Carol Roberto já não é exatamente uma novidade para quem acompanha musicais no Brasil. Mas a partir de 26 de fevereiro, no Teatro Santander, ela entra em outro patamar. Aos 20 anos, a atriz estreia como Tina Turner em Tina Turner O Musical e se torna a artista mais jovem do mundo a viver a cantora nos palcos. Não é só um dado curioso. É um daqueles fatos que mudam a percepção de escala do teatro musical brasileiro.
Alternando o papel com Analu Pimenta, Carol encara um personagem que não aceita interpretação morna. Tina não é só voz, é corpo em estado de alerta, história marcada por violência, reinvenção e uma carreira que atropelou qualquer limite imposto pela indústria. E é justamente aí que a escolha da atriz chama atenção.
Quando idade deixa de ser limite
Em vez de tentar “imitar” Tina Turner, Carol aposta em presença. A juventude não suaviza a personagem, pelo contrário: cria um contraste interessante entre fragilidade e força. Em cena, o que se vê é uma Tina em construção, atravessando dor, abusos e a necessidade de se refazer artisticamente.
A própria atriz resume bem o espírito do desafio ao lembrar uma frase da cantora: transformar veneno em remédio. No palco, isso se traduz em um trabalho físico intenso e emocionalmente exposto, que dialoga direto com o público, especialmente mulheres que se reconhecem nessa trajetória de ruptura e sobrevivência.
De promessa a protagonista global
Mesmo com pouca idade, Carol Roberto chega ao musical com um currículo que explica por que ela foi escolhida. Já passou por produções de grande porte como Hairspray, Dreamgirls, Meninas Malvadas e Marrom O Musical de Alcione. No cinema, integrou o elenco de Turma da Mônica Jovem: Reflexos do Medo. Na TV, ganhou projeção nacional no The Voice Kids Brasil.
Some a isso um histórico forte na dublagem, incluindo Nala no live action de O Rei Leão e personagens de franquias conhecidas do público jovem. Tudo isso ajuda a entender por que sua Tina não soa como aposta, mas como movimento calculado.
Um musical que chega com lastro e não só fama
Tina Turner O Musical não nasceu ontem. Criado em Londres, o espetáculo estreou em 2018 e virou um fenômeno de bilheteria no West End antes de rodar o mundo, passando pela Broadway, Europa e Austrália. A versão brasileira mantém o núcleo criativo internacional, com direção de Phyllida Lloyd e texto de Katori Hall, vencedora do Pulitzer.
A encenação aposta menos em reverência engessada e mais em narrativa direta. A trilha está lá, com clássicos como The Best e What’s Love Got To Do With It?, mas o foco é contar a história de uma artista que precisou se reconstruir várias vezes para existir.
No Brasil, o musical entra em cartaz no Teatro Santander, espaço já acostumado a produções desse porte. Ainda assim, o diferencial está menos na estrutura e mais na leitura que o elenco imprime.
Serviço: “Tina – Tina Turner – O Musical”
Estreia: 26 de fevereiro
Local: Teatro Santander – Av. Pres. Juscelino Kubitschek, 2041, Itaim Bibi, São Paulo Ingressos: https://bileto.sympla.com.br/event/113220
Crédito das fotos: Nico Campos


