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Festival de Cinema Brasileiro de Paris celebra “Da Lata – 30 Anos” com Fernanda Abreu em sessão especial

Documentário revisita um dos discos mais influentes dos anos 90 e leva música brasileira, memória e debate cultural ao público francês.

O 28º Festival de Cinema Brasileiro de Paris confirmou uma sessão especial de “Da Lata – 30 Anos”, documentário que revisita o álbum que mudou a forma como a música pop brasileira dialoga com a cidade, o corpo e a tecnologia. A exibição acontece entre os dias 7 e 14 de abril de 2026, no cinema L’Arlequin, e contará com a presença de Fernanda Abreu, além do diretor Paulo Severo e do músico Tuto Ferraz, responsável pela trilha do filme.

Lançado originalmente em 1995, Da Lata não só marcou a discografia de Fernanda Abreu como ajudou a redefinir o pop nacional. Batucada urbana, funk, samba, música eletrônica e crítica social se misturaram em um disco que falava diretamente com o Brasil das grandes cidades e que ainda ecoa em produções atuais. Hits como “Garota Sangue Bom”, “Veneno da Lata” e “Brasil é o País do Suingue” atravessaram gerações e viraram referência.

Um disco que virou documento histórico

Dirigido por Paulo Severo, o documentário mergulha em um acervo de imagens inéditas registradas durante a criação do álbum. O filme acompanha desde as gravações nos estúdios Nas Nuvens e Discover, no Rio de Janeiro, até a mixagem no Soul II Soul Studio, em Londres. Também entram em cena os bastidores dos videoclipes, a famosa sessão de fotos assinada por Walter Carvalho e registros de shows emblemáticos, como no Canecão e no Festival de Montreux.

Mas o filme não se limita à nostalgia. Ao reunir 33 depoimentos atuais — que vão de Herbert Vianna ao poeta Chacal —, Da Lata – 30 Anos constrói um retrato amplo do processo criativo e da lógica de produção da música pop brasileira nos anos 90, um período de transição tecnológica e estética que moldou o que veio depois.

Música, imagem e identidade brasileira

Outro eixo forte do documentário é o visual. A estética de Fernanda Abreu, marcada por referências futuristas, urbanas e artísticas — com ecos que vão do imaginário tecnológico ao trabalho de Bispo do Rosário — ganha destaque como parte essencial do impacto do disco. Música e imagem caminham juntas, ajudando a explicar por que Da Lata não foi apenas um álbum, mas um projeto cultural completo.

A sessão integra a Sessão Especial Embratur – Turismo, Música & Cinema, que celebra três anos de parceria entre a Embratur e o festival. Mais do que uma homenagem, a exibição funciona como vitrine internacional para a música brasileira e para um momento criativo que ainda influencia artistas, produtores e a forma como o Brasil se enxerga culturalmente.

Trinta anos depois, Da Lata segue atual. E vê-lo ganhar vida em Paris, com sua criadora presente, reforça algo que o disco já dizia lá atrás: o Brasil urbano, plural e musical sempre teve muito a dizer — e ainda tem.

Giuliano Peccilli
Giuliano Peccillihttp://www.jwave.com.br
Editor do JWave, Podcaster e Gamer nas horas vagas. Também trabalhou na Anime Do, Anime Pró, Neo Tokyo, Nintendo World e Jornal Nippon Já.

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