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Review | Um dos melhores RPGS da franquia, Digimon Story: Time Stranger chega ao Nintendo Switch 2

Lançado originalmente em 2025 para PlayStation 5, Xbox Series X|S, Nintendo Switch e PC, Digimon Story: Time Stranger finalmente estreia no Nintendo Switch 2, levando um dos melhores RPGs da franquia para o novo console da Nintendo.

Se você cresceu nos anos 2000 durante a rivalidade entre Pokémon e Digimon, sabe que ambas as franquias não disputavam espaço apenas na televisão, mas também nos videogames. A grande diferença é que Digimon nunca teve medo de ousar. Enquanto Pokémon sempre apostou em uma fórmula mais tradicional, Digimon preferiu envelhecer seus protagonistas, explorar temas mais maduros e experimentar diferentes gêneros ao longo dos anos. É justamente nessa ousadia que Digimon Story: Time Stranger encontra sua maior qualidade, entregando um jogo tão diferente que, em muitos momentos, nem parece um título da franquia.

Enquanto Pokémon recebia novos jogos praticamente todos os anos, a série Digimon Story caminhava em um ritmo muito mais lento. Depois do lançamento de Digimon Story: Cyber Sleuth – Hacker’s Memory, em 2017, a franquia entrou em um longo período de silêncio. Foram oito anos até que Digimon Story: Time Stranger finalmente chegasse ao mercado, em 2025, trazendo de volta uma das séries de RPG mais queridas pelos fãs da marca.

E a espera valeu a pena.

Misturando influências que vão de Persona ao universo dos tokusatsu, principalmente Kamen Rider, o novo Digimon Story aposta em uma narrativa de investigação, protagonistas adultos e uma abordagem muito mais madura do que boa parte dos jogos da franquia. Ao mesmo tempo, preserva diversas características que sempre fizeram parte da identidade de Digimon, criando um equilíbrio interessante entre tradição e renovação.

Agora, pouco menos de um ano depois, o jogo finalmente desembarca no Nintendo Switch 2 e continua sendo uma excelente porta de entrada para quem deseja conhecer o universo de Digimon. E mesmo que você sempre tenha sido do “time Pokémon”, vale a pena dar uma chance. Time Stranger mostra que Digimon ainda tem muito espaço dentro do gênero de RPG japonês e, talvez mais importante do que isso, prova que nunca precisou copiar ninguém para encontrar sua própria identidade.

Mas você precisa conhecer Digimon?

Essa talvez seja a maior dúvida de quem nunca acompanhou a franquia. E a resposta é simples: não.

Apesar de trazer diversas referências para os fãs mais antigos, Digimon Story: Time Stranger apresenta uma história completamente inédita, com personagens próprios e uma narrativa construída para receber novos jogadores. Você aprende sobre esse universo junto com o protagonista, sem precisar conhecer os acontecimentos de jogos anteriores.

Estranhos fenômenos digitais começam a afetar Tóquio, levando um agente da organização ADAMAS a investigar uma ameaça que ultrapassa os limites entre o mundo humano e o Mundo Digital. Ao conhecer novos aliados e enfrentar poderosos Digimon, o protagonista embarca em uma jornada repleta de mistérios, escolhas e descobertas que podem mudar o destino de ambos os mundos.

É uma história que mistura investigação, conspirações, ficção científica e diversos momentos de tensão, conseguindo manter um bom ritmo durante praticamente toda a campanha. Sem entrar em spoilers, é justamente a partir dos acontecimentos das primeiras horas que a aventura realmente encontra seu ritmo e mostra por que Time Stranger possui uma das narrativas mais interessantes já produzidas dentro da série Story.

Muito mais RPG do que Digimon

Giuliano Peccilli

Mesmo carregando o nome Digimon, Time Stranger faz questão de mostrar, desde os primeiros minutos, que sua prioridade é ser um grande JRPG.

Com sistema de batalhas por turnos, exploração, evolução constante dos personagens e uma narrativa cheia de reviravoltas, o jogo parece conversar muito mais com quem gosta de RPGs japoneses do que apenas com quem assistiu ao anime.

É impossível não lembrar de Persona em diversos momentos da aventura. A estrutura narrativa, o foco nos personagens e até mesmo o ritmo da campanha lembram bastante a série da Atlus, mas sem perder a própria personalidade.

