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Backrooms: Um Não-Lugar chega aos cinemas nesta quinta (28) com o horror que não precisa de monstros

Longa de estreia de Kane Parsons pela A24 transforma o fenômeno dos espaços liminares em cinema com Chiwetel Ejiofor e Renate Reinsve

Existe um tipo de medo que nenhum jumpscare consegue replicar. É aquele que bate quando você atravessa um corredor de shopping fechado, quando fica sozinho num lobby de hotel às três da manhã, quando reconhece um ambiente sem conseguir lembrar de onde. Esse desconforto específico tem nome: horror liminar. E é exatamente ele que Backrooms: Um Não-Lugar, estreia de Kane Parsons pela A24, coloca na tela grande a partir desta quinta-feira, 28 de maio, com distribuição da Imagem Filmes.

Parsons ficou conhecido por uma série de curtas virais sobre as Backrooms, ambientes de escritório infinitos e sem propósito que se tornaram um dos fenômenos de horror da internet. O longa expande esse universo com produção de James Wan e Shawn Levy, roteiro de Will Soodik de Westworld, e elenco encabeçado por Chiwetel Ejiofor e Renate Reinsve.

O que é horror liminar

O termo descreve espaços criados pelo homem que perderam sua função original. Corredores vazios, estacionamentos silenciosos, salas de espera fora de hora. Ambientes que o cérebro reconhece como familiares mas que, esvaziados de propósito e de pessoas, passam a provocar uma sensação de que algo está errado sem que seja possível apontar o quê.

A força do subgênero está exatamente nessa distorção do familiar. Parsons descreveu o apelo desses espaços como um presente que arma armadilhas com o passado, usando a nostalgia como isca. As fotos granuladas da infância têm a mesma textura das imagens que tornaram as Backrooms virais, e esse cruzamento entre memória afetiva e desorientação espacial produz uma angústia difícil de nomear.

O filme

Clark, interpretado por Ejiofor, é um vendedor de móveis em crise silenciosa que descobre um portal nos fundos da loja e é arrastado para um labirinto de ambientes de escritório que não deveriam existir. Sua terapeuta, a Dra. Mary Kline vivida por Reinsve, vai atrás dele carregando traumas próprios. O que os dois encontram nas Backrooms não é apenas um espaço impossível, é o reflexo amplificado do isolamento que já os consumia do lado de fora.

Para Parsons, o horror liminar é sintoma de algo maior. Em entrevista ao Los Angeles Times, ele conectou esses espaços a uma ansiedade coletiva sobre isolamento, falta de propósito e desconexão com o mundo exterior. As Backrooms, nessa leitura, não são um portal para o desconhecido. São um espelho.

Backrooms: Um Não-Lugar estreia nesta quinta-feira, 28 de maio, nos cinemas de todo o Brasil.

Giuliano Peccilli
Giuliano Peccillihttp://www.jwave.com.br
Editor do JWave, Podcaster e Gamer nas horas vagas. Também trabalhou na Anime Do, Anime Pró, Neo Tokyo, Nintendo World e Jornal Nippon Já.

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