Com direção de Bruno Costa, o longa Nem Toda História de Amor Acaba em Morte conquistou o prêmio de Melhor Filme no Festival Rio LGBTQIA+ — e o mais simbólico: o de voto popular. Após ser premiado em sua estreia no Cine PE e aclamado no 14º Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba, o filme dá mais um passo em sua trajetória marcada por representatividade e inovação narrativa no cinema brasileiro.
A produção se destaca não apenas pelo enredo sensível que mescla romance, drama e comédia, mas por trazer, pela primeira vez no Brasil, uma atriz surda como protagonista em um longa-metragem de ficção: Gabriela Grigolom, que interpreta Lola. A personagem é uma mulher negra, mãe solo e artista de teatro que se comunica por meio da Língua Brasileira de Sinais (Libras). Em cena, a personagem vive um inesperado romance com Sol (Chiris Gomes), professora de sua filha e mulher que está enfrentando o fim de um casamento infeliz.
A partir desse encontro, o longa constrói uma narrativa íntima sobre afetos improváveis e a convivência entre três pessoas sob o mesmo teto — Sol, Lola e Miguel (Octávio Camargo), o ex-marido que ainda divide o lar com a protagonista. O triângulo, longe de repetir clichês, serve como palco para debates sobre orgulho, reconciliação com o passado e construção de novos vínculos afetivos.
Inclusão também por trás das câmeras

Mais do que colocar em foco a experiência de uma mulher surda, a produção se comprometeu com acessibilidade e inclusão também nos bastidores. O filme reuniu sete atores surdos e mais de 30 figurantes surdos, criando um ambiente de trabalho que respeitasse as diferenças linguísticas e culturais. Parte fundamental desse processo foi a atuação do intérprete de Libras e assistente de direção Jonatas Medeiros, que também colaborou no desenvolvimento artístico e consultivo da narrativa.
Medeiros é um dos fundadores da Fluindo Libras, iniciativa que alia tradução em Libras, teatro e audiovisual como forma de ampliar a presença da comunidade surda na cultura brasileira. A inclusão pensada desde o set à tela evidencia o compromisso da produção com a diversidade real e não apenas simbólica.
Amor, identidade e cotidiano

A escolha de retratar um romance entre duas mulheres — sendo uma delas surda e negra — é um gesto que rompe padrões ainda enraizados nas produções nacionais. O filme mergulha em temas como homofobia, capacitismo e invisibilidade, mas o faz com leveza, evitando o tom panfletário. Em vez disso, aposta em uma abordagem cotidiana e afetuosa, revelando a beleza e os desafios das relações humanas.
Bruno Costa, conhecido por Mirador e pela codireção da série Cidade de Deus – A Luta Não Para, assina também o roteiro. Segundo ele, Nem Toda História de Amor Acaba em Morte nasce do desejo de abrir caminhos: “Estamos apostando na representatividade e fomentando histórias que, até pouco tempo, não tinham espaço na tela. Esse prêmio do voto popular mostra que o público quer se ver refletido com mais verdade e diversidade.”
Produção premiada com olhar transformador
O filme é uma realização da Beija Flor Filmes, produtora paranaense que há duas décadas tem se destacado por seu trabalho voltado à diversidade de gênero, raça e sexualidade. Fundada por Gil Baroni e Andréa Tomeleri, a Beija Flor é responsável por títulos como Alice Júnior, exibido na Berlinale e disponível na Netflix, e Casa Izabel.
Com 153 prêmios e 801 seleções em festivais ao redor do mundo, a produtora mantém uma proposta clara: humanizar histórias marginalizadas e expandir as fronteiras do cinema nacional com autenticidade.
Estreia nos cinemas em 2026
Nem Toda História de Amor Acaba em Morte tem lançamento previsto para 2026, com distribuição da Elo Studios. A produção promete marcar presença não apenas pela representatividade histórica, mas também por ser um retrato contemporâneo das múltiplas formas de amar e resistir.