Ao mesmo tempo, quem acompanha produções de tokusatsu provavelmente vai notar algumas referências bastante curiosas. O protagonista trabalha investigando casos misteriosos, utiliza um visual bastante característico e, em vários momentos, lembra heróis clássicos de Kamen Rider. Seja intencional ou não, é difícil não pensar em séries como Kamen Rider W ou Kamen Rider Build, principalmente pelo clima investigativo que acompanha boa parte da campanha.

Essas inspirações, no entanto, nunca tiram a identidade de Digimon. Pelo contrário. Elas ajudam a construir um jogo muito mais maduro do que boa parte do público talvez espere encontrar, mostrando que a franquia continua disposta a experimentar novas ideias.

E é justamente essa coragem que faz Digimon Story: Time Stranger se destacar. Ao invés de seguir um caminho seguro, ele prefere contar uma história própria, explorar temas mais adultos e entregar uma experiência que consegue agradar tanto quem cresceu acompanhando Digimon quanto quem simplesmente procura um bom RPG japonês.

Jogabilidade

Giuliano Peccilli

Mas precisamos lembrar que Digimon Story: Time Stranger, mesmo trazendo tantas influências de outros JRPGs, continua sendo um jogo de Digimon. E isso significa que capturar novas criaturas, evoluí-las e montar equipes continua sendo parte fundamental da experiência. Sem isso, simplesmente não existe Digimon.

Seja sintetizando novos monstrinhos digitais ou evoluindo aqueles que já fazem parte da sua equipe, o jogador passa boa parte da campanha montando diferentes times de acordo com seu progresso. A variedade é enorme e dificilmente você terminará a aventura utilizando exatamente os mesmos Digimon do começo ao fim. Sempre existe uma nova evolução para desbloquear ou uma criatura diferente para experimentar.

Outro detalhe interessante é que muitos Digimon deixam de ser apenas integrantes da equipe e passam a participar diretamente da exploração. Alguns ajudam a abrir caminhos durante a campanha, enquanto outros servem como meio de transporte pelo mapa, seja em terra, no ar ou em determinadas áreas específicas. É uma maneira inteligente de fazer com que eles tenham utilidade não apenas durante as batalhas, mas também durante a exploração do Mundo Digital.

O próprio sistema incentiva constantemente o jogador a experimentar novas combinações. Como cada Digimon possui habilidades, atributos e linhas evolutivas diferentes, dificilmente duas equipes serão iguais. Existe sempre aquela curiosidade de descobrir no que determinado Digimon pode evoluir ou quais estratégias funcionam melhor para enfrentar os próximos desafios.

As batalhas seguem o tradicional sistema por turnos, clássico tanto de Digimon quanto de outros grandes RPGs japoneses, mas estão longe de serem repetitivas. Cada Digimon possui características próprias, vantagens elementais e habilidades específicas que realmente fazem diferença durante os confrontos. Isso faz com que vencer dependa muito mais da estratégia adotada e da composição da equipe do que simplesmente do nível dos personagens.

Outro ponto que merece destaque é o sistema de evolução. Ao invés de seguir um caminho único e previsível, cada Digimon apresenta diversas possibilidades de Digievolução. Antes de tomar qualquer decisão, vale a pena analisar com calma quais habilidades serão adquiridas e se aquela nova forma realmente combina com o estilo da sua equipe. É justamente essa liberdade que faz com que o jogador queira experimentar constantemente novas combinações e continue evoluindo seus Digimon durante toda a campanha.

Localização em português

Giuliano Peccilli

Aqui temos que reconhecer um mérito da Bandai Namco de que Digimon Story: Time Stranger chega totalmente localizado para o português brasileiro, trazendo menus, legendas e uma tradução de excelente qualidade, enquanto mantém o áudio original em japonês.

Pode parecer um detalhe simples, mas faz toda a diferença para quem deseja acompanhar uma história tão rica em diálogos quanto esta. Como boa parte da narrativa depende das relações entre os personagens e das diversas explicações envolvendo o Mundo Digital, jogar em português torna toda a experiência muito mais acessível.

Chega até a ser curioso perceber que Digimon já oferece localização completa para o nosso idioma, enquanto outras grandes franquias japonesas ainda caminham lentamente nesse aspecto. Mais do que traduzir textos, a Bandai Namco facilita a entrada de novos jogadores e demonstra um cuidado importante com o público brasileiro.

Um presente para quem cresceu com Digimon

Giuliano Peccilli

Mesmo sendo uma aventura completamente inédita, Digimon Story: Time Stranger funciona como um verdadeiro presente para quem cresceu acompanhando a franquia.

