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Cinzas do Norte | Coiote compra direitos do romance de Milton Hatoum

Produtora aposta em adaptação de um dos livros mais fortes da literatura brasileira recente, com direção de Sérgio Machado

A Coiote deu um passo importante em sua estratégia de adaptações literárias ao adquirir os direitos de Cinzas do Norte, romance de Milton Hatoum publicado em 2005. O projeto ainda está em fase inicial, mas já tem um nome de peso confirmado na direção: Sérgio Machado.

Sem anunciar formato, elenco ou plataforma, a produtora sinaliza desde já a ambição do projeto. Não é um título simples de adaptar, nem pelo contexto histórico nem pelo peso simbólico que o livro carrega dentro da literatura brasileira contemporânea.

Um romance atravessado pela história

Ambientado nos primeiros anos da ditadura militar, Cinzas do Norte acompanha transformações profundas em Manaus, em especial a implantação da Zona Franca e o surgimento da Cidade Nova, hoje o bairro mais populoso da capital amazonense. Mas o livro nunca se limita ao pano de fundo político ou urbano.

Hatoum define o romance como uma “educação sentimental”, e é exatamente aí que mora sua força. A narrativa trabalha memória, amizade, ressentimento e herança familiar, usando a cidade e o período histórico como forças que moldam os personagens. É uma obra que fala de formação pessoal tanto quanto de um país em transformação.

O reconhecimento veio cedo. O livro rendeu a Hatoum seu terceiro Prêmio Jabuti, vencendo em 2006 na categoria de Melhor Romance, e consolidou o autor como uma das vozes centrais da ficção brasileira do século XXI.

Sérgio Machado no comando

A escolha de Sérgio Machado ajuda a entender o caminho que a adaptação pode seguir. Diretor de Cidade Baixa e Rio do Desejo, Machado tem histórico de trabalhar personagens atravessados por desejo, conflito social e tensão política, temas que dialogam diretamente com o universo de Cinzas do Norte.

Ainda não há detalhes sobre abordagem estética ou estrutura narrativa, mas a combinação de obra e diretor sugere um projeto mais interessado em atmosfera e complexidade emocional do que em uma leitura didática da história.

Coiote amplia aposta em adaptações

Fundada por Gil Ribeiro, Marcia Vinci e Margarida Ribeiro, a Coiote atua desde 2017 e vem se consolidando como uma das produtoras brasileiras mais atentas ao cruzamento entre conteúdo autoral e plataformas de streaming. No currículo estão títulos como Mulher da Casa Abandonada e Maria e o Cangaço, além de parcerias com players como Amazon Prime Video, Disney+, Paramount+, HBO Max e GNT.

A aquisição de Cinzas do Norte reforça esse movimento de buscar histórias com densidade cultural e potencial de diálogo internacional, sem abrir mão de um olhar profundamente brasileiro.

Agora, resta acompanhar os próximos passos. Se bem conduzida, a adaptação tem tudo para colocar Manaus, a literatura de Hatoum e um período pouco explorado da história recente do país no centro de uma narrativa audiovisual à altura do livro.

Giuliano Peccilli
Giuliano Peccillihttp://www.jwave.com.br
Editor do JWave, Podcaster e Gamer nas horas vagas. Também trabalhou na Anime Do, Anime Pró, Neo Tokyo, Nintendo World e Jornal Nippon Já.

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