Em dezembro de 1987, um assalto a banco em Londrina, no Paraná, terminou de uma maneira inesperada. Após manterem mais de 300 pessoas reféns, os criminosos deixaram o local sob os aplausos de parte da multidão que acompanhava a ocorrência. Quase quatro décadas depois, essa história chega aos cinemas em Assalto à Brasileira, novo filme de José Eduardo Belmonte, com estreia marcada para 5 de novembro.
Protagonizado por Murilo Benício e Christian Malheiros, o longa transforma um dos episódios mais curiosos da história criminal brasileira em uma narrativa que mistura suspense, drama e crítica social.
A produção também passou por festivais nacionais e internacionais, conquistando três prêmios no Festival de Brasília, incluindo Melhor Filme pelo Júri Popular.
O assalto que mobilizou cinco mil pessoas em Londrina
Na manhã de 10 de dezembro de 1987, sete homens armados e com os rostos encobertos invadiram a principal agência do Banestado, localizada no centro de Londrina.
Após renderem os vigilantes, os criminosos anunciaram o assalto e fizeram mais de 300 funcionários e clientes reféns no edifício de três andares.
A quadrilha exigiu 30 milhões de cruzados, quantia equivalente a aproximadamente US$ 10 milhões na época, além de um ônibus com os vidros encobertos para permitir a fuga em direção ao estado de São Paulo.
Enquanto as negociações aconteciam, cerca de cinco mil pessoas se reuniram nas proximidades do banco para acompanhar a situação.
O que chamou a atenção foi a reação de parte do público. Em vez de condenar os assaltantes, algumas pessoas demonstraram apoio à quadrilha e chegaram a aplaudir os criminosos durante o deslocamento até o ônibus utilizado na fuga.
O episódio aconteceu em um período de instabilidade econômica, marcado pela inflação e pelo descontentamento de parte da população com o sistema financeiro.
Essa combinação ajuda a explicar o contexto em que o assalto passou a ser interpretado por alguns espectadores como uma forma de contestação, apesar da violência e do risco enfrentado pelos reféns.
Murilo Benício interpreta jornalista envolvido na negociação
Em Assalto à Brasileira, a história é apresentada a partir de Paulo, personagem de Murilo Benício.
Recém-demitido, o jornalista enxerga na invasão ao banco uma oportunidade de conseguir uma reportagem capaz de mudar sua trajetória profissional.
Ao se aproximar da ocorrência, ele acaba envolvido nas negociações entre os criminosos e as autoridades.
Christian Malheiros interpreta Moreno, um dos líderes da quadrilha, enquanto Robson Nunes vive Barba, outro integrante do grupo.
Do lado de fora do banco, o policial Fonseca, interpretado por Paulo Miklos, tenta conduzir as negociações e encontrar uma solução para a crise.
A narrativa utiliza o acontecimento real como ponto de partida para explorar as tensões entre imprensa, polícia, criminosos e população, em um Brasil que ainda enfrentava as consequências econômicas e políticas da década de 1980.
Filme conquistou três prêmios no Festival de Brasília
Dirigido por José Eduardo Belmonte, responsável por Alemão, o longa tem roteiro de L.G. Bayão, que também escreveu Aumenta que é Rock and Roll.
O elenco conta ainda com Fernanda de Freitas e Yohama Eshima.
Antes de chegar ao circuito comercial, Assalto à Brasileira passou por festivais de cinema e conquistou três reconhecimentos no Festival de Brasília:
- Melhor Ator: Murilo Benício.
- Melhor Ator Coadjuvante: Christian Malheiros.
- Melhor Filme pelo Júri Popular.
A produção também foi exibida na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e no Festival de Cinema Brasileiro de Paris.
O longa é uma coprodução da Galeria, Santa Rita Filmes e Grupo TeleFilms, com distribuição da Galeria.
Assalto à Brasileira estreia nos cinemas brasileiros em 5 de novembro de 2026.


