O Instituto Moreira Salles Paulista mantém em cartaz uma mostra dedicada à diretora Agnès Varda, exibindo 12 filmes que atravessam diferentes fases da carreira da cineasta francesa. A programação acontece no Cinema do IMS e dialoga com a exposição em cartaz no centro cultural, reunindo produções entre curtas, médias e longas metragens que destacam o olhar documental e humano característico da diretora.
Entre os títulos exibidos está Visages, villages (2017), indicado ao Oscar de Melhor Documentário. O filme foi dirigido por Varda ao lado do artista visual JR e acompanha uma viagem pelo interior da França. Durante o percurso, os dois registram moradores das cidades visitadas e transformam suas imagens em grandes murais instalados nos espaços públicos.
A cineasta costumava destacar o papel do acaso na construção de seus documentários. Durante a produção de Visages, villages, Varda explicou que encontros inesperados e situações imprevistas muitas vezes conduzem o rumo da narrativa, algo que se tornou uma marca de sua filmografia.
Clássicos documentais e experimentais na programação
Outro destaque da mostra é Os catadores e eu (1999), em que Varda entrevista pessoas que vivem de recolher objetos descartados, alimentos e materiais abandonados. O filme mistura observação social e reflexões pessoais da diretora, reforçando o interesse constante da cineasta por personagens à margem da sociedade.
Já Documentira (1981) acompanha uma mulher recém divorciada que tenta reorganizar a vida em Los Angeles enquanto procura um lugar para viver com o filho. O longa apresenta uma abordagem mais intimista e próxima da ficção.
Também fazem parte da programação títulos como Tio Yanco (1967), em que Varda registra o encontro com um tio que nunca havia conhecido, e Ulisses (1982), construído a partir de uma fotografia tirada pela diretora em 1954.
Completam a seleção os filmes Saudações, cubanos! (1963), Ao longo da costa (1958), As garotas fazem 25 anos (1993), Jacquot de Nantes (1991), Amor e prazer no Irã (1976), A Ópera Mouffe (1958) e Os amantes da Ponte Mac Donald (1962).
Cinema do IMS amplia programação com estreias e clássicos restaurados
Além da homenagem a Varda, o cinema do IMS Paulista também apresenta novos títulos e filmes clássicos restaurados. Entre as estreias está Arco (2025), animação dirigida por Ugo Bienvenu e Gilles Cazaux. A história acompanha um menino de dez anos vindo de um futuro distante que retorna ao ano de 2075 e tenta encontrar uma forma de voltar ao seu próprio tempo com a ajuda de uma garota chamada Iris e um robô.
Outro lançamento é Narciso (2025), dirigido por Jeferson De. O filme acompanha um menino negro que vive em um abrigo e recebe de um amigo uma bola de basquete capaz de invocar um gênio. Ao pedir uma família, ele descobre que o desejo será realizado apenas se aceitar nunca mais ver o próprio reflexo.
Também entram em cartaz A vida secreta de meus três homens (2025), de Letícia Simões, e A mensageira (2025), dirigido por Iván Fund.
Entre os clássicos exibidos em cópias restauradas estão São Paulo Sociedade Anônima (1965), de Luiz Sergio Person, que retrata a trajetória de um empresário durante o crescimento industrial da capital paulista, e Eu, tu, ele, ela (1975), obra experimental da diretora belga Chantal Akerman.
A programação ainda mantém em cartaz filmes recentes como Foi apenas um acidente (2025), de Jafar Panahi, A única saída (2025), de Park Chan wook, e Sirât (2025), dirigido por Oliver Laxe.
Serviço
Evento: Mostra Agnès Varda
Local: Instituto Moreira Salles Paulista
Cidade: São Paulo
Formato: exibição de filmes em cinema
Quantidade de títulos da mostra: 12
Diretora homenageada: Agnès Varda
Destaque da programação: Visages, villages (2017)
Outros títulos exibidos: Os catadores e eu (1999), Documentira (1981), Tio Yanco (1967), Ulisses (1982) e outros títulos da filmografia da cineasta.


