animado em comemoração aos 30 anos da obra, previsto para 2026.

Com parte da série já disponível na Netflix e sinais claros de um tratamento técnico mais cuidadoso, essa volta funciona tanto como reencontro para quem assistiu na infância quanto como porta de entrada para quem nunca passou por Cefiro. E, dessa vez, com bem menos ruído no caminho.

Giuliano Peccilli
Giuliano Peccillihttp://www.jwave.com.br
Editor do JWave, Podcaster e Gamer nas horas vagas. Também trabalhou na Anime Do, Anime Pró, Neo Tokyo, Nintendo World e Jornal Nippon Já.

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