Estreando nos cinemas com uma trama bastante ousada, Atena chega com tensão, vingança feita pelas próprias mãos e muita coragem. Dirigido por Caco Souza, o filme tem roteiro de Enrico Peccin e se destaca especialmente pelas atuações de Mel Lisboa e Thiago Fragoso.
Após um assassinato brutal, em que a palavra “estuprador” foi queimada no corpo da vítima, a pacata cidade de Gramado passa a viver dias estranhos. É nesse cenário que conhecemos a misteriosa Atena (Mel Lisboa), uma mulher marcada por traumas de infância. Abusada e atormentada pelo próprio pai, já adulta, ela passa a caçar espancadores e estupradores de mulheres. Implacável, ela enfrenta esses homens em combates corpo a corpo, assumindo uma missão que a justiça ignora.
Enquanto isso, o jornalista Carlos (Thiago Fragoso) começa a investigar o assassinato com os dizeres “estuprador” no peito da vítima. Cruzando informações, ele descobre a existência de uma justiceira chamada Atena e liga o crime a um caso de violência contra uma mulher, ignorado pela delegacia local.

Na tentativa de entender quem é Atena, Carlos descobre que o ponto de partida de sua trajetória foi o próprio pai, um foragido da justiça brasileira que agora vive uma vida comum no Uruguai.
Paralelamente, Atena segue sua missão e parte atrás de um professor de educação física. Dessa vez, porém, ela é reconhecida e precisa lutar para não ser morta por seu agressor. Ela acaba sendo salva por um policial, que revela saber de sua missão e insinua a existência de um “acordo de cavalheiros” entre autoridades locais para eliminar esses criminosos. Algo que nem a própria Atena esperava.
Sem saber que seu pai ainda está vivo, Atena é surpreendida por Carlos, que revela o paradeiro do homem que a transformou na mulher que é hoje. Será que ela irá atrás dele em Montevidéu?
Opinião

Com uma proposta diferente e até original, Atena surpreende ao trazer uma trama ambientada no Sul do Brasil, com uma fotografia escura que reforça o tom sombrio da narrativa. A heroína faz justiça com as próprias mãos, sem filtros.
Mel Lisboa se destaca no papel principal e impressiona, especialmente nas cenas de luta corporal. Bela e feminina, sua personagem se torna impiedosa diante daqueles que seguem livres pela justiça brasileira.
Thiago Fragoso entrega um jornalista interessante, embora sua investigação baseada em depoimentos informais pareça, por vezes, conveniente demais. Ainda assim, seu personagem é essencial para conectar os pontos da narrativa, mesmo que Atena nunca o confronte diretamente.
Com cerca de uma hora e meia de duração, o filme foca na trajetória de vingança da protagonista e consegue manter o interesse. O principal problema está na escuridão excessiva de várias cenas, que prejudica a compreensão visual. Além disso, o roteiro, talvez limitado pelo tempo de tela, resolve situações de forma apressada para chegar ao embate final entre Atena e seu pai.

Vale a pena ver no cinema? Pela originalidade da história, sim, vale. Mas com ressalvas. Os crimes apresentados são, muitas vezes, tratados de forma superficial, com foco quase exclusivo na figura paterna da protagonista.
Atena acerta na história, mas peca na forma como a desenvolve em tela. O peso da narrativa recai quase inteiramente sobre Mel Lisboa, que convence, mas não é plenamente acompanhada por seu parceiro de cena, cujo personagem deixa a desejar.

Nota: 3 (de 5)
Atena
Brasil | 2023 | 85 Min. | Drama – Suspense – Policial
Título Original: Atena
Direção: Caco Souza
Roteiro: Enrico Peccin
Elenco: Mel Lisboa, Thiago Fragoso, Lui Mendes, Gilberto Gawronski, Bruno Krieger, Luiz Franke, Mari Amaral, Jéssica Nigro, Marcelo Crawshaw, Marcos Verza
Distribuição: A2 Filmes
Agradecimentos a A2 Filmes pelo convite para produção deste conteúdo.

