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O Silêncio das Ostras | De Marcos Pimentel chega aos cinemas com imagens reais dos desastres de Brumadinho e Mariana

No dia 26 de junho, chega às salas de cinema brasileiras O Silêncio das Ostras, estreia na ficção do premiado documentarista Marcos Pimentel. Ambientado em um vilarejo na região de Brumadinho, Minas Gerais, o longa entrelaça memória, denúncia e lirismo ao retratar a vida de uma família marcada por perdas e pelo avanço devastador da mineração.

Protagonizado por Bárbara Colen, Lavínia Castelari e Sinara Telles, o filme acompanha a trajetória de Kaylane, caçula de uma família de operários que vive à sombra da lama e da poeira. Narrado em três tempos distintos, o drama se desenrola num território físico e afetivo destruído por tragédias reais — como o rompimento das barragens do Fundão (2015) e de Brumadinho (2019) — cujas imagens são incorporadas ao filme, entrelaçando ficção e realidade de forma incisiva.

Uma infância entre montanhas devastadas

A partir dos anos 1980, vemos Kaylane crescer em um cenário onde a vida é pautada pela produtividade e pela precariedade. Enquanto observa a mãe Cleude, uma mulher marcada pela dor e pelo luto de um marido incapacitado, a menina começa a desenvolver uma sensibilidade própria — um olhar quase poético diante da natureza que resiste à destruição, dos insetos que a acompanham e das ausências que se acumulam ao seu redor.

Em um ambiente onde os filhos são condenados a repetir os caminhos dos pais, Kaylane representa a infância que ainda insiste em sonhar, mesmo quando tudo ao redor parece ruir. É nessa tensão entre o presente corroído e a memória em desintegração que O Silêncio das Ostras encontra sua força narrativa.

A mineração como fantasma permanente

Mais do que um drama familiar, o longa é um filme-denúncia que utiliza as ferramentas do cinema para dar voz às histórias que frequentemente são esquecidas. Com uma fotografia ocre e uma trilha silenciosa, Marcos Pimentel conduz o espectador por um percurso onde a paisagem — ou a ausência dela — se torna protagonista.

“Por entre montanhas e futuras ex-montanhas de Minas Gerais, acompanhamos Kaylane pelas paisagens que a habitam e a consomem”, afirma o diretor. “A mineração roubou-lhes não somente o solo, mas também a crença e a alma”.

A presença de imagens reais dos desastres — que deixaram um saldo de 270 mortos e o despejo de 12 milhões de metros cúbicos de rejeitos tóxicos — insere o filme em uma dimensão mais ampla. Não se trata apenas de uma narrativa local, mas de uma ferida nacional ainda aberta. “O filme retrata uma tragédia que virou ficção de uma dor que ainda é real”, diz Pimentel.

Uma produção comprometida com o real

Realizado pelas produtoras Tempero e Anavilhana, O Silêncio das Ostras foi destaque na 26ª edição do Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro e vem chamando atenção da crítica por seu compromisso com uma estética sensível, sem abrir mão do impacto político.

A distribuição fica a cargo da Olhar Filmes, conhecida por lançar obras que abordam a diversidade de narrativas contemporâneas, com passagens por festivais como Cannes, Sundance e Berlim. A hashtag oficial da campanha — #NãoFoiFicção — reforça o caráter memorial e engajado do longa.

Além de uma impressionante ficha técnica — com nomes como Petrus Cariry (fotografia), Ivan Morales Jr. (montagem) e Camila Machado (som) —, o filme se destaca por um elenco coeso, que dá vida à comunidade fictícia com nuances de dor, resistência e afeto.

Trailer

Ficha técnica

O Silêncio das Ostras
Classificação: 12 anos
Gênero: Ficção, Drama
Duração: 127 min
Ano: 2024

Elenco: Bárbara Colen, Lavínia Castelari, Sinara Teles, Adyr Assumpção, Lucas Oranmian, João Filho, Kaio Santos, entre outros.
Direção e roteiro: Marcos Pimentel
Produção: Tempero, Anavilhana
Distribuição: Olhar Filmes

Giuliano Peccilli
Giuliano Peccillihttp://www.jwave.com.br
Editor do JWave, Podcaster e Gamer nas horas vagas. Também trabalhou na Anime Do, Anime Pró, Neo Tokyo, Nintendo World e Jornal Nippon Já.

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