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Mostra Ecofalante reúne 104 filmes de 27 países em São Paulo com entrada gratuita

15ª edição do festival, de 28 de maio a 10 de junho, homenageia produtora Zita Carvalhosa e traz produções com Leonardo DiCaprio e Ang Lee, além do primeiro documentário de Lucrecia Martel

A maior mostra de cinema socioambiental da América do Sul volta a São Paulo com sua edição mais ampla. A 15ª Mostra Ecofalante de Cinema acontece de 28 de maio a 10 de junho de 2026, exibindo 104 filmes de 27 países em sessões totalmente gratuitas no Reserva Cultural, no Centro Cultural São Paulo e em mais 28 espaços do Circuito Spcine. Debates, masterclasses e oficinas completam a programação, que também fica parcialmente disponível nas plataformas Itaú Cultural Play e Spcine Play.

A edição deste ano tem como grande homenageada a produtora paulista Zita Carvalhosa (1960-2025), figura central do audiovisual brasileiro que comandou o Kinoforum, assinou a produção executiva de 59 obras e formou gerações de realizadores pelas Oficinas Kinoforum. A seleção em sua homenagem inclui filmes com direção de Jeferson De, Carolina Markowicz, Aurélio Michiles e José Roberto Torero, cobrindo produções de 1994 a 2022.

Destaques internacionais e nomes de peso

O filme de abertura, exibido em 27 de maio exclusivamente para convidados, é O Urso Inconveniente, coprodução EUA e Reino Unido vencedora do grande prêmio do júri para documentários no Festival de Sundance deste ano. Dirigido por Gabriela Osio Vanden e Jack Weisman, o longa acompanha a migração de um urso polar que se aproxima de áreas habitadas, colocando em tensão a sobrevivência animal e os interesses humanos.

Entre os títulos de maior repercussão estão dois filmes com produtores executivos de peso. Leonardo DiCaprio está na equipe de O Grande Lago Salgado, dirigido por Abby Ellis e vencedor de prêmio especial do júri no Sundance, que documenta o secamento do Great Salt Lake nos EUA e a nuvem de poeira tóxica que ameaça a região metropolitana ao redor. Já Ang Lee, duas vezes vencedor do Oscar de Melhor Diretor, é produtor executivo de À Deriva: 76 Dias Perdido no Mar, sobre a épica sobrevivência do velejador Steven Callahan após seu barco ser atingido e afundar no meio do Atlântico.

Outro destaque inédito é Nossa Terra, primeiro documentário da aclamada cineasta argentina Lucrecia Martel, diretora de O Pântano, A Menina Santa e Zama. O longa, premiado nos festivais de Locarno e BFI London, retrata o assassinato de um líder indígena da comunidade Chuschagasta durante uma expulsão forçada de suas terras, traçando o legado colonialista do roubo de territórios na América Latina. Ainda inédito em São Paulo, o filme é descrito pela The Hollywood Reporter como uma “crônica contundente” e um “documentário visualmente esplêndido”.

Cinema brasileiro em première mundial

A competição nacional reserva um momento especial: Arquivo Vivo, de Vincent Carelli, diretor de Corumbiara e Martírio, tem première mundial na Mostra Ecofalante. O longa revisita 40 anos de atuação do projeto Vídeo nas Aldeias junto a comunidades indígenas, devolvendo às novas gerações dessas populações as imagens captadas ao longo de quatro décadas junto aos povos Nambikwara Mamaindê, Gavião Parkatejê, Enawenê-Nawê e outros. O filme concorre na mostra competitiva Territórios e Memória, ao lado de outros 11 longas e 19 curtas brasileiros.

Outros títulos em competição abordam desde a colonização militar da Amazônia nos anos 1970 (Amazônia Oktoberfesta) até uma distopia de ficção científica ambientada no Rio Grande do Sul pós-enchentes de 2024 (Futuro Futuro, de Davi Pretto), passando pelo documentário sobre as eleições de 2022 e a luta indígena na Amazônia assinado por João Moreira Salles em parceria com o Coletivo Lakapoy (Minha Terra Estrangeira).

Debates, Panorama Histórico e masterclass

A programação de debates cobre emergência climática, conflitos no Oriente Médio, colonialismo, feminismo, saúde mental e democracia, com participação de pesquisadores como o físico Paulo Artaxo (USP) e o cientista José Antonio Marengo (Cemaden). O Panorama Histórico desta edição é dedicado ao legado do Seminário Flaherty, incluindo a versão restaurada de Nanook, o Esquimó (1922), o Oscar de documentário Harlan County: Tragédia Americana (1976) e o inédito Sombras Reveladas (2025), que examina o papel central de Frances Hubbard Flaherty na construção da obra do marido. O diretor do filme, Sami van Ingen, bisneto do casal Flaherty, ministra masterclass em São Paulo.

A 15ª Mostra Ecofalante de Cinema acontece de 28 de maio a 10 de junho, sempre com entrada gratuita, no Reserva Cultural (Av. Paulista, 900), Centro Cultural São Paulo (Rua Vergueiro, 1000) e nos 28 espaços do Circuito Spcine. Programação completa em ecofalante.org.br.

Giuliano Peccilli
Giuliano Peccillihttp://www.jwave.com.br
Editor do JWave, Podcaster e Gamer nas horas vagas. Também trabalhou na Anime Do, Anime Pró, Neo Tokyo, Nintendo World e Jornal Nippon Já.

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