Mais informações podem ser acompanhadas pelo perfil oficial no Instagram @nemtodahistoria e pelo site da Beija Flor Filmes: beijaflorfilmes.com.
Ficha Técnica
“Nem Toda História de Amor Acaba em Morte”
Sinopse: Sol se apaixona por Lola, uma jovem atriz surda, e elas iniciam um romance. Tudo se complica quando Lola passa a conviver sob o mesmo teto que o ex-marido de Sol, Miguel. Nesse curioso triângulo, eles irão descobrir que a morte de um amor pode ser o nascimento de outro.
Duração: 84’
Direção e Roteiro: Bruno Costa
Produção: Andréa Tomeleri, Gil Baroni
Ator Principal: Octavio Camargo
Atriz Principal: Chiris Gomes
Atriz Principal: Gabriela Grigolom
Atriz Coadjuvante: Sophia Grigolom
Elenco: Regina Bastos, Sidy Correa, Katia Drumond, Maureen Miranda
Co-produção: Fábio S. Thibes
Produção Associada: Fluindo Libras, Armada Films, Chiris Gomes, Felipe Patrício, Gabriela Grigolom, Jonatas Medeiros, Octavio Camargo
Direção de Fotografia: Elisandro Dalcin
Montagem: Gabriel Borges
Trilha Sonora: Octavio Camargo
Editor de Som: Luiz Lepchak
Direção de Arte: Gabriella Olivo
Figurino: Isbella Brasileiro
Caracterizadora: Carol Suss
Técnico de Som: Túlio Borges
Produção Executiva: Gil Baroni
Direção de Produção: Andréa Tomeleri
Montagem: Gabriel Borges
Desenho de Som: Luiz Lepchak
Title Design e Créditos: Cyla Costa e Daniel Duda
Produção de Elenco: Renata Scheidt
Coordenação de Produção: Fábio S. Thibes
Produção de Locução: Betinho Celanex e Thiago Busse
Colorista: Lucas Kosinski
Efeitos Visuais: Nyck Maftum e Thamyres Trindade
Chefe de Elétrica: Odair da Silva
Chefe de Maquinária: Fábio Romão
Argumento: William Biagioli
Assistente de Direção: Louise Fiedler
Diretores Assistentes: Giuliano Robert e Larissa Nepomuceno
Empresa produtora: Beija Flor Filmes
Distribuição: Elo Studios
Sobre o diretor Bruno Costa: Graduado em cinema pela Unespar; atua na área desde 2004 como roteirista, diretor e produtor. Nesse meio tempo, escreveu e dirigiu três longas-metragens: o documentário Cinematoso; e as ficções, Circular (direção coletiva) e o mais recente, Mirador que recebeu os prêmios de melhor longa-metragem no Ibero-american Film Festival Miami, prêmio especial do júri no Festival Régional et International du Cinéma de Guadalupe, prêmio Avec Leandro Schip no Festival Olhar de Cinema e melhor longa-metragem pelo júri popular no Festival de Cinema de Vitória. Mirador ainda teve passagem pela Mostra de Tiradentes, Festival de Havana entre outros. No momento trabalha na montagem de seu novo longa-metragem “Nem toda história de amor acaba em morte” com previsão de lançamento para 2023.
Sobre a Beija Flor Filmes: Há 20 anos a Beija Flor Filmes vem produzindo premiadas obras audiovisuais para cinema, televisão e internet. Nos últimos anos, seus filmes conquistaram 153 prêmios e 27 menções honrosas em 801 seleções em festivais de cinema ao redor do mundo, com destaque para o longa-metragem “Alice Júnior”, que fez estreia internacional na mostra Generation da 70ª Berlinale – Festival Internacional de Cinema de Berlim, recebeu mais de 25 prêmios e foi exibido em 52 festivais internacionais. O filme foi licenciado pela Rede Globo e também está disponível na Netflix, em mais de 190 países.


