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Mestres do Universo ganha primeiro trailer

O primeiro trailer oficial de Mestres do Universo finalmente foi revelado e deixa claro que a nova adaptação live-action não está interessada apenas em nostalgia. Dirigido por Travis Knight, o filme apresenta uma releitura ambiciosa da franquia da Mattel, colocando o conflito entre He-Man e Esqueleto em escala épica, com Eternia tratada como algo maior do que um simples planeta.

Logo nos primeiros segundos, o trailer estabelece o tom solene ao redor do Castelo de Grayskull, descrito como um artefato ancestral capaz de moldar realidades. A frase que abre o material, falando de milênios de segredos guardados, funciona quase como um aviso: esta versão quer expandir a mitologia e não apenas revisitá-la.

Assista o trailer

He-Man, Esqueleto e o peso do destino

Interpretado por Nicholas Galitzine, o novo Príncipe Adam surge dividido entre herança e escolha. O trailer reforça a ideia de que a força do herói não vem apenas da Espada do Poder, mas do entendimento de quem ele é dentro desse universo. Já Jared Leto aparece como um Skeletor menos caricato e mais ameaçador, questionando heroísmo e destino com falas que soam quase como provocações filosóficas.

A dinâmica entre luz e trevas ganha contornos mais complexos, especialmente com a Maligna, vivida por Alison Brie, que surge como peça estratégica dentro do tabuleiro de Eternia, e não apenas como sombra do vilão.

Eternia como palco central

O trailer deixa claro que Eternia não é só cenário. O planeta é tratado como um ponto de convergência cósmica, quase um portal capaz de reescrever leis do universo. Essa abordagem aproxima o filme de uma fantasia científica, misturando espada, magia e tecnologia, algo que sempre esteve no DNA da franquia, agora com um verniz mais sério e épico.

Personagens como Teela, interpretada por Camila Mendes, e Mentor, vivido por Idris Elba, reforçam o senso de urgência e responsabilidade coletiva. O material sugere alianças frágeis, conflitos internos e a sensação constante de que cada batalha redefine o equilíbrio do cosmos.

Travis Knight e a nostalgia feita do jeito certo

No meio desse retorno grandioso, vale respirar e olhar para quem está no comando. Travis Knight já provou uma vez que sabe trabalhar com nostalgia sem transformá-la em peça de museu. Em Bumblebee, o diretor conseguiu resgatar o espírito dos Transformers clássicos, dialogando diretamente com quem cresceu nos anos 1980, mas sem afastar um novo público. O resultado foi um filme mais contido, emocional e, acima de tudo, respeitoso com sua herança.

Antes disso, Knight construiu uma carreira sólida na animação, com passagens por Coraline, ParaNorman, The Boxtrolls e Kubo and the Two Strings, sempre equilibrando espetáculo visual e narrativa. Essa bagagem ajuda a entender por que Mestres do Universo parece apostar menos no excesso gratuito e mais na construção de mundo e mitologia.

Antes de 2026, houve Eternia nos anos 80

Produção de 1987

O longa de 2026 também carrega um peso histórico: ele é apenas o segundo filme live-action de Mestres do Universo a chegar aos cinemas. O primeiro foi lançado em 1987, produzido pela Cannon Films, em plena era do cinema oitentista que misturava fantasia, ficção científica e orçamento limitado com ambição máxima.

Estrelado por Dolph Lundgren como He-Man e Frank Langella como Skeletor, o filme apostava em uma abordagem bem diferente da animação clássica. Grande parte da trama se passava na Terra, acompanhando dois adolescentes que acabam envolvidos na guerra entre Eternia e as forças do mal após a perda da Chave Cósmica, artefato capaz de abrir portais entre mundos.

Na época, o longa foi um fracasso comercial, arrecadando menos do que seu orçamento, mas acabou ganhando status de cult ao longo dos anos. Muito disso se deve à estética prática, ao tom quase pulp da narrativa e, principalmente, à interpretação de Langella como Skeletor, que transformou o vilão em uma figura teatral, intensa e memorável, ainda hoje citada como um dos pontos altos da produção. A cena pós-créditos prometendo o retorno do personagem virou símbolo dessa relação tardia de carinho entre o filme e os fãs.

A comparação com o projeto atual é inevitável.

Reinvenção sem apagar o passado

Mesmo com o discurso de reinvenção, o trailer está cheio de acenos aos fãs antigos. O grito clássico de He-Man, o visual imponente do Castelo de Grayskull e a estética musculosa dos personagens estão lá, reinterpretados com acabamento moderno e orçamento robusto, estimado entre 170 e 200 milhões de dólares.

A proposta parece clara: respeitar o legado da franquia criada pela Mattel nos anos 1980, mas reposicioná-la para uma geração acostumada a universos expansivos e narrativas contínuas.

Pôster

Quando estreia

Mestres do Universo chega aos cinemas brasileiros em 4 de junho de 2026, um dia antes da estreia nos Estados Unidos. Se o trailer cumprir o que promete, Eternia pode finalmente ganhar a adaptação cinematográfica que tenta sair do papel há décadas.

Giuliano Peccilli
Giuliano Peccillihttp://www.jwave.com.br
Editor do JWave, Podcaster e Gamer nas horas vagas. Também trabalhou na Anime Do, Anime Pró, Neo Tokyo, Nintendo World e Jornal Nippon Já.

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