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Crítica | Em live action, Blue Lock leva a batalha de egos para o futebol japonês

Quando o assunto é mangá e esporte em versão live action no Japão, espera-se o caricatural e, aqui em Blue Lock, não é diferente. Adaptando a obra de Muneyuki Kaneshiro e Yusuke Nomura, o filme chega aos cinemas após a Copa do Mundo e quase simultaneamente com o Japão.

Com uma trajetória de sucesso tanto no mangá quanto no animê, Blue Lock em live action vem com o objetivo não só de recontar a mesma história, mas de tornar real uma obra que inspirou e ainda inspira jovens a gostar de futebol e que torcem pelo Samurai Blue, como os japoneses chamam a seleção japonesa por lá.

Mas transformar um mangá em live action não é uma tarefa fácil. Ainda mais quando estamos falando de uma obra com personagens extremamente caricatos, exageros visuais e uma maneira muito particular de representar o futebol. Dirigido por Yusuke Taki, Blue Lock consegue reproduzir as táticas de futebol com precisão, sem abrir mão do piegas e da caricatura quase fiel de seus personagens.

Porém, no fim, ficamos nos perguntando se realmente estamos falando de futebol ou do que torna tão especiais as histórias do gênero shonen.

A história

Antes de mais nada, a premissa de Blue Lock é sobre Yoichi Isagi, um jovem atacante que é uma promessa que ainda não vingou e recebe uma oportunidade inesperada depois de uma derrota. Um convite para fazer parte do projeto Blue Lock pode levar Isagi a se tornar o melhor centroavante do Japão e realizar um sonho, que é fazer parte da seleção japonesa.

Assim, Isagi aceita o convite, descobrindo que foi convocado junto com outros 300 jovens atacantes, todos sob o comando de Jinpachi Ego, tendo que passar por uma competição de pura sobrevivência.

Sem poder confiar em ninguém, Isagi vê rostos conhecidos, mas, ao mesmo tempo, sabe que todos estão ali pelo mesmo sonho. E é aqui que, passando pelas provas, ele recebe uma classificação e também se organiza em times, tentando se destacar em meio à multidão.

É aqui que personagens como Meguru Bachira, Rensuke Kunigami, Hyoma Chigiri, Gurimu Igarashi e Asahi Naruhaya se destacam, o que permite ver Isagi como apenas mais um na multidão, que precisa e deve confiar nos demais, mesmo que todos desejem a mesma coisa.

Enquanto isso, Jinpachi Ego deixa claro que todos ali foram convocados por serem atacantes, sendo essa a função mais essencial do jogo. Cada jogador precisa encontrar sua própria maneira de se destacar e se adaptar para se tornar o melhor em sua posição.

Isagi descobre que consegue prever os passos dos outros jogadores, tendo o “faro” para o ataque e para fazer gols. Mas será que isso é suficiente?

Menos futebol e mais batalha de egos

É justamente aqui que Blue Lock mostra que sua história não está apenas no futebol. Com boas cenas de futebol e conseguindo traduzir o “faro de gol” para as telonas, o filme encanta ao conseguir trazer sua história para o live action.

Com um elenco bem escolhido e sendo extremamente fiel à sua origem, o filme consegue adaptar o começo da saga, o que dá uma certa sensação de “já acabou?”.

A evolução de Isagi e até mesmo o desenvolvimento do seu “faro para gol” fazem parte exatamente desse processo de colocar tantos egos em xeque. É o que faz Isagi compreender como ser um atacante que sabe jogar com os demais jogadores de seu time.

Trazendo uma cena pós-créditos e uma promessa de continuação, Blue Lock consegue mostrar que o desafio de ser jogador não está apenas na sua habilidade, mas também no seu ego. E seu diferencial está justamente em simplificar sua narrativa ao tornar Isagi ainda mais protagonista do que já é, o que diminui os outros personagens, mas sem abrir mão deles em cena.

