Existe um tipo de história que não precisa de grandes reviravoltas para funcionar. Basta um conflito íntimo, personagens que se chocam e algo aparentemente simples que vira símbolo de tudo o que ficou mal resolvido. O Velho Fusca parte exatamente daí. Com estreia marcada para 19 de março, o longa acaba de ganhar trailer e pôster oficiais e deixa claro que sua força está menos na comédia escancarada e mais no afeto que se constrói aos poucos.
Dirigido por Emiliano Ruschel, o filme se passa no Rio de Janeiro e acompanha o encontro (nada tranquilo) entre um avô e um neto separados por visões de mundo, memórias traumáticas e uma dificuldade enorme de falar sobre sentimentos. O elo improvável entre os dois é um velho Fusca esquecido na garagem, que acaba funcionando como catalisador para reabrir feridas, mas também para criar pontes.
Um carro, duas gerações e muitos silêncios

Na trama, Tonico Pereira vive um avô endurecido por um passado marcado pela violência e pela experiência precoce da guerra. Amargo, isolado e pouco disposto a compreender o presente, ele enxerga a geração mais nova como frágil demais. Do outro lado está Junior, interpretado por Caio Manhente, um jovem sensível que tenta encontrar seu lugar no mundo enquanto aprende a lidar com um avô que se comunica mais pelo sarcasmo do que pelo afeto.
O Fusca abandonado vira objeto de desejo, mas também metáfora. Para conquistar o carro, Junior precisa encarar algo mais complexo do que ferrugem e motor parado: o passado emocional do avô e as marcas que ele nunca conseguiu elaborar. A restauração do veículo corre em paralelo à tentativa de reconstruir vínculos familiares rompidos há décadas.
Trailer
Elenco amplo, Rio como personagem e música como identidade
Além do eixo central entre avô e neto, o filme se apoia em um elenco numeroso e bem conhecido do público. Cleo Pires e Danton Mello voltam a contracenar, agora como os pais de Junior, enquanto nomes como Christian Malheiros, Giovanna Chaves, Isaías Silva e Yuri Marçal ajudam a dar novos contornos à narrativa.
O Rio de Janeiro não aparece apenas como pano de fundo. Locações como a Urca, a luz natural da cidade e o clima de bairro ajudam a transformar a cidade em um personagem ativo da história. Essa identidade carioca também se reflete na trilha sonora, que mistura gerações ao reunir vozes como Jorge Aragão, Teresa Cristina, Diogo Nogueira, Xande de Pilares, Péricles, além de Jorge Vercillo e do rapper PK.
O Velho Fusca estará a partir de 19 de março nos cinemas.