Ao longo da campanha encontramos Digimon clássicos, uma trilha sonora marcante e diversos momentos capazes de despertar aquela sensação de nostalgia, mas sem depender exclusivamente dela para conquistar o jogador. Pelo contrário: a história se sustenta por mérito próprio e faz com que essas referências funcionem como um bônus para quem já conhece esse universo.

Outro ponto positivo é que o jogo nunca trata Digimon como uma franquia exclusivamente infantil. Seus personagens enfrentam conflitos mais maduros, discutem responsabilidade, perdas e amizade de uma maneira bastante natural, acompanhando também o crescimento do próprio público que conheceu Digimon há mais de vinte anos.

Talvez seja justamente essa a maior qualidade de Time Stranger: respeitar quem cresceu com a franquia sem deixar de receber quem está chegando agora.

E como ficou no Nintendo Switch 2?

Giuliano Peccilli

A chegada ao Nintendo Switch 2 era aguardada desde o lançamento original e, felizmente, a espera valeu a pena.

Além de aproveitar melhor o novo hardware da Nintendo, o jogo oferece dois modos gráficos, permitindo ao jogador escolher entre priorizar resolução ou desempenho. Independentemente da escolha, a experiência se mostra bastante consistente tanto na TV quanto no modo portátil.

E talvez esse seja um dos maiores elogios que posso fazer à versão de Switch 2.

Time Stranger parece ter encontrado no console híbrido da Nintendo uma casa perfeita. É aquele tipo de RPG que convida o jogador a avançar mais uma missão antes de desligar o videogame e que funciona tão bem em longas sessões na televisão quanto em pequenos períodos jogando no modo portátil.

Comparado ao Nintendo Switch original, as melhorias são perceptíveis. O desempenho é mais estável, os tempos de carregamento diminuíram e toda a experiência transmite a sensação de que esta realmente é a melhor forma de jogar Time Stranger dentro do ecossistema Nintendo.

Veredito

Giuliano Peccilli

Lançado originalmente em 2025, Digimon Story: Time Stranger não vive apenas de nostalgia. Pelo contrário. Ele mostra que a franquia continua evoluindo e ainda é capaz de entregar um RPG completo, com uma narrativa madura, personagens carismáticos e um sistema de batalhas que recompensa estratégia e experimentação durante toda a campanha.

É verdade que, ao abraçar completamente a estrutura dos JRPGs, o jogo também exige dedicação. São dezenas de horas de campanha, muitos diálogos e uma progressão que acontece de forma mais cadenciada do que em outros títulos do gênero. Mas, sinceramente, isso dificilmente será um problema para quem procura justamente um RPG longo e cheio de conteúdo.

Com uma boa localização em português, uma história repleta de reviravoltas e um sistema de evolução extremamente viciante, Digimon Story: Time Stranger representa não apenas uma importante evolução para a série Story, mas também um excelente ponto de entrada para quem nunca teve contato com a franquia.

E talvez exista uma ironia bastante interessante nisso tudo.

Durante muitos anos, Digimon viveu sendo comparado a Pokémon. Depois de terminar Digimon Story: Time Stranger, fica claro que essa comparação já não faz muito sentido.

Enquanto Pokémon continua seguindo um caminho bastante tradicional, Digimon escolheu experimentar, amadurecer e contar histórias diferentes. O resultado é um RPG que entende perfeitamente sua própria identidade e que mostra, mais uma vez, que a franquia nunca precisou tentar ser Pokémon para encontrar o seu lugar.

Ficha Técnica

Nota: 4,5 (de 5)

Jogo: Digimon Story: Time Stranger
Desenvolvedora: Media.Vision
Distribuidora: Bandai Namco Entertainment
Diretor: Yusuke Tomono
Produtor: Ryosuke Hara
Design de personagens: Suzuhito Yasuda
Trilha sonora: Masafumi Takada
Série: Digimon Story
Gênero: RPG (Role-Playing Game)
Modo de jogo: Single-player
Plataformas: PlayStation 5, Xbox Series X|S, PC (Windows), Nintendo Switch e Nintendo Switch 2
Lançamento:

  • PlayStation 5, Xbox Series X|S e PC: 3 de outubro de 2025
  • Nintendo Switch e Nintendo Switch 2: 10 de julho de 2026

Agradecimentos a Bandai Namco pela produção deste conteúdo

Giuliano Peccilli
Giuliano Peccillihttp://www.jwave.com.br
Editor do JWave, Podcaster e Gamer nas horas vagas. Também trabalhou na Anime Do, Anime Pró, Neo Tokyo, Nintendo World e Jornal Nippon Já.

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