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Cristiano Burlan reinventa o mito do vampiro em Nosferatu, que estreia no Festival de Brasília

O cineasta Cristiano Burlan apresenta sua nova obra, Nosferatu, que fará sua estreia mundial na edição histórica de 60 anos do Festival de Brasília, entre 12 e 20 de setembro. Integrante da mostra competitiva Caleidoscópio, o longa traz Rodrigo Sanches no papel-título, retomando a parceria com Burlan iniciada em A Mãe (2022) e Ulisses (2024).

Rodado em preto-e-branco, o filme também marca a despedida do crítico e pensador Jean-Claude Bernardet, que faleceu em julho deste ano e participou de diversos trabalhos do diretor. O elenco ainda conta com a lenda do cinema brasileiro Helena Ignez, que contracenou com Bernardet em produções anteriores de Burlan, e o próprio co-diretor Henrique Zanoni.

Sinopse e atmosfera

Nosferatu acompanha um vampiro em fuga de Van Helsing, carregando não apenas sua maldição, mas também fantasmas de um passado que não se deixa esquecer. Entre ruas envoltas em névoa e teatros em ruínas, ele mergulha em uma dança macabra em busca de uma atriz — símbolo de redenção, amor perdido ou apenas mais uma ilusão.

A narrativa mistura realidade, delírio e representação, criando uma experiência sensorial em que o terror se confunde com a angústia existencial. É um filme sobre a eternidade, a repetição e o peso de uma existência imortal, onde Nosferatu enfrenta tanto o caçador quanto a si mesmo.

Uma abordagem livre do mito

Burlan explica que o objetivo não era uma releitura fiel do Nosferatu expressionista, mas uma interpretação que colocasse o terror ao serviço da memória e da angústia. “Nosferatu, neste filme, é um ser exaurido, errante, preso em um ciclo de repetição e dor. Sua busca por uma atriz é também uma busca por sentido, por afeto, por humanidade”, diz o diretor.

O filme homenageia o teatro e a arte da representação, com muitas cenas filmadas em palco, e incorpora referências literárias de Shakespeare, Virginia Woolf e Silvina Ocampo, além de canções originais de Edson Van Gogh e Jonnata Doll.

Sobre Cristiano Burlan

Nascido em Porto Alegre, Burlan passou por França e Espanha antes de se dedicar ao teatro e cinema no Brasil. Entre seus trabalhos mais significativos estão a Trilogia do LutoConstrução (2007), Mataram Meu Irmão (2013) e Elegia de um Crime (2018) — e filmes como Hamlet (2015), Fome (2015) e Antes do Fim (2017). Seu cinema combina pesquisa estética, reflexão existencial e poética, explorando o horror, a memória e a experiência sensorial.

Elenco

  • Rodrigo Sanches … Nosferatu
  • Helena Ignez
  • Jean-Claude Bernardet
  • Paula Possani
  • Ana Carolina Marinho
  • Henrique Zanoni
  • Hélio Cícero
  • Biagio Pecorelli
  • Rebecca Leão

Ficha técnica

  • Direção: Cristiano Burlan
  • Produção: Cristiano Burlan, Natália Reis, Rodrigo Sanches
  • Roteiro: Cristiano Burlan, Emily Hozokawa, Fernanda Farias, Rodrigo Sanches
  • Produção Executiva: Ana Carolina Marinho
  • Fotografia: Cauê Angeli
  • Montagem: Cristiano Burlan, Lincoln Péricles, Renato Maia
  • Cor/VFX: Lucas Negrão
  • Som: Ricardo Zollner (desenho, edição e mixagem)
  • Direção de Arte/Cenografia: Mariko Ogawa, Seiji Ogawa
  • Figurino: Mariana Cypriano
  • Maquiagem e Caracterização: Ana Paula Damaceno
  • Som Direto: Renato Maia
  • Trilha Original: Gabriel D’Incao, Pedro D’Incao
  • Canções Originais: Edson Van Gogh, Jonnata Doll
  • Ano/País: Brasil, 2025
  • Duração: 87 min

Bela Filmes

Fundada em 2005 por Cristiano Burlan e Henrique Zanoni, a Bela Filmes desenvolve projetos artísticos independentes, sempre com foco em narrativas inventivas e socialmente relevantes. Entre seus trabalhos, destacam-se Mataram Meu Irmão, Fome, Hamlet, Antes do Fim, Elegia de um Crime, Quem Tem Medo (2022) e A Mãe (2022). Nosferatu é a mais recente produção da companhia.

Giuliano Peccilli
Giuliano Peccillihttp://www.jwave.com.br
Editor do JWave, Podcaster e Gamer nas horas vagas. Também trabalhou na Anime Do, Anime Pró, Neo Tokyo, Nintendo World e Jornal Nippon Já.

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