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O Amor é Estranho | Clássico LGBTIAPN+ com Alfred Molina e John Lithgow estreia na FILMICCA

Um dos romances mais sensíveis do cinema recente chega ao streaming brasileiro. O Amor é Estranho estreia nesta sexta-feira, dia 09, no catálogo da FILMICCA, reforçando a proposta da plataforma de apostar em obras autorais, afetivas e politicamente relevantes.

Um casamento, muitas rupturas

Dirigido por Ira Sachs, o filme acompanha Ben e George, um casal que vive junto há mais de 40 anos. Quando finalmente decidem oficializar o casamento, o gesto de amor acaba desencadeando uma sequência de impactos práticos e emocionais. George, interpretado por Alfred Molina, perde o emprego, e a estabilidade construída ao longo de décadas começa a ruir.

Sem condições de manter a própria casa, os dois são obrigados a se separar temporariamente, vivendo de favor na casa de amigos e parentes. A distância, que parecia provisória, vai escancarando cansaços, frustrações e pequenas fissuras que só o tempo consegue produzir.

Afeto, envelhecimento e silêncio

Ao lado de John Lithgow, Molina entrega uma atuação contida, cheia de gestos mínimos e olhares que dizem mais do que diálogos. O filme evita grandes viradas dramáticas e aposta no cotidiano, no desconforto das situações simples e na sensação de não pertencimento que cresce aos poucos.

Exibido no Festival de Cinema de Sundance em 2014, o longa chamou atenção justamente por tratar uma relação LGBTIAPN+ com naturalidade e maturidade, algo ainda raro no cinema. O elenco conta também com Marisa Tomei, que reforça o tom humano e imperfeito das relações retratadas.

Curiosidade que faz diferença: Ira Sachs se inspirou em histórias reais de amigos próximos, o que explica o realismo quase desconfortável de algumas cenas.

Um romance que vai além do rótulo

Mais do que um filme sobre amor gay, O Amor é Estranho fala sobre envelhecer junto, sobre como instituições e decisões externas podem atravessar a vida íntima de um casal e sobre o peso de continuar existindo quando o mundo ao redor parece não ter espaço. É um cinema de pausa, de escuta e de empatia.

Outras estreias que ampliam o catálogo

A chegada do filme marca mais uma atualização relevante no catálogo da FILMICCA. A plataforma também estreia títulos como Praia Formosa (2024), de Julia de Simone, Mundo Invisível (2011), projeto coletivo sobre a invisibilidade no mundo contemporâneo, e A Hora da Libertação Chegou (1974), de Heiny Srour, registro histórico raro da luta guerrilheira em Omã.

Giuliano Peccilli
Giuliano Peccillihttp://www.jwave.com.br
Editor do JWave, Podcaster e Gamer nas horas vagas. Também trabalhou na Anime Do, Anime Pró, Neo Tokyo, Nintendo World e Jornal Nippon Já.

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