O cinema de gênero brasileiro ganha mais um representante no circuito de festivais com MAPAS, primeiro longa-metragem dirigido por Rafael Lobo. Selecionado para a Mostra Competitiva de Longas-Metragens do Cine/PE, o filme terá sua estreia nacional nesta quinta-feira, 4 de junho, no Recife.
Produzido pela Machado Filmes em parceria com a Tao Luz e Movimento e a Levante Filmes, o longa mergulha em uma Brasília fantasmagórica, onde passado e presente se confundem em meio a ruínas, desaparecimentos e memórias soterradas sob o Lago Paranoá.
A trama acompanha a professora Júlia e o estudante Sérgio durante a busca por Rebeca, uma cicloativista desaparecida. Conforme a investigação avança, os personagens chegam às ruínas da Vila Amaury, antigo povoado que abrigava trabalhadores envolvidos na construção de Brasília antes da região ser inundada para a criação do lago artificial da capital.
Entre elementos sobrenaturais e referências ao horror psicológico, MAPAS usa fantasmas e símbolos místicos para discutir os traumas históricos da cidade e os silêncios deixados pela narrativa oficial sobre a construção de Brasília.
Segundo Rafael Lobo, o longa nasce tanto de sua ligação pessoal com a capital federal quanto de sua relação antiga com o cinema de horror. Pesquisador da obra de David Cronenberg, o diretor utiliza o fantástico como ferramenta para explorar conflitos emocionais e memórias reprimidas.
“O filme está menos interessado no susto sobrenatural e mais em construir uma metáfora psicológica para os conflitos dos personagens e para as cicatrizes da história de Brasília”, explica o cineasta.
O elenco reúne nomes como Beta Rangel, Caique Copque, Bianca Terraza, Murilo Grossi e Chico Sant’Anna. A direção de fotografia é assinada por Emília Silberstein, enquanto a trilha sonora fica por conta de Ricardo Ponte e Olivia Hernández.

Com atmosfera densa e influências que passam pelo horror autoral e pelo cinema fantástico contemporâneo, MAPAS aposta em uma abordagem incomum para revisitar a origem da capital federal brasileira, transformando Brasília em cenário e personagem de uma narrativa marcada por ruínas, memória e assombração.