Depois de acertar no mangá e também em sua versão em animê, Blue Lock tinha o desafio de não fazer igual, mas se manter fiel em sua versão live action. E aqui ele mantém o exagero, mas consegue criar uma narrativa com efeitos visuais que não transformam as cenas de futebol somente em CG.

O exagero faz parte de Blue Lock

Por mais que alguns personagens estejam extremamente caricatos em seu visual, a quantidade de personagens em cena exige esse exagero. Não só para identificá-los, mas também para facilitar, dentro de uma narrativa de duas horas em tela, quem é quem dentro do Blue Lock.

E é justamente por isso que o exagero acaba funcionando. Se a adaptação tentasse tornar tudo realista demais, provavelmente perderia parte da identidade que fez Blue Lock funcionar no mangá e no animê.

E é aqui que trazer Masataka Kubota como Jinpachi Ego, quase como um maestro de uma orquestra, traz uma nova geração atrás de um personagem tão misterioso. Vale aqui citar que Masataka Kubota é conhecido no Brasil por outras adaptações em live action, como Tokyo Ghoul.

Enquanto isso, se Blue Lock já tinha uma trilha memorável no animê, aqui se repete ao trazer ninguém menos do que a própria Ado, de One Piece Film: Red, com a canção “Monster”. Escrita por Ryo, do Supercell, a música traz um toque “latino” que nós, como público brasileiro, reconhecemos como uma homenagem, em termos de história no futebol.

Um gosto de quero mais

Com os personagens ainda em treinamento, Blue Lock traz uma cena pós-créditos que não só apresenta novos personagens, mas também deixa clara a intenção de uma continuação.

Como primeira parte de uma enorme saga, o filme deixa um gosto de quero mais. E talvez essa seja justamente uma das sensações mais curiosas depois dos créditos: a impressão de que estamos apenas começando a conhecer aquele universo.

Por outro lado, essa escolha também faz com que o filme tenha uma sensação de introdução. Quem espera uma história totalmente fechada pode terminar com a impressão de que viu apenas o primeiro capítulo de algo muito maior.

Mas isso também é compreensível diante da quantidade de personagens e acontecimentos que Blue Lock possui. Seria difícil colocar tudo em pouco mais de duas horas sem perder aquilo que faz a obra funcionar.

Para quem já conhece a obra e também pra quem nunca viu

Mas temos que ser francos que quem assistiu ao animê na Crunchyroll e/ou lê o mangá pela Panini Comics pode sentir um pouco perdido, seja pela tradução, ou por alguns personagens em cena.

Para quem está chegando agora, o filme consegue apresentar seu universo sem exigir necessariamente que o espectador tenha acompanhado o mangá ou o animê.

No fim das contas, o filme funciona muito bem como obra isolada e pode se tornar um pontapé inicial para conhecer Blue Lock em suas outras mídias.

Com potencial de se tornar um sucesso em seu gênero, Blue Lock, agora em live action, apenas reafirma sua boa história, mostrando que aqui não é só sobre futebol, mas também sobre egos em campo.

Ficha técnica

Nota: 4 (de 5)

Blue Lock (ブルーロック)
Direção: Yusuke Taki
Roteiro: Tetsuo Kamada
Baseado no mangá de: Muneyuki Kaneshiro e Yusuke Nomura
Produção: CREDEUS
Distribuição: TOHO (Japão) / Sato CO. (Brasil)
Gênero: Esporte / Thriller
País: Japão
Duração: 2h08min
Estreia no Brasil: 17 de setembro de 2026
Elenco: Fumiya Takahashi (Yoichi Isagi), Kaito Sakurai (Meguru Bachira), Kyōhei Takahashi (Hyoma Chigiri), Kota Nomura (Rensuke Kunigami), Yuzu Aoki (Gurimu Igarashi), Masataka Kubota (Jinpachi Ego), Mei Hata (Anri Teieri), entre outros.

Giuliano Peccilli
Giuliano Peccillihttp://www.jwave.com.br
Editor do JWave, Podcaster e Gamer nas horas vagas. Também trabalhou na Anime Do, Anime Pró, Neo Tokyo, Nintendo World e Jornal Nippon Já.

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