O interesse pela língua japonesa continua crescendo no Brasil, e os números mostram que esse movimento vai além da comunidade nipo-brasileira. Segundo uma pesquisa divulgada pela Fundação Japão em São Paulo, o número de estudantes de japonês na educação infantil, nos ensinos fundamental e médio e nas universidades aumentou 18,2% entre 2017 e 2026.
O levantamento identificou 13.395 alunos nessas instituições, contra 11.334 registrados na pesquisa anterior, realizada há nove anos.
Uma das principais mudanças está no perfil dos estudantes. Aproximadamente 75% dos alunos do ensino regular e superior não possuem ascendência japonesa, indicando que o idioma vem conquistando espaço entre brasileiros de diferentes origens.
Animês e mangás ajudam a despertar o interesse
O crescimento acompanha a ampliação do contato dos brasileiros com a cultura japonesa, especialmente por meio de animês, mangás e outras produções culturais.
Segundo Mayumi Yoshikawa, professora de língua japonesa e coordenadora da pesquisa, esse interesse aparece com frequência entre os estudantes de cursos do idioma.
Nas universidades, porém, a motivação também está relacionada às oportunidades de estudar no Japão, incluindo a possibilidade de ingressar em instituições de ensino superior do país.
Escolas públicas ampliam o acesso ao japonês
Outro destaque é a expansão do ensino de japonês na rede pública, especialmente por meio dos Centros de Estudos de Línguas (CEL), mantidos pela Secretaria da Educação do Estado de São Paulo.
Iniciativas de outras secretarias estaduais também contribuíram para a oferta do idioma em atividades extracurriculares e disciplinas optativas ou obrigatórias.
Pela primeira vez, a pesquisa contabilizou separadamente a educação infantil. Atualmente, 24 escolas particulares oferecem aulas de língua e cultura japonesas nessa etapa, reunindo 1.867 crianças.
Para a Fundação Japão, a ampliação do ensino público representa uma oportunidade de acesso ao idioma para estudantes que não teriam condições de frequentar cursos particulares.
O levantamento também mostra uma mudança histórica. Se antes o ensino de japonês no Brasil estava concentrado em associações nipo-brasileiras e instituições ligadas à comunidade de descendentes, hoje o idioma ocupa um espaço cada vez maior na educação formal.
A pesquisa de 2026 da Fundação Japão em São Paulo atualiza os dados de 2017 e oferece um novo panorama sobre a presença da língua japonesa nas escolas e universidades brasileiras.


